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Exposição da EB 2,3/S de Caminha
Caminha e o 25 de Abril
Galeria Caminhense (Terreiro)
21 de Abril a 1 de Maio de 2004, 10-12 h / 14-19 h
21 de Abril, 4ª feira, 15.00 h
Abertura da exposição e
Leituras de Poesia de Abril
22 de Abril, 5ª feira, 17.30 h
Projecção do filme "Deus, Pátria e Autoridade"
de Rui Simões (1975)
23 de Abril, 6ª feira, 17.30 h
Conversa com … o Movimento de Unidade Popular,
MUP de Caminha, 1974-1975
24 de Abril, Sábado, 17.30 h
Projecção do filme "Capitães de Abril"
de Maria de Medeiros (2000)
26 de Abril, 2ª feira, 17.30 h
Conversa com …Fausto Gonçalves,
soldado caminhense no 25 de Abril
27 de Abril, 3ª feira, 11.00 h
Conversa com … Marques Júnior,
Capitão de Abril e Conselheiro da Revolução
27 de Abril, 3ª feira, 17.30 h
Projecção do filme "Bom Povo Português"
de Rui Simões (1980)
28 de Abril, 4ª feira, 15.00 h
Conversa com … Horácio Silva,
Presidente da Comissão Administrativa do
Concelho de Caminha (1974-1976)
29 de Abril, 5ª feira, 17.30 h
Projecção do filme "Cinco Dias, Cinco Noites"
de José Fonseca e Costa (1996)
30 de Abril, 6ª feira, 17.30 h
Conversa com … Juventudes Partidárias
de Caminha em 2004
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Um projecto pedagógico, uma questão de cidadania
Não se compreenderia que a passagem dos trinta anos da revolução do 25 de Abril fosse unicamente assinalada pelas habituais cerimónias institucionais e/ou festivas que, apesar da inegável carga simbólica que contêm, se arriscam, pela repetição, a serem cumpridas como meras formalidades cívicas à imagem do que acontece com outras datas da nossa história política inscritas no calendário nacional, como o 1º de Dezembro ou o 5 de Outubro.
Contrariamente a estes eventos, o 25 de Abril está ainda vivo na memória de muitos e os seus efeitos perduram na vida de todos: quantos de nós não foram poupados à morte ou ao estropiamento graças ao fim da Guerra Colonial ? Quantos silêncios não foram quebrados, quantos ideais não foram proclamados com o advento da liberdade e da democracia ? Como se interromperia o isolamento internacional e o sub-desenvolvimento económico sem a integração do novo Portugal na comunidade das democracias europeias ?
A revolução do 25 de Abril constitui-se assim como o mais importante acontecimento da nossa história recente e, apesar das dificuldades que persistem e dos bloqueios não ultrapassados, inaugurou sem dúvida a era de maior liberdade, prosperidade e justiça social de toda a História de Portugal.
O projecto "Caminha e o 25 de Abril"
Na escola, com os jovens, é hoje particularmente importante que o 25 de Abril não se limite à simples didáctica informativo-instrutiva, ainda por cima confinada pelos curricula aos finais dos anos lectivos ou, na melhor das hipóteses, a um qualquer acto celebrante organizado periodicamente, esperando dessa forma sensibilizar os mais novos para os valores que lhe estão associados.
Em tempos difíceis como os que vivemos, em que a guerra e o terrorismo parecem querer substituir a diplomacia e a cooperação como métodos privilegiados do relacionamento internacional e as democracias se empobrecem perante a indiferença ou o populismo, é necessário mais do que nunca fazer a pedagogia da cidadania activa e comprometida, simultaneamente corajosa e tolerante, afinal de contas tudo aquilo que o 25 de Abril representa. Um objectivo só possível de ser atingido se optarmos por estratégias de ensino-aprendizagem também elas activas, democráticas e, muito importante, que produzam conhecimento útil para a comunidade.
O projecto "Caminha e o 25 de Abril" que aqui se apresenta desenvolveu-se com estes pressupostos e mobilizou durante grande parte do ano lectivo muitos alunos da EB 2,3/S de Caminha que, orientados pelos seus professores, pesquisaram, entrevistaram, fotografaram, aplicaram questionários e recolheram documentação nas suas freguesias. É o fruto desse trabalho que se vai poder apreciar no espaço da Galeria Caminhense de 21 de Abril a 1 de Maio, onde através de uma exposição iconográfica e de uma série de actividades paralelas (ver programa específico), se poderá revisitar a censura, a repressão e a oposição ao Estado Novo, a Guerra Colonial, a alegria da revolução libertadora e os tempos agitados e apaixonantes do PREC, numa perspectiva nacional mas, igualmente, a partir de um olhar local.
Será precisamente esta última característica a maior originalidade e o maior contributo deste projecto para a comunidade, já que a análise da imprensa da época, a recolha de documentação e as entrevistas realizadas a protagonistas locais, possibilitaram uma primeira aproximação à história recente caminhense do pós 25 de Abril que, cremos, era urgente iniciar.
Os resultados mais concretos desse esforço em fazer história local, que os leitores deste jornal conhecerão durante as próximas semanas, são as já citadas entrevistas a protagonistas caminhenses: a Fausto Gonçalves, soldado caminhense no 25 de Abril; a Fernando Canedo, activista do Movimento de Unidade Popular (MUP) de Caminha; a José Verde, fundador do PS Caminha; a Horácio Silva, Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Caminha e fundador do PPD/PSD Caminha. É também uma cronologia dos acontecimentos caminhenses entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Abril de 1975, algo limitada à área geográfica de onde são oriundos os alunos da EB 2,3/S de Caminha e concerteza incompleta e com inexactidões mas, nem por isso, menos reveladora de um ano verdadeiramente revolucionário.
Uma última palavra para agradecer a ajuda das muitas pessoas que, dentro e fora da escola, contribuiram para este projecto, com um merecido destaque para o apoio concedido pela Câmara Municipal de Caminha, Jornal Caminhense, Jornal Digital Caminh@2000 e Associação de Estudantes da EB 2,3/S de Caminha.
Paulo Torres Bento,
professor de História na EB 2,3/S de Caminha
e coordenador do projecto CAMINHA E O 25 DE ABRIL
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Cronologia de um ano revolucionário
25 de Abril 1974 - 25 de Abril 1975
Um trabalho realizado pelos alunos do 12º C
com o Prof. Paulo Torres Bento
25 de Abril de 1974
Reagindo às notícias que chegavam de Lisboa através da rádio e de muitos telefonemas de amigos e conhecidos a residir e a trabalhar na capital, numerosos caminhenses juntam-se ao fim da tarde no Terreiro onde comentam, ainda cautelosamente, os importantes e inesperados acontecimentos do dia.
1 de Maio de 1974
O 1º de Maio, Dia do Trabalhador, é comemorado no Terreiro de Caminha onde, por esses dias, caminhenses com uma maior consciência política, professores da Escola Preparatória e outros, constituem espontaneamente o Movimento de Unidade Popular (MUP) de Caminha, uma plataforma informal da esquerda local que durante todo o PREC, assumirá um papel preponderante na agitação e na consciencialização política no concelho.

