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Dia da Comunidade Ribancorense

Editado II volume da Monografia de Riba d'Âncora e prestada homenagem aos Sapadores Florestais

Antiga Escola Primária albergará Centro de Dia

O Dia Da Comunidade Ribancorense ficou assinalado este ano (15/Agosto) pela edição do II volume da Monografia de Riba d'Âncora (Lugares e Memórias) da autoria da escritora Fina d'Armada, natural desta freguesia e recentemente falecida, e com a colaboração de Gabriela Oliveira.

Graças ao apoio financeiro do Conselho Directivo dos Baldios, a Junta de Freguesia conseguiu completar um trabalho reunido em dois livros, concretizando "o sonho da Autora para a posteridade", escreveu Paulo Alvarenga, presidente da Junta, no prefácio da obra que representa "o nosso cartão de cidadão", acrescentou Francisco Tobias, presidente do CD dos Baldios.

Ambos lamentaram que a autora não tivesse podido estar presente no lançamento da obra ocorrido na antiga escola básica de Riba d'Âncora, a qual foi objecto nesse mesmo dia, da assinatura de um protocolo de comodato estabelecido entre a Câmara de Caminha e o Centro Social e Paroquial de Riba d'Âncora que permitirá acolher neste edifício o Centro de Dia.

Francisco Tobias acentuou que a autora desta monografia cumpriu o seu desejo de "deixar um trabalho à terra que a viu nascer", definindo este livro como "um registo importante da nossa comunidade, desde a antiguidade, até aos nossos dias".

Recordou ainda com tristeza o dia em que lhe telefonara a dizer-lhe que "vou-me embora", falecendo alguns dias depois.

"Objectivo prioritário"

Frederica d'Armada, filha da autora e que colaborou com sua mãe nos últimos dias de vida na conclusão desta obra - o seu último grande objectivo, quando soube que lhe restava pouco tempo de vida -, agradeceu a todos os que permitiram que este livro dividido em cinco partes tivesse sido dado à estampa.

"Há sempre um(a) ribancorense na história"

Leu um poema de sua mãe no decorrer deste acto e agradeceu a presença de Marco Martins, presidente da Câmara Municipal de Gondomar (Fina d'Armada tinha casa neste concelho, onde residia habitualmente), um homem que Fina d'Armada considerava "um filho", e com o qual travou várias lutas e apoiou politicamente.

Frederica d'Armada, após referir que Riba d'Âncora ("antiga Vilar de Âncora") tinha sido a primeira freguesia do Vale do Âncora a ter um cemitério, recordou a figura de seu avô, Domingos António Fernandes, que "fez muito por Riba d'Âncora", quer como presidente de Junta, quer como membro do Executivo.

Aceitando o repto, Paulo Alvarenga, presidente da Junta, adiantaria que, provavelmente, o seu nome viria a ser um dos homenageados póstumos no Dia da Comunidade.

"Nunca esqueceremos o que representou para nós"

Marco Martins, presidente do município gondomarense, referiu que conheceu Fina d'Armada como professora de História, em 1989/90, uma mulher "lutava por causas e naquilo em que acreditava", citando a luta, conjunta, contra o entubamento do Rio Tinto, cujo projecto que ela defendia só agora será concretizado, razão pela qual "nunca esqueceremos o que ela representou para nós",

"Discutimos muito"

No decorrer desta sessão de apresentação do livro numa das antigas salas de aulas da escola primária, na qual estava patente uma exposição de fotografias de famílias ribancorenses, Gabriela Oliveira, co-autora do livro, com raízes familiares em Riba d'Âncora, aldeia que também adoptou, evidenciou a importância da existência de uma monografia desta freguesia, facto invulgar na maioria nas localidades portuguesas.

Referiu que "discutimos muito sobre esta obra, mas chegamos sempre a um acordo", considerando agora importante "reler, apreciar a obra e reflectir sobre esta mulher, nomeadamente sobre os últimos dias da sua vida", altura em que terminou a obra.

