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Moledo

Moradores vieram a reunião de Câmara expor as suas razões contrárias à manutenção do Sonic Blast no centro da freguesia

Contestação subiu de tom a partir de 9 de Setembro

"Em nome de muitas mais pessoas", Ana Lindade, natural e residente na Rua da Costa, em Moledo, foi a primeira moradora a manifestar as razões da sua desconformidade relativamente à localização do Festival Sonic Blast no parque infantil desta freguesia, no final da reunião camarária da primeira segunda-feira do mês, a qual permite a intervenção do público.

Acompanhada por mais alguns habitantes, Ana Lindade veio reafirmar o que já tinham exposto por duas vezes na Assembleia de Freguesia de Moledo, insistindo que "não somos contra o festival", mas discordam simplesmente da sua localização nesta artéria central da freguesia pelos incómodos que provoca, pedindo ao presidente da Câmara para que ficasse assinalado na respectiva acta da reunião a sua posição relativamente a este evento.

A moledense, a exemplo das suas intervenções nas assembleias de freguesia de Setembro e Dezembro, voltou a citar as razões da recusa à continuidade do Sonic Blast no centro da freguesia.

"Somos totalmente ignorados"

De entre algumas novidades trazidas por esta moradora, foi referido que os organizadores nunca tinham dialogado com eles, limitando-se a colocar nas suas caixas de correio os livres-trânsito para que pudessem circular no meio de um trânsito que se tornava "caótico".

Assinalou que no início, o festival "era quase uma brincadeira", mas, prosseguiu, "agora é diferente", porque "isto cresceu demais" explicou, e, "dias antes, já estou no festival" e, "no dia seguinte temos que ir trabalhar" sem que tivessem podido descansar, lamentou.

Esta moradora perguntou pelas licenças eventualmente emitidas para que o festival se realizasse e pelas isenções praticadas, após o que negou que ele tivesse trazido vantagens para o comércio local. Na sua opinião, "ele é o mesmo há 10 anos", a par de referir que os festivaleiros "não vieram cá para investir".

Passou seguidamente a citar os passos dados na contestação ao local, desde que a 9 de Setembro reuniram com o presidente da Câmara e lhe entregaram um abaixo-assinado contendo 80 assinaturas, após o que pediu ao presidente da Câmara que se pronunciasse sobre este polémico assunto que tem gerado forte discussão nas redes sociais, situação que o autarca não apreciou pelas mentiras que têm feito passar, precisou.

O autarca, depois de comentar as queixas da moradora que "está a dizer tudo muito bem", assinalou, optou por deixar que outros moledenses se pronunciassem antes de dar a sua versão desta sequência de contactos e reuniões que se têm desencadeado desde inícios de Setembro.

Uma moradora, perguntou se "aos 85 anos não posso dormir descansada?" e denunciou que lhe roubam as toalhas que deixa a secar, ao passo que outro vincou que os seus patrões abandonam Moledo durante o tempo do festival, insistindo que não pretendem que ele acabe, mas somente que mude de local.

"Parece que somos os maus da fita"

Um quarto habitante de Moledo lamentou que se estivesse a insinuar que "parece que somos os maus da fita", quando o festival começou há oito anos mas, sempre lhes disseram que iam mudar de local.

Abordou a eventual mudança para o Camarido Velho (hipótese abortada, tal como a da Mata da Gelfa, conforme assinalamos através de um avanço informativo do dia 3 deste mês) e chamou desde logo a atenção para a discordância já patenteada pelo proprietário de uma alojamento turístico existente em Cristelo.

No seu entender, a Câmara já os deveria ter libertado deste "frisson"e precisou que não pretendiam ir mais além, mas, "estamos cá", avisou.

Câmara elogiou atitude dos moradores

Para Miguel Alves, a prática esmagadora maioria dos moradores que contestaram a localização é conhecida sua, atendendo a que viveu desde criança nesta freguesia, afirmou, e saudou a decisão de terem vindo a uma reunião de câmara expor os seus argumentos, "o que não é assim tão comum", lamentou.

"Relativizadas" queixas do passado

O presidente do Município admitiu que tinham "relativizado" as queixas existentes ao longo destes anos, provenientes na sua generalidade de pessoas com segunda casa em Moledo, embora tivessem consciência que haveria que mudar. Adiantou alguns apoios concedidos ao evento, nomeadamente 12.000€ de subsídio, mais pagamento de WCs e ambulância para o parque de campismo a funcionar a sul do Camarido, um local que poderia trazer problemas, admitiu, por risco de incêndio devido a uma eventual negligência ou descuido de um campista.

"Novidade"

Prosseguindo a sua explanação, Miguel Alves anotou que tinha agora surgido uma alteração ("novidade") na contestação à localização do festival, aparecendo os próprios moledenses a pronunciarem-se de uma forma organizada, levando-o a reunir com a Junta, ICNF e organizadores a fim de encontrar alternativas, tendo chegado finalmente à conclusão no dia 30 de Janeiro que seria impossível haver um consenso com os promotores, ao recusarem as três hipóteses (duas no Camarido Velho e outra na Gelfa e que recolhia parecer favorável do presidente da Junta de Âncora). Segundo revelou ainda Miguel Alves, os organizadores chegaram a propor uma alternativa numa urbanização junto à Capela d'Ao Pé da Cruz, o que não resolveria o problema, assegurou.

Assim, o Sonic Blast chegou ao fim em Moledo, devendo ser anunciada para breve uma alternativa noutro ponto do país.


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