O Partido Socialista perguntou à Junta de Freguesia na última reunião da Assembleia de Freguesia (AF) quem tinha autorizado a obra de ampliação do cemitério, porque a Câmara Municipal não a tinha licenciado, recordou o delegado Manuel Luís Martins, tendo ainda solicitado ao Executivo local que lhe facultasse toda a documentação relacionada com o alargamento, atendendo ainda a que dos 260.000€ previstos gastar com esta obra, apenas constavam 150.000€ para este ano no Orçamento que viria a ser aprovado por unanimidade, embora o PS tenha apresentado uma declaração de voto, justificando a sua postura favorável, pelo facto de o Plano e Orçamento não apresentarem nada penalizador para Vila Praia de Âncora.
"Deixamos a Câmara ao lado"
"Não precisamos de autorização da Câmara", atalhou Carlos Castro, após o que criticou as voltas e o atraso que o processo de ampliação do cemitério registou no serviços camarários (incluindo a reformulação do projecto em que gastaram mais dinheiro, mas que acabou por ser rejeitado, precisou o autarca), o que levou a autarquia ancorense a dirigir-se directamente à Comissão de Coordenação da Região Norte e ao Delegado de Saúde Viana do Castelo, a quem competiria deferir, disse, conseguindo rapidamente a respectiva luz verde, frisou o presidente da Junta.
Comentando a diminuição de verba para esta empreitada e respondendo a uma justificação antecipada por Manuel Marques, presidente da AF (que referira a eventual descida de valores com a compra do terreno (35.000€) e construção de um muro (35.000€), o que perfez 70.000€), o presidente da Junta confirmou estes números e apontou para um custo total da obra de 225.000€. As explicações da Junta de Freguesia não convenceram o delegado socialista. É intenção da Junta iniciar os trabalhos já no próximo mês de Fevereiro, mas Castro insistiu que irão pedir um apoio de 50.000€ à Câmara Municipal, atendendo a que também pretendem realizar melhorias no actual cemitério.
"E o dinheiro do Orçamento Participativo?"
A Junta de Freguesia incluiu no seu Plano de Actividades uma intervenção no Monte Calvário, o que levou o delegado Manuel Luís Martins a pedir informações sobre o que pretendem aí fazer e a perguntar sobre o destino do dinheiro (60.000€) aprovado em sede do Orçamento Participativo.
A este pedido de esclarecimento, Carlos Castro não hesitou em dizer que "o Orçamento Participativo foi uma farsa da Câmara Municipal de Caminha", porque já sabia que não tinha dinheiro antes das eleições, o que a levou a suspender as entregas de verbas referentes às propostas aprovadas pelos munícipes e a dar prosseguimento a este projecto.
Apesar deste percalço, a Junta de Freguesia assegura que irá intervir numa parte do monte e lançou mais umas farpas ao Município.
Carlos Castro precisou que da verba (60.000€) aprovada de igual modo em sede de Orçamento Participativo com destino à recuperação da envolvência do Dólmen da Barrosa, apenas tinham gasto 20.000€, ao passo que no Cais dos Pescadores de Caminha, nada tinham investido das verbas destinadas a esse fim no O.P.
Escola de Vilarinho ainda em debate
A adaptação de parte da antiga Escola Primária de Vilarinho para um Centro de Ocupação Temporária aguarda por comparticipação do Estado, precisou o delegado Manuel Luís nesta reunião, no que foi corroborado por Manuel Marques. Já Carlos Castro recordou que tinham sido prometidas obras neste edifício para 2008, mas nada sucedera até agora.
Portinho sempre na calha
Rara é a assembleia ancorense em que o tema do Portinho não venha à baila.
O delegado Manuel Luís insistiu no período destinado à discussão do Plano e Orçamento/2020 (acusou a Junta de não ter cumprido com o estatuto da oposição, ao não os ter consultado previamente sobre eventuais sugestões a introduzir nos documentos), na necessidade de possibilitar a navegabilidade do Portinho devido ao assoreamento, um processo de rectificação do porto que deverá ser articulado entre Câmara e Associação de Pescadores.
