O Shell/8 do Sporting Club Caminhense voltou a repetir o êxito de há uma semana e cortou a meta em primeiro lugar com cerca de dois barcos de avanço sobre o Viana Remadores do Lima, na edição deste ano da Taça Presidente da República que voltou a realizar-se em águas do Rio Minho.
Com um tempo algo instável, quatro tripulações apresentaram-se na linha de largada, entre o Cais da Mota e as Pesqueiras de Lanhelas, para disputar esta prova de Fundo que terminou junto ao Posto Náutico do SCCaminhense.
O Viana Remadores do Lima largou com uma ligeira vantagem sobre o clube verde e branco, mas aos 200 metros o SCC já tinha conseguido anular essa distância, impondo-se a partir daí até final, pese embora a boa réplica dos remadores vianenses.
A equipa B do Viana e uma tripulação júnior do Infante D. Henrique classificaram-se nos lugares seguintes. O grande ausente desta regata foi o Fluvial Portuense, actual campeão nacional, e que na prova do Troféu Miño Internacional ficou a 15" do SCCaminhense.
A tripulação de Veteranos do SCC foi obrigada a abandonar a competição em S. Sebastião, Seixas - um dos pontos críticos do rio quando o tempo não é o mais favorável -, quando se dirigia para a partida, devido à entrada de água. O Caminhense apresentou ainda um quadril-scull feminino que não atingiu o pódio, prova esta ganha pelo Viana Remadores do Lima.
Dentro de quinze dias realiza-se uma regata de Fundo em Viana do Castelo, em que a tripulação (Shell/8) vencedora terá como prémio participar numa regata internacional na Holanda.
"Ganhar é sempre bom"
O vilarmourense José Vau rema há quatro anos e regressou esta época ao clube onde se formou como remador. Comandou o grupo de proas da embarcação vencedora, e assegurou ao C@2000 que "este ano, o Caminhense dispõe de uma equipa de Oito sénior para poder disputar tudo", em que o objectivo principal será o Nacional de Velocidade, mas, entretanto, dentro de algumas semanas terão o Nacional de Fundo que pretendem vencer, a par da próxima prova no Rio Lima.
Casco do Caminhense é inferior aos dos adversários
Considerou ter sido importante conquistar as três primeiras provas da época, embora a que se disputou no Rio Douro "tivesse sido diferente, em que não tivemos adversários porque o principal rival foi ao fundo". Quanto às duas provas seguintes (Troféu Minho e Taça Presidente da República), houve muita disputa com o Fluvial e o Viana, destacando a prestação deste último que "se mantiveram dois quilómetros ao nosso lado e possuem um casco muito bom, o que não acontece com o nosso, em que tivemos muita água no barco e ficou muito pesado, mas veio ao de cima a nossa preparação física".
José Vau admitiu que "o Viana Remadores do Lima partiu bem, o que não nos surpreendeu porque são também uma tripulação forte", dando forte réplica e ainda chegou a haver um tocar de remos "que não podemos evitar" e só a partir dessa distância é que passaram a comandar definitivamente a prova, "gerindo a distância porque não podíamos aumentar muito a cadência, sob pena de enchermos o barco com mais água".
"Esta prova parece que está condenada", lamentou este atleta, porque, "basta escolher o dia da prova e já sabemos que vai estar mau tempo", mas concordou que foi uma decisão acertada realizar a regata, porque é sempre difícil encontrar uma nova data e com o aproximar do Nacional de Fundo "fica complicado".
Chegar ao fim com o barco cheio de água
Apesar da dureza da prova e com muita água no barco, foi possível concluir o percurso.
"Força, vontade de treinar e melhorar"
Como resultado destes triunfos, a tripulação de Shelle/8 parte confiante para os próximos confrontos, precisando José Vau que "estamos a melhorar de treino para treino, mercê da existência de um grupo forte que estava ligeiramente desunido em termos de formas de remar, porque quatro atletas não estavam cá na época passada e o bloco de quatro remadores que remavam aqui tinha vencido o 4- Fundo, o que nos leva a conseguir agora um bloco de oito atletas".
