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Nº 130: 26 Abr a 2 Mai 03
Semanal - Sábados
1ª Pág. JORNAL DIGITAL REGIONAL


TGV "ARRASTARÁ" PONTE DE CAMINHA
A ESPERANÇA DO PRESIDENTE
DA JUNTA DE FREGUESIA

As declarações de Fraga Iribarne, presidente do Governo regional da Galiza, indicando como uma possibilidade de ligação do futuro TGV Porto-Vigo, com passagem por Viana do Castelo, a construção da ponte de Caminha-A Guarda, terá dado um maior alento ao projecto da nova travessia, conforme está convencido Carlos Mouteira, presidente da Junta de Freguesia de Caminha.

O autarca falava assim no decorrer da Assembleia de Freguesia e recebeu como comentário da oposição socialista, a classificação de "demagógica".

Victor Cordeiro não acredita que o TGV alguma vez venha a passar por uma ponte entre as duas margens da foz do rio Minho, enquanto que Cristina Costa (CDU) manifestou receio de que a travessia apenas sirva como escoamento para o trânsito, não representando uma mais valia para a vila.

CONSTITUIÇÃO DA MESA CONTINUA PROBLEMÁTICA

No decorrer desta sessão, o PSD voltou a encontrar dificuldades em constituir a Mesa da Assembleia, devido às ausências e suspensões de mandato dos seus eleitos.

Apesar de Delfim Moreira ter admitido a possibilidade de "convidar os que não comparecem a sair", o aparecimento de um membro deste partido possibilitou a composição da Mesa, depois de tanto CDU como PS terem recusado o convite formulado, entendendo Lucinda Araújo que quem "se mete nas coisas deve assumir as suas responsabilidades", numa alusão à vitória do PSD.

Delfim Moreira Mesa da Assembleia

RECUPERAÇÃO DO "VALADARES" ENVOLTA EM POLÉMICA

Esta delegada aproveitou a reunião para criticar uma intervenção do presidente da Junta no decorrer da última Assembleia Municipal, quando manifestou estranheza pelo facto dos defensores da recuperação do Cine-Teatro Valadares não terem presenciado um espectáculo de teatro proporcionado por ocasião da comemoração da oficialização da heráldica da vila.

Sentindo-se visada, a delegada "rosa" disse que seria bem melhor que o presidente da Junta se colocasse ao lado dos que pugnam pela aquisição e revitalização desse espaço, como era o seu caso, em vez de "dar piadas" nas assembleias, desafiando-o ainda declarar formalmente que não comunga dessa aposta.

Carlos Mouteira, em resposta às acusações da delegada, rebateu a possibilidade de "mandar piadas" a quem quer que fosse e, sobre o cine-teatro centenário, reconheceu que era uma casa de espectáculos "pequena" a necessitar de "obras de profundidade", quando, na sua óptica, a vila necessitava de "algo maior".

Ainda a propósito das cerimónias do brasão de Caminha, Lucinda Araújo lamentou que em época de crise para o comércio local, a Junta tenha contratado uma unidade hoteleira de fora, para servir o copo de água.

A resposta não se fez esperar da parte da Junta de Freguesia, explicando Carlos Mouteira que o restaurante contactado não pôde corresponder ao convite, pelo que "tivemos de desenrascar", afirmou.

OBRA NO HOSPITAL INTRIGA SOCIALISTAS

A forma algo descoordenada como decorre a obra da recuperação do antigo hospital de Caminha, foi outro dos temas trazidos à baila pelos quatro representantes socialistas neste orgão autárquico, cabendo a Valdemar Castro comentar o caso.

Obras constantemente paradas, aparente insegurança -"a fazer fé nos ferros que lá há"-, sujidade na R. Direita (lama quando chove e pó quanto baste) e com a malha protectora solta e impedindo a circulação na artéria caminhense, foram alguns dos tópicos abordados.

Esta situação não deixa indiferente a Junta, estando já na agenda de Carlos Mouteira equacionar esta obra com a presidente da Câmara, quando for realizada a visita à sede do concelho, a exemplo do que vem sendo feito com as demais freguesia do concelho.

O autarca negou, contudo, que a obra se encontrasse paralisada, estando o empreiteiro apenas a aguardar a chegada de maquinaria apropriada a fim de reforçar a segurança das paredes que ainda se encontram de pé.

PARQUE MUNICIPAL E AV. SARAIVA DE CARVALHO PREOCUPAM

O ar de abandono que apresentam o parque municipal, a Av. Entre-Pontes e a Av. Saraiva de Carvalho (passeios e piso junto a um prédio em construção) forçaram a uma nova intervenção de Victor Cordeiro, obtendo como resposta que ainda não existe projecto para o parque e que quanto à Av. Saraiva de Carvalho, na parte que até há pouco tempo estava protegida por um taipal de obras, prometeu que todo o piso desta rua será repavimentado.

