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IC1 CONSTRUÇÃO DE ENSECADEIRA DESTRÓI COBERTO VEGETAL E DESVIA CURSO DO RIO ÂNCORA APROVADA PRIMEIRA FASE ENTRE VIANA DO CASTELO E VILA PRAIA DE ÂNCORA
O Ministério do Ambiente já aprovou a primeira fase do prolongamento da obra do IC1 entre Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora e autorizou a construção de uma ensecadeira (dique) no rio Âncora, no lugar da Estorranha, em Freixieiro de Soutelo, que originou contestação da autarquia local e das associações ambientalistas. Esta estrutura em betão com cerca de 15 metros de comprimento, alterou o curso normal do rio Âncora, correndo durante alguns dias por uma pequena vala junto à margem esquerda, originando um significativo movimento de terras em ambos os lados do rio, com a consequente destruição do coberto vegetal e turvação das águas, conforme constatou Artur Borlido, presidente da Junta de Soutelo. SOUTELO NÃO FOI INFORMADO
Esta autarca manifestou o seu desagrado pela situação criada, designadamente por não ter sido informado do desvio do rio, "nem tal constar do projecto inicial", achando estranho que o Ministério do Ambiente tivesse permitido o movimento de terras nas margens, quando "ainda há pouco tempo foram multados os proprietários de uns amieiros por os terem derrubado". Referiu ainda que se encontram técnicos espanhóis a dirigir os trabalhos, mas "nada nos dizem", lamentou. NUCEARTES PROTESTA Da parte dos ambientalistas, o Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora (NUCEARTES), ignorando que o arranque da obra IC1 já tinha sido aprovado pelo ministério, solicitou esclarecimentos e manifestou a sua preocupação pela "movimentação de terras e viaturas que arrasou as margens e alterou o leito natural do rio, numa Zona da Rede Natura 2000", afirmam. Queixam-se da falta de informações, depois de ter decorrido entre 16 de Janeiro e 2 de Fevereiro a fase de pós-avaliação do IC1 e da respectiva ligação a Vila Praia de Âncora (igualmente já aprovada), conforme nos confirmou também Manuel Marques, presidente da junta desta freguesia. Este autarca, em cujo território se situa a captação de água de distribuição ao domicílio do Vale do Âncora, não se mostrou tão preocupado como os ambientalistas, quanto a uma eventual poluição deste líquido desde há uma semana, data (6/4) em que se iniciou a construção da ensecadeira. CHUVAS PODERÃO COMPLICAR
Referiu que embora "não tivesse tido a percepção da existência" de um dique, aquando da discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental e não ser a pessoa indicada para falar de uma eventual contaminação da água, considerou "natural que ao mexerem nas margens, os detritos se misturassem com ela", não vendo, contudo, grande problema com essas "escorrências", apenas podendo complicar-se "quando vierem as chuvas", admitiu.
Sob o dique, foram colocadas manilhas para a passagem das águas do Rio Âncora -cobertas com terra numa fase inicial da construção da passagem-, pelas quais correm agora. CÂMARA SILENCIOSA Tentando ouvir a câmara de Caminha sobre a qualidade da água da rede pública, dado que o Vale do Âncora é abastecido pela estação da captação da Valada, situada em Vila Praia de Âncora, tal não foi possível. Silva Carvalho, director-regional do Ambiente, confirmou-nos a autorização desta obra "acessória", o que "não é inédito nestas situações", frisou, indo permitir a passagem de viaturas de uma margem para a outra, de modo a facilitar a construção de uma viaduto sobre este rio. EUROSCUT DEVERÁ REPOR
Sobre a destruição do coberto vegetal, referiu que a empresa (Euroscut) será obrigada a retirar o dique após a conclusão da obra, "repor todo o coberto vegetal e a normalizar o leito do rio", o que não convence o NUCEARTES que reputa de "injustificável sobre qualquer conceito uma intervenção com estas características", a não ser que alguém tivesse "inventado uma solução mirabolante para reduzir as condições ambientais deste Vale", acrescentam. EMPRESA JUSTIFICA OBRAS COM PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS No entanto, a Ferrovial/Euroscut, concessionária da empreitada do IC1 Norte-Litoral, justificou o desvio do leito, como forma de "garantir a construção do viaduto e realizar as compensações de terras que evitem a poluição do rio" enquanto que a obra decorrer sobre o Âncora, "retomando depois o curso normal", logo que concluída. Segundo a porta-voz da empresa (EMIREC), serão assim "adoptadas as medidas de minimização impostas pelo Estudo de Impacte Ambiental, propostas pela Declaração de Impacte Ambiental" e definidas pelos cadernos de encargos ambientais da obra do RECAPE (Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução).
CDU PRONUNCIA-SE SOBRE O IC1
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