"Melhorou muito pouco"
A sua chamada de atenção suscitou resposta de Manuel Marques, presidente da AF, referindo a "maior importância" da pesca para esta freguesia, nomeadamente para a restauração e, prosseguiu, "se perdemos os pescadores estamos feitos".
Este antigo presidente de Junta insistiu que a navegabilidade do Portinho "melhorou muito pouco" com a obra realizada há 15 anos e que com os dois milhões de euros já gastos com a extracção de inertes do seu interior e despejados nos Caldeirões, já poderiam ter rectificado o molhe norte. Em tom satírico, disse que o "LNEC está muito cansado de estudar o Portinho", mas vincou a necessidade de continuar a "exigir e lutar" para que resolvam a deficiência de construção inicial.
Nesta zona marítima, a falta de iluminação pública junto ao Forte da Lagarteira foi objecto de comentários da parte de Manuel Marques, e Manuel Luís Martins pediu exposições permanentes nas cinco salas desta fortaleza.
Limpeza da praia, WC e apoios à náutica
A falta de limpeza da praia nesta época do ano foi objecto de debate nesta sessão, após o delegado José Vieira ter chamado a atenção para o seu estado (assunto analisado na reunião camarária de princípio deste mês) e para a instalação de casas de banho públicas a norte. Manuel Luís assinalou que existem "excelentes balneários" na nova infra-estrutura do Portinho, o problema é que se encontram encerradas, lamentou.
Carlos Castro recordou ainda a necessidade de criar apoios aos desportos náuticos neste ponto do litoral, tal como tinha sugerido igualmente o delegado socialista.
Passagem desnivelada na Trav. do Teatro
Duas obras ansiadas pela população ancorense são a passagem inferior à linha do caminho-de-ferro e a nova sede do Etnográfico na Escola de Vilarinho. A delegada social-democrata Vera Rei pediu informações sobre estes trabalhos, e Carlos Castro atribuiu a paralização a um "jogo político", dado que tinham colocado "uma máquina com um braço ao alto" antes das eleições legislativas, mas "já desapareceu tudo" e nada foi feito a partir de então. Na previsão deste político local, a inauguração desta passagem desnivelada ocorrerá dentro de dois anos, quando se realizarem as eleições autárquicas.
Adaptação da Escola de Vilarinho "para daqui a dois anos"
Em relação à escola de Vilarinho, Carlos Castro considerou ter sido "uma vergonha", porque foram lá com uma máquina antes das eleições. Contudo, assinalou, os dois empreiteiros (de Riba d'Ancora e Âncora) não ficaram com essa obra, razão pela qual nada lhe espantaria que "seja inaugurada daqui a dois anos", exclamou ironicamente.
O estado do viaduto da Cruz Velha mereceu de igual modo alguma reflexão nesta assembleia.
Rua de Vales gerou discussão
A obra da Rua de Vales continua por concluir e Manuel Luís Martins aconselhou a Junta a retirar a verba de 1.500€ inscrita no Plano de 2020, porque a Câmara possuía um projecto para tal fim. Mas a obra não arrancou "até hoje", retorquiu o presidente da Junta.
A introdução deste assunto na discussão suscitou troca de palavras, com o delegado social-democrata José Vieira a assegurar que a obra não tinha avançado no tempo em que tinha estado na Junta porque uma pessoa tinha exigido dinheiro por um terreno.
Aproveitando a discussão do Plano de Actividades e Orçamento, Manuel Luís elencou uma série de rubricas contidas nos documentos, a par de outras já referidas.
Carrinha é consensual
Concordou com a aquisição de uma carrinha destinada ao transporte escolar, porque, precisou, "mais cedo ou mais tarde" teriam de cumprir com este requisito. No entanto, Carlos Castro precisou que os transportes escolares são uma competência da Câmara Municipal e ser necessário estabelecer um protocolo com o Município a fim de assegurar o pagamento a um condutor e acompanhante.