Maio de 1974
Logo nos primeiros dias de Maio, uma manifestação de professores, pais, funcionários e alunos da Escola Preparatória de Caminha, percorre as ruas da vila exigindo a continuação da Profª. Carolina Santiago no cargo de Directora da escola, apesar da directiva nacional que obrigava à exoneração de todos os órgãos directivos escolares.
Realiza-se uma sessão de esclarecimento do Partido Comunista Português nas instalações do Sporting Clube Caminhense, tendo sido orador José Silva, funcionário do PCP em Viana do Castelo que iniciava então o seu trabalho político de recrutamento e organização em Caminha. Nas semanas seguintes, o PCP realizaria outras iniciativas semelhantes pelas freguesias do concelho, nomeadamente em Argela, a que assistiu o pároco local, e em Vilar de Mouros onde o partido encontra desde muito cedo uma sólida base de apoio entre militantes e simpatizantes.
Um comício do MUP em Vilar de Mouros, realizado ao ar livre no Largo do Casal, permite que os vilarmourenses exponham abertamente os problemas da sua terra e termina com uma votação de braço no ar exigindo a destituição imediata do padre da freguesia.
10 de Junho de 1974
Troca de comunicados e acusações mútuas de "fascistas" e "contra-revolucionários" entre as auto-denominadas Comissão Democrática de Seixas e Comissão de Trabalhadores de Seixas, culmina com uma reunião na Junta de Freguesia de Seixas onde o executivo deste órgão autárquico recebe um voto de confiança dos presentes.

23 de Junho de 1974
O Movimento de Unidade Popular (MUP) reúne com agricultores de Vilar de Mouros com vista à constituição de uma cooperativa agrícola, aspiração de muitos vilarmourenses ainda anterior ao 25 de Abril. O MUP realiza então outras sessões de esclarecimento pelas freguesias do concelho, nomeadamente em Seixas e Dem.
30 de Junho de 1974
Agricultores de Vilar de Mouros e membros do MUP deslocam-se a São Pedro da Torre (Valença) para tomarem contacto com uma experiência local de cooperativismo agrícola. Na sequência desta visita, constitui-se a Cooperativa Agrícola de Vilar de Mouros que arranca com 40 agricultores, chegou a possuir alfaias, tractor, armazém, silo e animais próprios e funcionaria até 1977, dissolvendo-se então por desinteligências internas.

14 de Julho de 1974
O Movimento de Unidade Popular (MUP) organiza festas populares em Caminha e Vila Praia de Âncora que contam com a participação dos cantores Fausto, José Mário Branco e Tino Flores. Na festa realizada à tarde no Terreiro de Caminha, destaca-se a intervenção espontânea do Sr.Arménio de Venade.
(continua na próxima edição)
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MEMÓRIAS DA SERRA D'ARGA |
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Autor Domingos Cerejeira |
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