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LANHELAS JUNTA DE FREGUESIA PREPARA INTERVENÇÃO
A Junta de Freguesia de Lanhelas iniciará brevemente uma intervenção de requalificação da beirada do rio, após ultrapassadas as dificuldades burocráticas deparadas com a respectiva autorização. A autarquia vai colocar uma vedação ao longo do paredão, recuperar o rego de Pomarinho que se encontra obstruído por algumas pedras e melhorar o acesso aos barcos de recreio através da construção de uma rampa em touvenant. Embora fosse sua intenção disciplinar o trânsito em toda a beirada, com a instalação de sinalética e definição de espaços para estacionamento, incluindo ainda a colocação de papeleiras e outro mobiliário, projecto já aprovado pela Direcção-Regional do Ambiente, a Câmara Municipal não disponibilizou verbas para o completar. PROTOCOLOS CADA VEZ MAIS COMPLICADOS
Esta informação foi prestada por Emília Fernandes, tesoureira da Junta de Freguesia, no decorrer da última reunião da Assembleia de Freguesia, a qual voltou a fazer sentir o mau estar gerado com a cada vez maior complicação em realizar obras decorrentes do protocolo celebrado com o executivo camarário. Embora as juntas tenham os seus planos de actividades aprovados, dos quais resultam as prioridades, são ainda obrigadas a repetir perante a câmara quais são elas. Depois de autorizadas, são abertos concursos e de novo voltam ao crivo camarário, sob pretexto de darem aval aos preços apresentados. DUAS OBRAS AGUARDAM "SIM" CAMARÁRIO
A junta lamentou ainda o atraso nas autorizações para o início de mais obras nas freguesias, dando como exemplo duas delas previstas para Lanhelas: a repavimentação de um troço da R. João de Sá, desde a Igreja Paroquial até à Casa do Povo e a requalificação do tanque do Freijoal e zona envolvente. A Câmara ainda não concedeu luz verde para que elas comecem, a três meses do fim do mandato.
Outros projectos estariam ainda na calha da autarquia lanhelense, tais como a pedonização desde a pesqueira até Gondarém e a conclusão da negociação de aquisição de terrenos à volta do Cruzeiro da Independência. As dificuldades deparadas com as exigências camarárias e os atrasos nos pagamentos de obras concluídas em 2003, levaram a que tivesse ficado por liquidar uma factura desse ano, não restando agora outra alternativa à junta que não fosse contrair um empréstimo de curto prazo no valor 6.000€, o qual foi aprovado pelos quatro delegados socialistas presentes na reunião, a qual não teve qualquer representante da oposição social-democrata. EXIGIDA MELHORIA NA RECOLHA DO LIXO
Outro tema abordado por Manuel Ramos, presidente da Assembleia, relacionou-se com a deficiente recolha do lixo na beirada do rio e má utilização dos contentores por parte de alguns utentes. A Junta comungou deste reparo já feito sentir à Câmara e pediu mais recipientes para depósito de lixo, além de ter promovido uma campanha de sensibilização das pessoas, a fim de procederem de forma correcta, quando utilizarem os contentores e seleccionando o lixo.
Este assunto deu aso a que o delegado António João Silva pedisse um local para depósito de entulho e Manuel Ramos sugeriu o comprimento de um horário de recolha, para que os utentes se habituem a ele e só depositem o lixo antes da passagem do carro. ACTIVIDADES CULTURAIS LOUVADAS A realização do II Encontro de Embarcações Tradicionais dentro dos próximos dias, levou Manuel Ramos a desejar que constitua um êxito, tal como sucedeu com o anterior, tendo ainda elogiado o espectáculo do Dia de Lanhelas, o qual teve de ser repetido. Mas a junta teme algumas dificuldades na obtenção de apoios da parte da câmara, embora uma verba de 15.000€ estivesse incluída no protocolo assinado este ano, esperando, contudo, que nenhum percalço surja, tal como sucedeu com a ausência de apoio para as comemorações do Dia de Lanhelas, sob pretexto de que não constavam do polémico protocolo. LANHELAS SEM PLACAS IDENTIFICATIVAS
No período destinado ao público, Américo Vasconcelos pediu a limpeza dos muros num troço da R. da Liberdade e perguntou por que razão não colocavam placas identificativas de Lanhelas à entrada da freguesia.