Sugeriu a criação de um gabinete de apoio ao idoso com a finalidade de realizar um levantamento das suas necessidades e considerou correcto que tivessem inserido a conclusão da obra na Rua do Paraíso no plano deste ano, mas não gostou da ausência de verbas a aplicar nas florestas e agricultura. Lamentou ainda que a Junta não pretenda constituir-se como parceira da Câmara na rede social.
"Onde cabe lá tudo"
Este eleito pelo PS evidenciou estranheza pela existência de uma verba de 30.000€ na rubrica "outros serviços", classificando-a como "um saco azul onde cabe lá tudo", bem como outra referente a "construções diversas" no montante de 221.000€.
O estado de alguns pisos mereceu um reparo de José Vieira, dando como exemplos as ruas Padre Lima e Sol Posto, destacando que neste último caso, o pavimento encontrava-se em mau estado há cinco meses. Segundo explicou o líder do Executivo ancorense, na Rua do Padre Lima será necessária uma "repavimentação a quente" com o propósito de reparar os buracos das ligações da rede de águas a domicílios e, quanto ao segundo, tratou-se de uma ligação do gás natural, mas como foi encontrada muita pedra, "ficou a meio", tendo apenas colocado um pouco de alcatrão, segundo lhe dissera o responsável pela empresa.
Trânsito ainda não resolvido
Como a prática totalidade da vila é passada a pente fino nestas reuniões, Tiago Castro assinalou um problema de trânsito e estacionamento na Trav. 5 de Outubro , porque os moradores eram obrigados a dar uma volta enorme para percorrer um trajecto de 20 metros, uma situação que se agrava nos dias de feira na Rua de Gontinhães, assinalou Carlos Castro, tema que mereceu troca de palavras com um morador presente na assembleia.
O problema da luz pública levantou igualmente alguma discussão nesta assembleia, a par da entrada em funcionamento da nova empresa de águas, temendo a social-democrata Vera Araújo que o preço deste bem de consumo volte a disparar. Referente à luz pública, Carlos Castro acusou a Câmara de não querer colaborar na colocação de luzes na ponte pedonal da praia, porque, insistiu, o Município "não quer que Vila Praia de Âncora singre".
Dia da Comunidade encaminha-se para o 8 de Julho
"Há Dia da Comunidade Ancorense em 2020 ou não?", interpelou Hugo Martins a Junta de Freguesia, outro morador a marcar presença nesta AF e que colocou uma série de questão, além desta.
"Já temos Dia da Comunidade", respondeu Manuel Marques, presidente da AF, "só falta que seja melhor organizada e participada", completou, para concretizar que o Dia 8 de Julho poderia ser a data mais consensual. Carlos Castro atalhou, dizendo que gostaria que arrancasse quando fosse celebrado o centésimo aniversário do 8 de Julho (elevação a vila), dentro de quatro anos.
Esse morador chamou a atenção para a permanência de uma "miniatura" na Pr. da República (retirada no passado dia 16), o que considerou errado, e lamentou a existência de manchas de óleo numa laje onde se situa uma esplanada da Av. Ramos Pereira.
Plano de promoção turística e conselho social
Hugo Martins frisou que a obra da Sandia não tinha parado e vincou que o que se tinha feito na Festa da Flor tinha sido "bem conseguido".
Sugeriu a elaboração de um plano de promoção turística para Vila Praia de Âncora e criação de um conselho social. Criticou a colocação de uma rampa em cima de uma sarjeta na Av. do Centro Cívico, bem como a colocação de uma placa sinalética indicando Viana do Castelo, num terreno particular (o terreno vendido já estava em nome da Junta, assinalou o seu presidente, a propósito).
Estas sugestões e críticas mereceram apreciação de Carlos Castro, referindo que a miniatura seria desmontada aquando da retirada do presépio (sucedeu efectivamente a 16 de Janeiro). Em relação à esplanada, disse que ninguém os tinha consultado a pedir parecer.
Recordou que no campo social já existia colaboração "estreita" com a Comissão Vicentina, e que já estavam a avançar com a colocação de placas com os nomes das pesqueiras das Camboas.