CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 181: 17/23 Abr 04 (Semanal - Sábados)

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ENGENHEIRO PESCADOR
ENSINA A FAZER REDES

Cansado da frequência com que os pescadores da sua terra (Lanhelas) lhe pediam para que cosesse ou preparasse redes de pesca, José Covelo, um engenheiro agora reformado do ensino, mas que desde miúdo lida diariamente com o rio Minho, decidiu propor à Junta de Freguesia a realização gratuita de um curso que permitisse aos seus conterrâneos aprender uma arte tradicional.

A reparação de redes utilizadas na pesca da lampreia, sável e solha no rio Minho, pelos cerca de 500 pescadores lanhelenses portadores de cédula marítima, vem sendo feita na vila galega de A Guarda, onde existem mulheres que vivem exclusivamente dessa actividade, ou por antigos pescadores do alto-mar de Vila Praia de Âncora que ainda se dedicam a essa tarefa.

José Covelo recorda que logo aos sete anos de idade foi compelido a arranjar a primeira rede, quando "roubei uma junto ao rio, rompi-a e depois tive de me desenrascar a cosê-la", começando aí o gosto pela arte que desenvolveu para satisfazer pedidos de amigos.

Iniciado este mês o curso pós-laboral na sede da junta, já conta com 15 inscritos que apenas têm de aportar o material a utilizar na aprendizagem (agulhas de três tamanhos, fios de nilon e sediela e moldes para os tamanhos das malhas)), demonstrativo do gosto que esta prática ainda mantém nas gentes ribeirinhas, onde existiam "excelentes montadores de redes como o tio Armando e o Faldoca", referiu o monitor desta formação.

"Antigamente utilizavam redes com 400 metros de comprimento, a que chamavam a miúda, composta por um pano de dentro com 70 malhas de alto, destinada à pesca da lampreia", o que demorava meses a montar e encarecia o seu preço, obrigando os pescadores a executá-las eles próprios

Hoje em dia, o tamanho está reduzido a um quarto e uma lampreeira de três panos com alvitana custa 400€, enquanto que a rede de tresmalho (sável e salmão) ronda os 250€.

José Armando foi um dos pescadores lanhelenses "com tempo disponível" para frequentar o curso e espera aprender o suficiente para que "quando for para a faina já tenho tudo feito" reconhecendo que uma rede montada ou (r)emendada pelo próprio "dá outro gosto", além de ficar mais barato.


MUNÍCIPE INDISPÔS-SE COM CÂMARA
POR NÃO DISPONIBILIZAR COVEIRO

O funeral de uma senhora que tinha falecido em Lisboa no passado dia 12, originou polémica entre um familiar e a Câmara de Caminha, quando lhe foi pedido que disponibilizasse um coveiro municipal a fim de abrir uma sepultura no cemitério de Lanhelas, dado que a pessoa contratada pela Junta para habitualmente executar esse serviço, tinha ido passar a Páscoa à sua terra.

Segundo nos relatou esse familiar, dirigiu-se no dia seguinte, logo pela manhã, com um membro da Junta de Lanhelas à Câmara, a fim de conseguir um dos dois coveiros que trabalham no cemitério municipal de Caminha, mas o representante da autarquia local não conseguiu obter a anuência do município.

Referiu que foram então recebidos pelo adjunto da presidente da Câmara, fazendo-lhe ver que se tratava de uma emergência, dado que o funeral estava marcado para as cinco horas da tarde e havia familiares que chegavam dos EUA, mas nada conseguiram.

Após uma troca de palavras acaloradas, ter-lhe-á dito que "os coveiros e todos os que estão cá dentro são pagos por todos nós", pelo que não entendia a posição da Câmara perante um caso com esse, nem a dificuldade em fazer deslocar um coveiro de "um sítio para outro".

"Já sou empresário há 45 anos e quando é preciso mudar um empregado de um sítio para outro, faço-o", terá exclamado então.

Face a esta situação, decidiu tentar contactar o coveiro de Lanhelas na sua terra, a fim de executar o serviço.

Este industrial lanhelense instalado em Vila Nova de Cerveira, comentou o caso com o presidente dessa autarquia, tendo-lhe respondido que se o tivesse contactado, teria disponibilizado de imediato um coveiro.

Ouvido Flamiano Martins sobre o assunto, o assessor da presidente da Câmara de Caminha esclareceu que "isso era da competência da Junta" e que o poderia "resolver facilmente" além de "não haver disponibilidade" para aceder ao pedido.

Sobre a exigência da entrega de um ofício contemplando o pedido de disponibilidade de um funcionário municipal, preferiu não responder e "não dizer mais nada", sobre o caso.

Junta de Freguesia de Lanhelas

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
4ª e 6ª Feira : 17H30/19H00

Tel: 258727839

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