No decorrer de uma jornada de convívio de remo que reuniu sete clubes portugueses e galegos no passado dia 20, no Rio Coura, Entre-Pontes, Pedro Fernandes, presidente do Sporting Club Caminhense, aceitou comentar os Campeonatos Nacionais de Velocidade realizados no primeiro fim-de-semana de Julho.
P: Como é que o SCCaminhense interpreta os resultados obtidos nos Campeonatos Nacionais de Velocidade deste ano?
R: Este ano os Campeonatos tiveram um figurino diferente, tendo isolado o Campeonato de Veteranos num fim-de-semana e os restantes escalões noutro, com o intuito de podermos realizar todas as finais no Domingo de manhã e evitar o vento que se tem feito sentir, mas que ultimamente tem variado. Quer prejudicando as pistas 5 e 6 ou as 1 e 2, mas voltou a acontecer o mesmo e nós já temos que contar como isso e trabalhar para que aconteça o que acontecer, estejamos no melhor momento de forma da época.
Em termos de camadas de formação - o que tem sido uma aposta nossa e creio que atingimos esses objectivos - um deles, era formarmos um skifista, quer masculino, quer feminino, para que no futuro possamos tê-los a representar o clube ao mais alto nível e as coisas estão a perfilar-se nesse sentido. Conseguimos conquistar os dois skiffs, masculino e feminino, com atletas da formação, a qual, creio que vai num excelente caminho. Cada vez temos mais atletas, contudo, é preciso termos algum tempo para que estes frutos se desenvolvam, amadureçam, para que mais tarde cheguem aos escalões juniores e seniores e que são o objectivo principal do clube, porque são esses que transportam o nome do clube mais longe.
Em termos de participação de seniores os nossos objectivos nos femininos foram atingidos (2- F) e correu tal como estava previsto, apesar e ter sido uma regata extremamente complicada desde o início até ao fim.
Em termos de masculinos, poderíamos ter optado pelo 4- e que já ganhávamos há cinco anos consecutivos, mas optamos por participar exclusivamente no Shell/8 sénior. Contudo, surgiram alguns problemas e, no final da época, para colmatar as situações menos agradáveis tivemos a lesão de uma atleta, não prevista, o que veio abalar a estrutura da equipa.
Efectivamente participamos com o nosso melhor Shell/8 possível naquele momento, dignificamos o clube, mas é claro que fica sempre aquele amargo na boca de querermos mais e esse é o objectivo. Não podemos baixar os braços, iremos continuar a trabalhar para que o Shell/8 seja conquistado já no próximo Campeonato Nacional.
A próxima época começou no dia a seguir ao Campeonato Nacional e estamos já a trabalhar com esse objectivo e vamos fazer com que as coisas corram melhor em todos os escalões, desde os Benjamins até aos Veteranos.
P: Então o resultado foi positivo ou ficou aquém do esperado?
R: Mediante tudo o que nos aconteceu, julgo que podemos premiar com um Nacional positivo. Aliás, nos miúdos, foi espectacular, a maioria foi ao pódio e o trabalho continuará a ser feito, sendo esse o nosso grande objectivo, criar uma base larga para depois termos no topo da pirâmide atletas de top.
Nos seniores, parte dos objectivos foram conseguidos. Temos de continuar a trabalhar sempre com esse afinco, com os olhares postos no posto mais alto do pódio.
P: Contudo, o SCCaminhense parte para a próxima época com algumas fragilidades: sem juniores e poucos seniores.
R: Para a próxima época, será o primeiro ano em que iremos ter juniores desta formação que estamos a começar a trabalhar. Serão os juvenis de segundo ano deste ano e, com o tempo, certamente que eles chegarão a seniores e o objectivo é continuarmos a trabalhar a termos mais seniores no clube.
P: Haverá mudanças na estrutura técnica para o próximo ano?
R: Para já está tudo em cima da mesa, ainda falta algum tempo para iniciarmos a época. O remo é ligeiramente diferente do futebol, não mexe tantos milhões e se mexesse, se calhar era mais fácil contratar os melhores ou os piores, mas, como disse, neste momento está tudo em análise e queremos começar a época a 1 de Setembro com uma estratégia e um objectivo definidos.
P: Esta época já acabou, portanto?
Sim. Temos ainda o circuito de mar mas o remo olímpico terminou hoje aqui com o Rowersfest e com um convívio de toda a gente, iniciando-se de seguida o circuito de remo de mar onde estaremos presentes.
P: O SCCaminhense precisa de mais barcos para os mais jovens ou os que possuem são suficientes?
R: Precisa, efectivamente. Neste momento a maior lacuna já não é a formação. Ainda na última semana conseguimos reformular o protocolo que temos com uma marca de barcos nacionais. Vamos ter até final do ano mais barcos para a formação e para a competição e o nosso objectivo será agora reformular a frota de alta competição.
P: Referimo-nos a barcos olímpicos e não de remo de mar.
R: Sim, os barcos de mar são mais do que suficientes, nem temos pretensão de adquirir mais nenhum porque resolvem o problema que temos com a formação, agora em termos de miúdos, fazem sempre falta skiffs, doubles e remos. Se investirmos em dois três barcos por ano para a formação nunca serão excessivos porque os miúdos aparecem cada vez mais em todas as épocas e com o protocolo estabelecido com a escola, este processo está muito mais facilitado, mas os miúdos não podem ser surpreendidos com o tanque e com os ergómetros, têm ser surpreendidos com o remo e com a água, porque o remo faz-se na água.
Apesar de já termos uma frota interessante, teremos que a reformular com dois quadris e dois doubles para a competição ainda antes de terminar este ano, e, depois, apostar seriamente nas embarcações para a alta competição a fim de dar resposta aos juniores e seniores.
P: Vão apostar fortemente no Shell/8 para a próxima época?
R: Temos que apostar muito forte no Shell/8 e no Shell/4-. Depois, no Nacional, veremos se a aposta foi certa ou não, mas estaremos sempre lá com a força máxima.