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António Lomba e Miguel Alves abordaram assuntos comuns aos dois municípios

A presença de Miguel Alves e António Lomba na sessão de apresentação da candidatura deste último à presidência da Câmara Municipal de A Guarda, permitiu abordar com ambos temas comuns aos dois povos.

A ligação transfronteiriça - tão badalada nos últimos tempos pelas iniciativas do PSD de Caminha, que tem a correr uma petição para que a Assembleia da República discuta o assunto -, foi um dos motivos para questionar os dois alcaides sobre o futuro do ferry, que, por coincidência, nessa ocasião, se encontrava imobilizado num estaleiro guardés para a revisão anual, e que ontem mesmo, Sexta-feira, retomou o seu funcionamento, conforme nos informou o concelho de A Guarda.

António Lomba reconheceu que "ainda estamos longe" uns dos outros, porque "a comunicação não é boa e creio que temos que ir por aí, através do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho (AECT Rio Minho), entidade jurídica que pode solicitar fundos europeus", a fim de criar uma alternativa ao ferry-boat.

O presidente do Município de A Guarda confirmou-nos que tanto ele como Miguel Alves concordam ser necessário realizar um estudo que defina a forma como "deve ser a comunicação do futuro (que tipo de estruturas)" entre as duas vilas, atendendo a que "o ferry está a esgotar-se".

Recordando-lhe que o partido português correspondente ao Partido Popular espanhol, o PSD, tem insistindo ultimamente na ligação por túnel ou ponte entre as duas margens do estuário do rio Minho, António Lomba atalhou, dizendo que "a primeira pessoa a falar do túnel, fui eu, numa reunião que decorreu em Viana do Castelo, tendo sido apresentada uma proposta aprovada por unanimidade, de melhoria da comunicação entre A Guarda e Caminha, após a realização de um estudo prévio, do qual poderia resultar um túnel, uma ponte ou um barco".

O alcaide de A Guarda acrescentou que falou deste assunto com a equipa técnica da AECT Rio Minho que "elabora a estratégia para o Rio Minho".

Precisou que crê possível "não um túnel cavado, mas sim um falso túnel pré-fabricado que se vai montando - uma estrutura que tem sido feita noutros pontos do mundo", recordou, sugerindo ainda a colaboração das universidades dos dois países com esta equipa técnica.

A questão meio ambiental deverá ser avaliada, complementou.

Insistindo na modernização das vias de comunicação, António Lomba acentuou que tanto ele como o presidente da Câmara de Caminha "temos as mesmas inquietações", não só neste domínio, como noutros.

"Não vamos enganar as pessoas"

A mesma questão foi colocada a Miguel Alves, tendo-nos confirmado que existe um projecto em comum que o AECT Rio Minho tem entre mãos há já meio ano, respeitante à "mobilidade dos dois lados do rio", uma vez que se "pretende avaliar uma possibilidade financeira entre 30/40 anos".

Acrescentou que a valorização dos passadiços ao longo das costas e dos portos de rio são outros dos projectos em carteira.

Reportando-se ao ferry-boat, confirmou que se encontra "estabilizada a responsabilidade de uns e outros, os proveitos de uns e outros", numa perspectiva de futuro entre forças "progressistas e vencedoras".

As iniciativas públicas do PSD na perspectiva de melhorar e tornar contínua a ligação (rodoviária) entre Caminha e A Guarda, mereceram um comentário do presidente da Câmara Municipal de Caminha.

Miguel Alves referiu que "desde o primeiro dia" que têm falado deste assunto, reforçando a necessidade de "estudar esta matéria para que se perceba o que é possível fazer, face às circunstâncias".

"Posso dizer-lhe que não vamos enganar as pessoas e andar de quatro em quatro anos, ou de dois em dois, a prometer pontes ou túneis miríficos, ou as duas ao mesmo tempo".