"Não queria falar porque me emociona"

"Disponibilizei-lhe toda a documentação existente na paróquia", de modo a que pudesse investigar convenientemente, assinalou o pároco Manuel Joaquim Oliveira, quando teve oportunidade de dizer algumas palavras nesta apresentação.

Admitiu que "não queria falar porque me emocionava". Recordou que na altura em que Fina d'Armada se encontrava já doente, ele próprio também se sentia adoentado, mas era ela que "me dava alento".

Referindo-se à obra em causa, desafiou os presentes a que "alguém pensasse já em estudar mais sobre a freguesia", porque, justificou: "um tema destes, nunca se esgota".

"Foi uma prenda que deu à terra"

Esta obra foi ainda objecto de uma apreciação por parte da investigadora Adília Fernandes, tendo realçado o extremo "rigor" com que Fina d'Armada procedia aos seus estudos, indo beber às "fontes primárias" as suas informações, e a sua apetência pelos temas feministas, nomeadamente a abordagem às "mulheres anónimas".

Uma feminista

A autarquia caminhense esteve presente através do vice-presidente Guilherme Lagido e do presidente Miguel Alves.

O primeiro destacou a iniciativa lançada pela junta de freguesia, ao juntar todas as pessoas no dia da sua Comunidade, o que apontou como "um exemplo".

Lagido recordou os contactos que manteve com a autora no pós 25 de Abril, juntamente com Domingos Velho, ex-presidente de Junta, durante a "guerra" pela criação da cooperativa do leite, em que Fina d'Armada exigia que o representante dos produtores fosse uma mulher, porque, "elas é que tratavam das vacas", justificou, acabando por prevalecer a sua opinião.

O vereador referiu que já tinha lido o primeiro volume, "feito com todo o rigor e distanciamento", o que permitiu uma "análise objectiva" do passado e presente, enaltecendo igualmente a importância dos registos contidos nesta obra, e a "sorte" que Riba d'Âncora teve com estas duas autoras.

"P'ra frente"

Ainda bem vivos os dramas vividos dias antes com os incêndios que tinham fustigado esta freguesia, Miguel Alves, presidente do município, incentivou os ribancorenses a ir "p'ra frente" de modo a "fazer esquecer esses maus momentos".

O autarca agradeceu ao Conselho Directivo dos Baldios ter patrocinado uma obra que "honra Riba d'Âncora e o concelho de Caminha", destacando ainda a amizade existente entre a autora (Fina d'Armada), Gabriela Oliveira e o padre Manuel Joaquim Oliveira, a par do próprio empenhamento da filha da historiadora e da Junta de Freguesia.

Miguel Alves assumiu que a Câmara de Caminha "quer contribuir para que Riba d'Âncora tenha cada vez mais qualidade e investimento".

Distinções honoríficas

Este Dia da Comunidade Ribancorense contemplou ainda uma homenagem aos Sapadores Florestais de Riba d'Âncora pelo seu empenho, abnegação e riscos pelos que passaram no combate aos fogos florestais dos quais ainda havia alguns resquícios neste dia da comunidade, prontamente dominados por estes homens.

Este tributo aos sapadores não constava do programa delineado previamente, mas os acontecimentos dos últimos dias e a bravura demonstrada por estes homens, levaram a que a Junta os incluísse no rol de homenageados.

Assim, Baltazar Palhares, Bruno Pacheco, José Seixas, José Palhares, Pedro Mateus e Jorge Silva receberam uma medalha de mérito e dedicação.

Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia, vincou a justeza desta homenagem a estes sapadores que "quase morreram" no combate às chamas.

"Vi muita gente a chorar e a pôr as mãos na cabeça", aflita com o risco que os sapadores corriam, frisou Paulo Alvarenga, prometendo ainda mais empenho na defesa dos baldios, fortemente fustigados pelo fogo, apesar de ser uma área com uma manutenção permanente ao longo do ano.