Este delegado socialista pediu ainda uma operação de limpeza num prédio pertencente à Câmara, junto ao Museu, onde existem galhos de árvores sobre a R. dos Hospital e a Travessa de S. João.

Esta série de interpelações da oposição, levou Carlos Mouteira a referir-se também à necessidade de reparar o piso na rua paralela à Av. Marginal (Dantas Carneiro), à limpeza na parte de dentro dos canteiros e anunciando que a intervenção no Largo da Cabreira não ficará por aqui.

Rua paralela à Marginal

Manuel Fernandes, delegado eleito pelo PSD, chamou a atenção relativamente aos poços de água no Terreiro e à necessidade de rever a sinalização à saída do parque de estacionamento do Tribunal e Finanças.

Poços de água no Terreiro

Os receios do "Prestige" continuam no pensamento dos delegados, como o provou Cristina Costa, ao perguntar ao presidente da Junta se tem continuado a acompanhar o processo, recebendo a resposta afirmativa deste autarca, exemplificada com a sua presença num colóquio realizado pela CDU em Vila Praia de Âncora, em que o temor de que o crude venha a atingir a costa portuguesa não foi descartado.

CONTAS DE GERÊNCIA E ABSTENÇÃO SOCIALISTA

Incluído na ordem de trabalhos da reunião, a análise e aprovação das Contas de Gerência/02, a oposição socialista não deixou passar em claro a oportunidade de tecer algumas críticas.

Foi o caso de Lucinda Araújo, considerando incorrecta a existência de uma rubrica de "diversos" com 32% das verbas, pedindo mais clareza neste procedimento, bem como no aumento de 100% na despesa com a segurança social.

Após lamentar a "má execução das obras na Av. Saraiva de Carvalho", pediu para consultar o processo da obra do Largo da Cabreira, e assinalou que a única obra concluída no ano findo (alargamento do cemitério) já tinha sido adjudicada no mandato anterior.

Estas interpelações mereceram comentários do presidente da Junta, passando em revista a actividade a obra executada em 2002 e referindo que o aumento das despesas com a segurança social se prendeu com um incremento de actividade.

VOTO DE PESAR

O falecimento de Paulino Carvalho, presidente da Junta de Cristelo, motivou um voto de pesar aprovado por todos os presentes, levando Delfim Moreira a realçar a sua prestação como campeão pelo Sporting Club Caminhense.

Tal comentário serviu de pretexto a Víctor Cordeiro para lembrar a necessidade de erguer uma obra de arte que simbolize a importância do remo no contexto da vila e do próprio país, uma lacuna que a sede do concelho ainda não conseguiu colmatar.

Este documento viria a ser aprovado por quatro delegados social-democratas e pela CDU, e com abstenções socialistas.

AV. SARAIVA DE CARVALHO EM FOCO

No capítulo reservado ao público, José Araújo pediu explicações sobre a inclusão de remos nos símbolos heráldicos da vila e a forma como vai ser pago o asfaltamento dos já aludidos 50 metros da Av. Saraiva de Carvalho.

A questão do brasão da vila levou a que Carlos Mouteira assegurasse que não tinha cobrado qualquer verba pela sua execução, embora o trabalho tivesse sido encomendado no mandato anterior, em que não era autarca.

Esta intervenção surgiu na sequência de um aparte do filho do próprio presidente, face aos boatos existentes e dos quais Carlos Mouteiro não tinha conhecimento.

PONTE MERECE REFLEXÃO

Outro dos intervenientes no espaço reservado aos moradores, Fernando Lima, criticou o facto de o programa Finisterra lançado recentemente pelo Ministério do Ambiente, não abarcar a área de Caminha, terminando em Moledo. No entanto, Júlia Paula, presidente da Câmara Municipal de Caminha, confirmou ao C@2000 que o referido programa abrange o Estuário do

Minho, sendo prova disso, a recente abertura da consulta pública da obra de desassoreamento do canal de navegação do cais dos pescadores de Caminha.

Solidarizou-se com o voto de pesar para com Paulino Carvalho e pretendeu obter informações acerca da ausência de convite à população aquando da visita de Fraga Iribarne a Caminha.

O tema da ponte mereceu-lhe alguma reflexão, parecendo-lhe prematuro determinar com exactidão qual acabará por ser o posicionamento definitivo de Espanha quanto à construção de uma ponte entre Caminha e A Guarda.

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