Embora as assembleias municipais sejam habitualmente palco de grandes debates políticos em termos concelhios, os presidentes de junta têm também aí oportunidade de fazer ouvir a sua voz, nomeadamente aludindo a temas que se circunscrevem à sua área geográfica.
Lanhelas
Josefina Covinha, presidente da Junta de Freguesia de Lanhelas, aproveitou a última reunião deste órgão autárquico (19/Fev), para realçar alguns dos problemas que pretendem ver resolvidos e realçar o que tem sido feito "em articulação" com a Câmara Municipal. Citou o caso da Rua da Ramalhosa - onde já não se verificam inundações -, e o projecto previsto do Centro de Interpretação das Figuras Rupestres no Monte de Góios.
Âncora
O seu colega António Brás, de Âncora, chamou a atenção para um buraco no adro da Igreja, de onde "joga água a granel pelo chão", e pediu informações sobre a supervisão da obra levada a cabo junto ao campo de jogos do Âncora-Praia.
Vila Praia de Âncora
Outro autarca, Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, manifestou o seu descontentamento por não ter sido convidado para as reuniões com a EDP Gás e lamentou os "constrangimentos" actuais com o decorrer da obra de instalação da rede de gás natural, falando no "esquartejar" dos pisos e passeios, pedindo uma "pré pavimentação" com tapete a frio, antes da colocação da pavimentação final.
"Uma boa presidente de junta"
Comentando as palavras de Josefina Covinha, e após vincar que já está habituado às suas palavras e ao facto de ser "uma boa presidente de junta", Miguel Alves, presidente do Município, corroborou as suas palavras, incidindo na colaboração existente entre as duas autarquias, intervindo nos pavimentos, beirada do rio - onde decorre a obra de instalação da ecopista e de um parque de estacionamento.
"Sempre reivindicativo"
Hábito já adquirido igualmente em relação ao "sempre reivindicativo" António Brás, presidente da Junta de Âncora, o que o levou a compreender a necessidade de realizar as obras rapidamente, de modo a evitar constrangimentos e criar o mínimo de condicionalismos.
Em relação ao que se passava no adro da Igreja, disse desconhecer a situação, mas prometendo mandar averiguar. Pretende-se saber se a água que jorra de um buraco e que destrói a calçada há mês e meio, provém de uma nascente natural ou de uma avaria num cano de água.
Sobre os acessos aos Caldeirões, frisou que se encontram condicionados, nomeadamente no que se refere ao campo de futebol.
Lagido explicou obra da rede de gás natural
Da ordem do dia desta assembleia, constava a aprovação de um protocolo a celebrar com a EDP Gás a fim de instalar a rede de gás natural, no litoral do concelho, desde Âncora até Caminha/Vilarelho.
Carlos Castro chamou a atenção para a forma como os trabalhos estavam a decorrer e Guilherme Lagido referiu a importância da obra, equiparando-a à da instalação de rede eléctrica há 100 anos atrás; à rede de abastecimento de água há 60 e à do saneamento surgida após o 25 de Abril.
Referiu que a EDP coloca as tubagens principais e os moradores deverão negociar posteriormente os preços de colocação dos ramais para as habitações e o respectivo fornecimento. Assegurou que os grandes consumidores sairão bastante beneficiados deste abastecimento, porque poderão negociar em melhores condições com os fornecedores.
"Há que ter alguma paciência"
Referiu ainda que o ambiente será mais beneficiado com a utilização do gás natural, devido à redução da emissão de CO2 para a atmosfera.
"Sabemos que as obras causam transtornos", reconheceu o vice-presidente, mas, "há que ter alguma paciência", porque só após a compactação do terreno revolvido é que se poderá colocar o tapete definitivo. Deu como exemplo - citado, aliás, também por Carlos Castro - o caso do abatimento verificado à entrada do "Continente", resultado de ter sido asfaltado o piso sem que a compactação natural (através da chuva) tivesse acontecido naturalmente.
O autarca ancorense garantiu que a obra terá o devido acompanhamento durante a sua execução, respondendo assim às preocupações do presidente da Junta e outros eleitos locais.
"Tragam-nos debaixo de olho"
Foi caso de Taxa Araújo, do PSD, pedindo que a obra não se prolongue pelo verão e algum cuidado com os passeios e com a projecção de brita que atinge transeuntes, aquando da passagem dos carros, levando-o a pedir ao Executivo que "os (construtores) tragam debaixo de olho".
Repavimente-se a Rua do Calvário - Âncora
Este processo da rede de gás levou também António Brás a pedir ao Executivo que aproveite agora os trabalhos de ligação da rede de gás natural proveniente do concelho de Viana do Castelo, para pavimentar a Rua do Calvário, cujo estado "terceiro-mundista" remonta ao Executivo anterior, devido às obras realizadas pela "Águas do Noroeste".
Redução entre 20 e 30% dos custos em gás
O investimento de três milhões de euros que a empresa do gás natural vai investir no município de Caminha foi valorizado pelo deputado municipal Vítor Brás, além de terem sido subcontratadas empresas do concelho de Caminha para a obra respectiva.
Vítor Brás assinalou algumas das vantagens: segurança, protecção ambiental, qualidade de vida e conforto para os munícipes e redução entre 20 a 30% dos custos em gás. E explicou porquê.