Numa fase em que as medidas de combate à propagação do Corona Vírus se intensificam, as juntas de freguesia do concelho de Caminha manifestam a sua opinião sobre a reacção das suas populações a esta situação e revelam medidas tomadas a vários níveis.
Os depoimentos recolhidos junto de alguns dos autarcas, espelham o retrato das suas comunidades nestes dias de angústia mas também de determinação em ultrapassar estes momentos difíceis que nos calhou viver.
Caminha/Vilarelho
Em Caminha/Vilarelho, a Junta de Freguesia decidiu encerrar esta semana os seus serviços administrativos, colocando um aviso na entrada das suas instalações com contactos necessários a utilizar pelos fregueses em caso de urgência. Apontou como exemplo os documentos que a junta emite para que os reformados possam realizar a sua prova de vida, podendo para o efeito todos os interessados solicitá-los, garantindo a autarquia que os entregarão pessoalmente nos seus domicílios, a par de outros apoios que necessitem, através destes contactos.
Miguel Gonçalves, presidente da autarquia, louvou "o comportamento exemplar" da população da sua freguesia, cumprindo as recomendações das autoridades públicas, mesmo antes das medidas obrigatórias tomadas.
O presidente da Junta de Freguesia da sede do concelho louvou a entrega de todos os que se encontram envolvidos no apoio à população na prevenção e combate à doença, sem excluir ninguém, referindo ainda que tem estabelecido contactos com o presidente da Assembleia de Freguesia e delegados da oposição neste órgão autárquico, dando conta das medidas a tomar e recolhendo as suas opiniões.
Por último, Miguel Gonçalves apela à calma da população e ao cumprimento das recomendações das entidades de saúde.
Riba d'Âncora
Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia, admitiu que está "tudo normal e tranquilo" em Riba d'Âncora, e mesmo antes de serem decretadas as medidas de prevenção e de excepção já as estavam a cumprir.
Referiu-nos que as instalações da Junta se encontram encerradas, mas tinham procedido à distribuição prévia por todas as caixas de correio de um prospecto em que informavam dessa decisão profiláctica e pediam à população que em caso de necessitar de alguma diligência da parte do seu Executivo, deveriam depositar o pedido na sede da autarquia e informando de seguida a autarquia ribancorense dessa diligência. Logo que a Junta atenda às solicitações dos moradores, nomeadamente em termos de pedidos de documentação e outros, procederá à sua entrega pessoal aos interessados.
Assinalou ainda que a população continua em "serviços mínimos" e os agricultores prosseguem as suas fainas diárias, embora com o recolhimento e cuidados exigíveis à situação actual.
Vila Praia de Âncora
Calma, responsabilidade e aceitação das recomendações das autoridades de saúde e do Governo, é a atitude da comunidade ancorense, revelou-nos Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia, na esperança de que "isto não nos atinja", como já sucedeu "infelizmente" noutros municípios portugueses, acentuou.
Em Vila Praia de Âncora há muitos comércios, cafés e restaurantes encerrados e a generalidade das obras públicas e privadas estão paralisadas dando como exemplo a instalação de um colector de águas pluviais na Rua 5 de Outubro.
Deu também como exemplo a vontade de iniciar a obra de ampliação do cemitério (o qual vai encerrar a partir de Segunda-feira, abrindo apenas para funerais, informou-nos), mas que terá de ser adiada atendendo a que o empreiteiro a quem foi adjudicada a obra deixou de laborar.
Quem se encontra igualmente encerrada é a sede da Junta de Freguesia, podendo os moradores contactar os membros da autarquia em "caso de necessidade", prosseguiu.
Carlos Castro informou-nos ainda que adquiriram material de higiene e protecção a fim de o distribuir pelos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, GNR, lares e demais IPSS desta vila.
Lanhelas
"Serenidade", é a informação que nos chega de Lanhelas, uma freguesia em que as pessoas cingem o seu dia-dia ao estritamente necessário, comprando pão e demais bens alimentares nas três mercearias existentes, no talho e peixaria, revelou-nos Josefina Covinha, presidente da Junta, e preenchendo parte do seu tempo nas hortas e jardins.
A sede da autarquia, a exemplo de outras juntas, encontrar-se-á encerrada a partir da próxima semana, tendo sido colocado um aviso na porta informando desta decisão e indicando os contactos em caso de necessidade.
A autarca lanhelense vincou que se encontram "em contacto permanente" com os serviços sociais camarários, no caso de ser necessário apoiar os mais necessitados. Admitiu que a generalidade das pessoas idosas - geralmente mais carentes - de Lanhelas têm quem as apoie, mas podendo sempre recorrer aos préstimos da Junta.
Vilar de Mouros
Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, admitiu existir "muita preocupação e recato" entre a população vilarmourense, a par de acatar "as orientações a nível nacional".
Referiu-nos que as pessoas "estão em casa", só saindo para irem às compras ou ao multi-banco.
A exemplo das suas congéneres, também a Junta de Freguesia encerrou as suas instalações ao público, tendo afixado um edital em que davam conta da razão dessa decisão, e da forma como poderia ser contactada no intuito de "salvaguardar casos urgentes", o que já aconteceu, vincou.
Indicou os mais idosos como o extracto da população com mais carências, embora a prática totalidade possua apoio familiar.
Como medida de precaução, também o Centro de Dia foi fechado enquanto durar esta pandemia.
Argas de Baixo, Cima e S. João
Numa comunidade pequena, embora distribuída por um território proporcionalmente mais vasto, outrora distribuído por três freguesias, a vida decorre com "normalidade", referiu-nos Ventura Cunha, presidente da Junta de Freguesia de Arga de Baixo, Cima e S. João.
"Não há casos" assegurou, garantindo que a população se encontra informada das medidas de precaução que deve tomar, após a Câmara Municipal ter distribuídos folhetos informativos que chegaram às casas das pessoas, além da Junta de Freguesia ter afixado avisos nos locais habituais.
"As pessoas continuam a trabalhar no campo" e aguardam pelo evoluir da situação, seguindo o seu ritmo de vida bem mais pausado do que nos grandes centros populacionais.
Ventura Cunha referiu-nos que não há emigrantes a regressar, mas algumas pessoas a residir em Lisboa e arredores optaram por voltar para a sua terra natal, mas encontram-se "recatados", permanecendo em casa, cumprindo com as recomendações das autoridades de saúde.