Admite não ser fácil assimilar num único conjunto "quatro remadores mais quatro", mas "força, vontade de treinar e melhorar há muita e estamos confiantes que chegaremos à regata de Viana do Castelo com melhor preparação para ganharmos".
O bom arranque do Sporting Club Caminhense no início da época desportiva de remo de 2019/20, cria expectativas positivas, embora as regatas de fundo como as que se têm desenrolado sejam diferentes das de velocidade.
Se a vitória na Regata de Natal, no rio Douro, não forneceu grandes indicadores, atendendo às condições climatéricas adversas que impediram embarcações de chegar ao fim, já o primeiro lugar do Shell/8 há uma semana revela uma mudança a vários níveis positiva que o tempo se encarregará de confirmar, como acontecerá já hoje (1/Fev), novamente no Rio Minho, na Taça Presidente da República, embora numa distância algo inferior à regata de final de Janeiro.
"No meu interior contava com esta vitória"
João Santos ("Mami", para quem anda familiarizado com o mundo do remo) é o novo treinador do Sporting Club Caminhense que parte para esta época com o objectivo de devolver o clube ao topo do remo nacional, e em que os títulos nacionais em Shell/8 são os mais desejados pelos remadores e massa adepta.
No final da prova, em Tuy, confidenciou-nos que "no meu interior contava com esta vitória", embora não estivessem totalmente confiantes porque "estávamos com medo do campeão nacional em título e que é o Fluvial, mas dentro de mim e da própria equipa, todos sentíamos que poderíamos ganhar".
Confirmou-nos que "com este resultado, toda gente vai ficar mais confiante e com mais vontade de fazer mais e melhor", mas, advertiu, "vamos ver até onde podemos ir".
O novo teste é já hoje (Sábado, 1 de Fevereiro), "em que remamos em casa e tentaremos conquistar a Taça Presidente da República para o nosso clube".
Regresso ao clube de origem
Explicou-nos que a composição deste Oito integra remadores que regressaram ao clube (Bruno Calçada, o Covinha, o Samuel e o Renato), e tendo como base o Shell/4- do ano passado, atletas "muito experientes e que sabem como se faz e isso é meio caminho andado para pôr a equipa a andar bem", embora se preveja que o Renato possa sair porque vai emigrar.
Apesar deste contentamento inicial, João Santos sabe que há ainda que fazer muitos quilómetros e, acrescentou, "como em todos os clubes, há problemas e há que resolvê-los".
"Caminhense reforçado com o pessoal da terra"
Tiago Covinha foi um dos que voltou a envergar as cores verde e branca do Sporting Club Caminhense e, no final da prova, antes de se preparar para desarmar o barco, como é rotina, confessou-nos que "foi difícil" esta vitória, porque "ficamos atrás na largada e andamos uns mil e tal metros nessa posição", embora não fosse uma distância significativa, até que "conseguimos apanhá-los (Fluvial Portuense) quase a meio da prova - em frente do Segadanense -, chegando a bater, e a partir daí foi remada a remada, impondo a nossa superioridade física e conseguimos a vitória que era o que desejávamos".
Tal como nos declarou o seu técnico, este remador lanhelense revelou que "estávamos num impasse" quanto às possibilidades de vitória "folgada ou ganhar sem ser tão folgados", mas reforçou que "correu bem e temos equipa para andar para a frente".
Tiago Covinha, como um sorriso nos lábios, destacou o facto de o Shell/8 ter sido reforçado "com o pessoal da terra e cá estamos", mostrando-se disposto a repetir o êxito na prova de hoje (1/Fevereiro), embora "seja mais curta e não podemos deixá-los fugir tanto".
"O nosso barco, se não era o mais velho, era dos mais antigos"
No que este remador não está muito confiante é no barco que têm à sua disposição, "e já podia vir uma embarcaçãozinha nova", lançou a escada - tal como o presidente do Clube já sugerira no decorrer da sessão de entrega de faixas de campeão nacional da época transacta -, dando como exemplo o que se passou na largada desta prova do Troféu Miño, em que "reparei que de todas as oito embarcações que estavam a alinhar, o nosso barco, se não era o mais velho, era dos mais antigos", lamentou.
4XF
4XH Junior
8 Sénior
8+H Veterano
8+H