Manter a ligação por ferry-boat e estudar alternativas

Insistindo, acentuou que "temos mantido a ligação entre os dois lados, depois de em 2013 o ferry-boat ter já decretada a certidão de óbito pelo Executivo camarário de Caminha, mas conseguimos recuperá-lo e apesar das circunstâncias tem conseguido operar". Paralelamente, o ACET Rio Minho prepara um estudo ("bastante caro", assinalou) "feito por especialistas que vão avaliar o impacto financeiro, ambiental, mobilidade e transporte, e qual será o investimento que possa fazer sentido propor aos dois estados no estuário do Minho".

Reforçando as suas palavras, garantiu que é "nessa batalha que nós estamos, agora o que não estamos é para enganar as pessoas, a dizer que vem uma ponte agora, porque é preciso que existam muitas condições para se fazerem pontes e túneis, e pode até acontecer que não passe por nenhuma dessas condições", apontando para "um transporte que consiga ligar os dois lados do rio, mesmo com o assoreamento que nós temos".

Garantiu que será "isso que fazemos, com toda a tranquilidade e sem demagogia porque isto nunca trouxe nada de bom para as relações entre A Guarda e Caminha".

Parceria de acordo com as competências das duas Câmaras

Em termos gerais, Miguel Alves admite que têm sido estabelecidas parcerias com A Guarda, dando como exemplos "a valorização do Estuário do Minho" e realização dos "sendeiros" ou caminhadas nos dois lados do rio.

Estas "andainas" foram igualmente valorizadas por António Lomba, que aproveitou ainda para fazer o ponto da situação relativamente à candidatura do Estuário do Rio Minho a Património Mundial da Unesco.

Admitiu que este projecto se encontra um pouco parado devido a um mero detalhe "administrativo", porque a equipa de peritos escolhida para elaborar a candidatura "não acertou" com a melhor forma de a gizar, levando a que os dois autarcas tivessem optado por encontrar outra alternativa, atendendo, incusivamente, a que as candidaturas para as classificações se encontram encerradas.

Assim, "logo que tenhamos uma nova equipa que consiga sensibilizar, tanto a parte galega como a portuguesa, em termos de expediente, nós prosseguiremos com esta proposta de classificação do estuário".

Defesa da praia da Lamiña atrasada devido às eleições

A praia da Lamiña, na margem galega da foz do rio Minho vem sendo desgastada pela acção das correntes e o Município de A Guarda continua a pugnar junto do Governo de Madrid para que se reconheça "uma actuação de emergência a fim de travar a deterioração da margem", depois de terem obtido o parecer favorável da Conselharia da Xunta da Galiza, situação entretanto encravada devido à convocatória de eleições gerais que terão lugar no próximo fim-de-semana.

Em Dezembro já tinha sido publicada a licitação de um plano de emergência a fim de ser erguido um talude, esperando que após o acto eleitoral a obra se concretize, antes que a margem se deteriore mais.

Estudos devem definir melhor forma de desassorear o estuário

Solicitada uma opinião sobre o problema do assoreamento da barra e estuário do rio Minho, António Lomba admitiu ser uma preocupação para os dois autarcas, porque "não é navegável", mas opta por não dar uma opinião pessoal sobre a melhor forma de o solucionar, devido à diversidade de soluções apontadas.

Deu como exemplo a opinião de alguns técnicos que não consideram solução a extracção simples da areia, ao passo que outros apontam ser esse o caminho. Será o caso da Lamiña, ao aparecerem "espertos" a assegurar que o problema da erosão se ficaria a dever à acumulação de areia no rio.

António Lomba precisou que o assoreamento é um problema para a navegabilidade, mas também do ponto vista meio-ambiental, sobretudo no que se refere à fauna do rio, porque, justificou, "se um rio não desagua e não manda essa mensagem de água doce longe, no oceano, há peixes que não entram na foz". Além de atribuir responsabilidades à acumulação de areia no estuário, à construção da última barragem no Rio Minho, que "impede as cheias de limparem o rio e fazer com que as águas entrem no mar e atraiam os peixes".


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