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Primeira peça produzida da companhia após a pandemia

Krisálida ‘leva’ ao palco “Caldo Verde” para provocar reflexão sobre violência

A companhia de teatro Krisálida quer, através da peça “Caldo Verde”, que estreia a 23 de outubro em Vila Praia de Âncora, provocar uma reflexão sobre as várias formas de violência, nomeadamente a doméstica, que representa metade dos homicídios em Portugal.

Da autoria de Rui Ramos, com encenação de Nuno j. Loureiro e interpretação de Carla Magalhães, Joana Vilar e Romeu Anjos Pereira, trata-se do primeiro trabalho preparado pela companhia, com sede em Caminha, após o confinamento provocado pela pandemia de covid19, que marca o arranque da temporada com um tema que, como dizia S. Mello Breyner, “vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”.

“Este espetáculo propõe uma reflexão sobre a legitimidade ou limites da violência num contexto rural partindo das ideias transversais de alienação e opressão e, sobre a necessidade de a enfrentar com vista à libertação”, explica Nuno J. Loureiro.

A peça, que aborda uma realidade tantas vezes encoberta, sobe ao palco do Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora nos dias 23 e 24 de outubro e do Teatro Municipal Valadares, em Caminha a 30 e 31, e narra a história de duas mulheres e um homem que habitam a mesma casa, perdida algures no Minho profundo, na qual partilham o dia-a-dia, os filhos e as dificuldades.

Ele, à noite, escolhe com qual das duas vai dormir. A peça encontra as duas mulheres num momento de viragem: algo aconteceu na noite anterior que perturbou aquela estranha harmonia. Enquanto preparam o jantar, caldo verde, é revelado um plano secreto. Um trabalho em que a violência, nomeadamente a que acontece longe dos olhares da sociedade, está muito presente.

“Mas porquê falar de violência? Mais do que nunca, urge falar sobre a violência. Desde a violência doméstica, agudizada pela pandemia, a banalização da violência verbal, a violência nas relações sociais com o aumento do discurso de ódio, que por sua vez prolifera nas redes sociais, e muitas outras formas de violência se tornaram tão habituais ao ponto de se tornar difícil identificar como violência”, defende o encenador.

Dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) indicam que dos 88 homicídios registados em Portugal em 2019, quase metade (41) aconteceu em contexto de violência doméstica. Só este ano, até agosto, 10 mulheres morreram em contexto de violência doméstica no país.

De acordo com o último relatório anual da APAV, o total de crimes e outras formas de violência assinalados ultrapassou em 2019 a faixa dos 29 mil, tendo-se registado um aumento de cerca de 40% do total face a 2018.

Este é, assim, um espetáculo sobre a legitimação da violência pela sociedade e um contributo para a reflexão que é assumido pela Krisálida, como explica Carla Magalhães, a diretora artística da companhia.

“Utilizar o teatro como ferramenta de trabalho para despoletar o pensamento crítico e o debate de problemáticas sociais sempre foi objetivo da Krisálida nas suas criações. Por isso, olhamos para uma problemática que gostaríamos de debater, dar a conhecer ou sensibilizar e propomonos a trabalhar artisticamente sobre ela. É o caso deste espetáculo ‘Caldo Verde’ que, partindo deste nosso objetivo, nos permite olhar para a problemática da violência, como forma de provocar a reflexão de uma temática que nos diz respeito a todos”, assume.

A KRISÁLIDA é uma companhia profissional de teatro que está sediada em Caminha desde o ano 2014 com o objetivo estrutural de fomentar o interesse pela cultura em geral e pelo teatro em particular, através de uma estratégia assente na estreita relação com as comunidades locais, procurando descentralizar e democratizar o acesso ao teatro para todos. Com esse propósito, a Krisálida cria espetáculos de teatro que possam chegar a espaços não convencionais e ser apresentados nos mais diversos locais, com qualidade estética e artística e que falam sobre assuntos importantes e pertinentes, que nos movem como cidadãos e artistas. A companhia cria ainda espetáculos com um cariz pedagógico para circular pelas escolas, desenvolve oficinas de teatro para crianças, jovens e adultos e promove uma mostra regular de teatro de marionetas, a MALUGA -Festa da Marioneta Luso Galaica. Acolhe desde 2015, no Teatro Municipal Valadares em Caminha, companhias de teatro nacionais e internacionais e desde 2017, também no Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora.



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