A cerimónia militar de tomada de posse decorreu no Forte da Lagarteira, em Vila Praia de Âncora, perante o Chefe do Departamento Marítimo do Norte, em representação do Chefe do Estado-Maior da Armada, diversas entidades de Portugal e Galiza, entre as que se encontravam o Comandante da Comandancia Naval de Tuy, alcaides de três municípios galegos (Tomiño, Tuy e Salcedas de Caselas) e presidentes de câmara ou seus representantes da margem portuguesa do rio Minho, Juntas de Freguesia de Caminha e Vila Praia de Âncora, associação de pescadores de Caminha e diversos departamentos da administração central e regional de Portugal.
Pedro Costa, na sua alocução, prometeu cumprir as leis e regulamentos de jurisdição da Autoridade Marítima Nacional e defender o Troço Internacional do Rio Minho.
O novo Comandante recordou algumas passagens e personalidades históricas da região, como foi o caso das Invasões Francesas em que houve colaboração entre Portugal e o Reino de Espanha; a figura do Contra-Almirante Ramos Pereira e "o seu amor à Pátria e à Marinha" ou Pero Vaz de Caminha, cronista da descoberta do Brasil, cujos pais eram naturais desta vila.
Prometeu uma "enorme disponibilidade" no relacionamento com todas as instituições, e aos que trabalharão directamente com ele (os seus subordinados), conta com a sua "dedicação, empenho e insistência", destacando o "valoroso capital humano" que representam.
No decorrer desta cerimónia, o Chefe do Departamento Marítimo do Norte, António Luís Pereira, louvou e agradeceu o trabalho do anterior Comandante Gonzalez dos Paços - distinguido com uma medalha - e desejou felicidades ao novo militar no desempenho das suas funções à frente da Capitania de Caminha.
A passagem do Comandante Gonzalez dos Paços por Caminha, nos últimos quatro anos, mereceu uma aceitação generalizada por parte da prática totalidade das instituições e pessoas que lidaram com ele.
"Teve sempre uma palavra amiga"
Augusto Porto, presidente da Associação Profissional de Pescas do Rio Minho e Mar, confessou-nos isto mesmo no decorrer desta cerimónia de investidura, considerando "muito bons estes quatro anos de ligação à classe piscatória, mostrando sempre uma grande sensibilidade para os problemas que se vêm arrastando com o tempo, tendo sempre uma palavra amiga e de compreensão em relação às dificuldades que a classe passa".
Reforçou que "não temos nada a apontar-lhe e desejamos que o novo Comandante traga tudo de igual ou acrescentando ainda mais".
"Deixou um legado que fala por si"
Idêntica posição foi assumida por Miguel Alves, presidente do município caminhense, tendo enfatizado "um legado que fala por si", porque "sempre soube preservar uma relação institucional com as autarquias do rio Minho", bem como o seu papel "no aperfeiçoamento e modernização do trabalho da Capitania".
Miguel Alves valorizou igualmente "a sua relação de extrema lealdade com os pescadores - tendo em conta o seu papel fiscalizador -, e até de amizade com alguns deles".
O facto de ter conseguido consensos com os autarcas foi outro dos vectores realçados por Miguel Alves, tendo revelado "profissionalismo, competência e encorajamento para que continuemos a trabalhar em prol do rio Minho e das pescas".
Foi essa "palavra de apreço" que lhe transmitiu a abandonar o cargo, acrescentou o autarca, admitindo, contudo, que deixou "uma grande responsabilidade ao novo Comandante, a quem já lhe expressou palavras de encorajamento, e que seguramente "também quererá deixar em Caminha a sua marca".
O presidente do município caminhense já teve oportunidade de conversar informalmente com o novo responsável, sobre diversos assuntos que dizem respeito a ambos, de modo a que passe a "conhecer rapidamente esta região", o que crê que sucederá, assegura, nomeadamente nos assuntos relacionados com o rio Minho e do seu património, quer a nível das pescas, quer do património natural e construído.
A propósito, Miguel Alves recordou a candidatura em preparação com A Guarda, de preservação do património, terminando as suas declarações a garantir a disponibilidade de colaboração com o novo Comandante, para que "consigamos tornar o rio Minho e a nossa costa mais seguras".