O autarca, a par do empenho dos Bombeiros nessa semana dramática, destacou ainda a colaboração das juntas de freguesia de Gondar/Orbacém, Afife, Freixieiro de Soutelo e Carreço.

Discursos marcados pelos incêndios

Era evidente o trauma vivido pelas povoações afectadas por estes fogos florestais, consubstanciado nos discursos dos intervenientes nos diversos actos do Dia da Comunidade Ribancorense.

Miguel Alves, presidente do Município, agora satisfeito com o motivo da sua presença em Riba d'Âncora, sublinhou, no entanto, que "há três dias atrás não foi agradável estar em Riba d'Âncora", devido aos incêndios que "vieram do Vale do Lima", surgindo depois outros em Argela (uma ignição "pouco acidental", anotou), Dem, Venade, Azevedo, Vile, Vila Praia de Âncora , Riba d'Âncora e Serra d'Arga, e em que a capacidade de apoio era diminuta, face à vastidão das frentes de fogo.

"Arriscando a vida"

O autarca referiu esses momentos dramáticos em que foi necessário mobilizar todos os meios da protecção civil, apoiados por dezenas de moradores em todas as freguesias, "combatendo o fogo, costas com costas, com o fogo à volta", o que o levou a considerar muito acertada a homenagem dos ribancorenses aos seus sapadores, "arriscando a vida", sabendo estar à altura da situação, tal como a Junta e os Bombeiros.

O trabalho realizado nos últimos anos pelo Conselho Directivo dos Baldios na valorização e defesa da floresta acabou por "cair por terra" perante a voragem do fogo, frisou ainda o autarca, levando-o, portanto, a considerar imprescindível apoiar a recuperação do monte.

"É preciso que os casos sejam tratados de forma distinta", acrescentou Miguel Alves, encorajando as pessoas a "insistir" e a "pegar nas cinzas e fazer delas o adubo do nosso futuro".

Perante o sucedido, o presidente da autarquia caminhense admitiu que o Dia da Comunidade Ribancorense se tornou numa "cerimónia reforçada da nossa Comunidade".

"É a nossa protecção civil local desde 1999"

"Quando é preciso, reúnem-se e estão lá", referiu a dado ponto do seu discurso Francisco Tobias, presidente do Conselho Directivo dos Baldios, aquando da entrega das medalhas ("justas", acentuou) aos Sapadores Florestais, considerando-os "a nossa protecção civil local desde 1999", ano da criação desta equipa que durante todo o ano, "de noite e dia", intervém dos Baldios.

Aproveitou para louvar o seu "empenho e dedicação", e terminou, dizendo que "temos a consciência tranquila de que fizemos tudo o que se podia".

Projecto do Centro de Dia ascende a 371 mil euros

Neste dia recheado de actos comemorativos, incluindo um almoço-convívio, ao que se seguiu a actuação dos grupos de cavaquinhos e concertinas da Associação de Riba d'Âncora, houve ainda oportunidade para a assinatura de uma proposta de comodato (que poderá ser renovado no final do prazo) entre a Câmara Municipal e o Centro Social e Paroquial de Santa Maria de Riba d'Âncora, tendo em vista acolher neste imóvel agora desactivado o Centro de Dia, que inclui a valência de apoio domiciliar e, futuramente, um lar.

O padre Manuel Joaquim, representando o Centro, agradeceu à Câmara Municipal a sua disponibilidade para a cedência do edifício, e pediu a sua influência junto do poder central para que seja financiado através do Programa Comunitário 2020.

O projecto de readaptação deverá importar em 371 mil euros, mais IVA, e o pároco da freguesia aproveitou o momento para pedir o envolvimento de todos habitantes, para que a obra se concretize, apelando ainda às empresas que destinem parte do IRS para ela.

O projecto foi apresentado pelo arquitecto Paulo Gomes.


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