"O público ficou muito incomodado com o espectáculo, porque ele é duro", referiu-nos Carla Magalhães, da companhia de teatro Krisálida, que estreou neste final de mês a peça "Caldo Verde", abordando o problema da violência doméstica, no cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora e no Cineteatro Valadares em Caminha.
Carla Magalhães admitiu ao C@2000 que pretendiam precisamente que o espectáculo "mexesse com as pessoas, porque não é um tema fácil".
Referiu que a própria dimensão das duas salas de espectáculo interfere no comportamento do público, dando como exemplo a atitude dos assistentes do Valadares, um espaço mais pequeno, "mais próximo das pessoas" em que os assistentes se mantiveram num "silêncio incomodativo".
O espectáculo gira à volta do ambiente no interior de uma casa qualquer no Minho rural, em que coabitam um homem e duas mulheres, concentrados a fazer um caldo verde que acaba por dar o nome à peça, peça esta, curiosamente, de um autor alentejano, embora esta sopa tenha mais a ver com o norte do que com essa região, refira-se a título de curiosidade.
Como é seu timbre, a Krisálida pretende levar este seu trabalho cénico ao máximo de freguesias e concelhos, mas a falta de condições de muitas salas neste período pandémico, limita essa vontade, além de estarem dependentes das medidas que venham a ser tomadas pelo Governo até ao Natal, embora seja seu desejo manter a actividade, como o comprova a estreia desta primeira peça em 2020, ano fortemente condicionado pelas razões sobejamente conhecidas.
Há esperança de poder retomar a programação normal a partir de Janeiro, mas factores externos condicionam-na, como poderá suceder já em princípios de Dezembro com a "Maluga - Teatro luso-galaico de Fantoches e Marionetas", previsto para o primeiro fim-de-semana desse mês.