Emília Fernandes, referiu que já têm insistido com o director-regional de Estradas para que as coloque, recebendo como desculpa que os limites da freguesia não estariam "bem definidos", levando a que surgissem alguns comentários, interrogando-se alguém se "tal dúvida não teria algo a ver com a ponte…" II ENCONTRO DE BARCOS TRADICIONAIS ESTÁ NA CALHA PASSEIOS FLUVIAIS TERÃO PRIMAZIA
A Junta de Freguesia e a Corema voltam a organizar o Encontro de Embarcações Tradicionais que decorrerá na beirada do rio Minho, em Lanhelas, no primeiro fim de semana de Julho, privilegiando os passeios fluviais a bordo de mais de cem barcos típicos provenientes de vários pontos do país e da vizinha Galiza. A partir das onze da manhã de sábado, os visitantes passarão a desfrutar de viagens gratuitas pelo rio Minho, não só aproveitando o deslize do carocho à vela, daquele que é considerado o barco de pesca mais representativo deste curso de água, como de gamelas de Caminha e A Guarda (Galiza), uma lancha poveira ou um sarilheiro do Tejo. Esta segunda edição, realizada dois anos depois de idêntica iniciativa levada a cabo com sucesso, pretende "recuperar e relançar a cultura popular de Lanhelas nas mais diversas actividades" relacionadas com o carocho. A par da fruição e do contacto com a natureza, os visitantes poderão degustar algumas das espécies piscícolas da época neste rio: as tainhas e o mujos secos, -especialidades da terra-, além de diversa gastronomia local, estando previsto montar diversas tendas na margem para esse efeito, as quais funcionarão até de madrugada. Este ano, serão colocados sanitários amovíveis junto ao local da festa. NOITE MÁGICA À noite, a iluminação pública será desligada e todo o movimento decorrerá à luz de fogueiras e velas, recriando-se dessa forma "memórias" do passado, estando programadas diversas actividades musicais ("As 7 Mulheres do Minho", de Lanhelas e "Cantadeiras de Castelo de Neiva") e queima de fogo de artifício, outra das tradições de Lanhelas, bem como a presença de artesãos especializados na construção de barcos em miniatura. Uma prova a remos entre carochos, será outras das atracções da tarde de Sábado. A par destas práticas lúdicas, será organizada uma mesa-redonda destinada a debater o património etno-fluvial e o papel do carocho no Rio Minho, em que participarão alguns especialistas na matéria. Simultaneamente, será exibido um vídeo com projecção multi-média baseado no carocho (um barco com fortes influências nórdicas), sua construção por artesãos locais e importância na economia da região. PROGRAMA
Dia 1, Sexta-feira
Dia 2, Sábado
Dia 3, Domingo
Sábado e Domingo
O CAROCHO, A GASTRONOMIA E A TRADIÇÃO O carocho é a embarcação mais característica do rio Minho. Nela sobrevive uma arcaica e elegante tipologia apenas referenciável neste curso de água, fruto de uma evolução e de um processo de mestiçagem construtiva fortemente marcado pelas técnicas de origem nórdica. A difusão desta tecnologia atribuiu-se aos vikings e normandos, a qual viria a cruzar-se, no noroeste peninsular, com elementos de feição mediterrânica. A história deste barco alongado, de casco trincado, com uma morfologia que lembra uma embarcação de pesca ainda em uso na Lapónia, remete essencialmente para a actividade piscatória e o transporte de bens e pessoas. Em Lanhelas, povoação associada ao longo dos séculos à economia fluvial, memórias e tradições populares interligam-se inevitavelmente à história do rio. Uma história rica de episódios de intensidade emocional e natureza muito diversa. E o carocho, relíquia do património etno-fluvial miniense, surge em tal contexto como um sólido e eficaz meio de navegação, e um singular ícone identitário a preservar. Tanto mais que a sua existência está hoje em perigo! Ameaçada pelas mudanças de género de vida, pelo uso alternativo de embarcações motorizadas, bem como pelas transformações-descaracterizações que resultam da generalização do motor fora-de-bordo acoplado à sua ré. Pelo que, a história do carocho, nos últimos decénios, é uma história de decadência e até de iminente extinção. A fim de contrariar esta tendência, a Junta de Freguesia de Lanhelas, secundada pela COREMA e a Associação Barcos do Norte, realizou, em 31 de Maio e 1 de Junho de 2003, o I Encontro de Embarcações Tradicionais. A novidade da iniciativa, o logotipo criado e a concepção gráfica do evento, a par do cenário ribeirinho - diurno e nocturno-, assim como a temática ambiental e animação cultural associada ao mesmo, fizeram do I Encontro um acontecimento modelo. Convém lembrar que às regatas, cortejos e evoluções dos barcos no rio, somou-se a realização de um pequeno colóquio e uma exposição sobre o património etnográfico fluvial. Neste âmbito, foi apresentado um vídeo especialmente produzido para o evento, e efectuou-se ao longo da noite a observação de astros em complemento ao alerta lançado relativamente aos fenómenos crescentes de poluição luminosa. A gastronomia local, a música e os jogos tradicionais, complementaram a animação e a atmosfera convivial que marcou o intercâmbio entre espectadores e participantes do encontro. Não será pois excessivo qualificar o evento como um encontro modelo. E sem paralelo, a crer na opinião mais avalizada, com acontecimentos análogos organizados em Portugal e na Galiza. Passando, pois, a figurar no calendário ibérico dos encontros de embarcações tradicionais como um dos mais emotivos e paradigmáticos. A organização de um novo encontro constitui, por conseguinte, um desafio difícil que esperamos vencer. Como aspiramos a manter viva a navegação tradicional no rio Minho, as suas memórias e as técnicas de construção do carocho de que Lanhelas é igualmente depositária.
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