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Azevedo

Reunião camarária descentralizada

A senhora Glória deu cartas

"Sou analfabeta. Não sei ler. Mas sei bem o que me fazem e o que faço aos outros", atirou a senhora Glória, uma das moradoras intervenientes na reunião camarária descentralizada que decorreu na passada Quarta-feira na sede da Junta de Freguesia de Azevedo, agora agregada à força na de Venade, por decisão do anterior Governo.

Esta moradora foi reflexo da frustração existente nesta aldeia, com a anexação, relativamente à qual sempre disseram que iriam ser as vítimas principais.

"É uma necessidade"

O presidente actual da Junta de Freguesia de Venade/Azevedo foi o alvo predilecto da moradora, assumindo que se o Caminho do Carreiro Velho foi limpo (apenas uma vez, lamentou), foi porque o limpei e assumiu que "o tratei mal", referindo-se ao que disse ao presidente da autarquia local e os termos usados, para demonstrar a sua revolta pela indiferença com que Azevedo é votada.

Esta azevedense frisou que a limpeza deste caminho é uma esmola, não pedindo obras nem mais nada, apenas pretendendo que o limpem das silvas, porque é de pedra e estas crescem muito.

Disse que ela própria tinha procedido à limpeza do caminho e ficara surpreendida com a colocação posterior de um poste a meio deste acesso à sua casa, o que a levou a gastar 20€ no aluguer de um carro para retirar esse poste, sendo lançado no monte.

Falou nos porcos e na dificuldade que um vizinho tem em matá-los devido ao estado do caminho, ao invés do que sucede com outros, interrogando-se "se isto é presidente (da Junta) que se tenha?!", além de criticar o facto de não haver qualquer residente ou natural de Azevedo na Junta de Freguesia.

"Enxurrada levou tudo"

A Junta de Freguesia reagiu, e António Amorim, seu presidente, recordou que após terem investido 12.000€ no Caminho Velho, "a enxurrada levou tudo", assinalando ser importante canalizar a água da Aguieira, o que motivou um esclarecimento por parte da moradora, dizendo que a água que escorre pelo caminho não é a da Aguieira.

Este pequeno conflito foi digerido com algum humor pelo presidente da Câmara, conhecedor do problema, sobre o qual já tinha falado com a munícipe, quer na Câmara, quer na feira - durante a campanha eleitoral - atalhando que "você vota por mim", confirmando Glória que "votei, nas não voto mais", porque prometem e não cumprem, avisou.

A situação da Rua do Regueiro já é um problema bem antigo.

Jorge Filipe Alves, outros dos moradores que expôs o problema da Rua do Regueiro nesta reunião, recordou ao Executivo que este caminho ainda se encontra em calçada à portuguesa, é muito estreito e onde não se cruzam dois carros nem passa o carro dos bombeiros.

Referiu-se também ao estado do Carreiro Velho, prometido pela Junta anterior, chegando a começar a ser intervencionado, foi suspenso e "o pouco que foi feito já está deteriorado", lamentou.

Estes dois caminhos mereceram também uma apreciação de outro morador de Azevedo, José Luís Lima, reconhecendo que durante o inverno há muitas correntes de água provenientes dos montes, afectando a Rua do Regueiro (em muito mau estado) e o Caminho Velho. Referiu que já tem conversado com o presidente da Junta sobre estes dois problemas, mas sem o apoio camarário não será possível resolvê-los.

Referindo-se ao caminho do Regueiro, António Amorim disse ser preciso disponibilizar 60.000€ para as obras, incluindo o seu alargamento, cujas negociações com os proprietários já se iniciaram, frisou.

Pedidos para Stº Antão

Em maré de pedidos à Câmara, António Escusa, um dos zeladores da Capela de Stº Antão, pediu a colocação de dois pontos de luz à entrada e nas traseiras da pequena ermida, de modo a inibir os assaltantes, responsáveis por prejuízos elevados, como o sucedido há três anos, num montante de 3.000€.

Limpezas de caminhos de monte

António Escusa pediu ainda a Miguel Alves que procedesse à limpeza do caminho da Ponte (800 metros), também neste monte, de modo a evitar a propagação de incêndios.

Esta limpeza, incluindo uma área de protecção de cinco metros de cada lado, não foi descartada pelo presidente da Câmara, o qual foi ainda desafiado por José Luís Lima a mandar desbastar mais caminhos de monte, aproveitando as intervenções em curso para preparar os percursos do Rali de Portugal, dando como exemplo o caminho do Curral, em que apenas seria necessário cortar galhos.

Contudo, mais intervenções fora da área de acesso e de passagem do rali perece serem difíceis de concretizar, atendendo a que a prioridade vai ser concedida à regularização do piso das classificativas, face a algumas reclamações dos pilotos, no ano passado.

Expansão da rede de saneamento

A rede de saneamento chegou a Venade há uns anos atrás, mas não contemplou todos os lugares da freguesia.

António Escusa lembrou as 53 moradias das ruas da Escusa e Castanheirinho que ainda não são servidas pela rede de saneamento, e António Amorim, presidente da Junta, reforçou um pedido no mesmo sentido, formulado por um morador que não pôde comparecer à reunião.

Foi referido pelo vereador Guilherme Lagido que os esgotos poderiam ser encaminhados numa distância de 600 metros por gravidade, resolvendo dessa forma o problema, embora ainda não exista qualquer projecto, nem verba cabimentada. Deixou algumas esperanças.

Lombas para a Avenida Barão de S. Roque

Esperanças deixadas também por Miguel Alves para a iluminação em Santo Antão, e sobrelevação do piso junto à escola primária de Venade, de acordo com um pedido apresentado por João Duarte. Este venadense tinha voltado a solicitar lombas para esta avenida (no decorrer da reunião camarária realizada em Venade há um ano atrás), mas a Câmara vai optar por outra forma de redução da velocidade dos carros, apenas lamentando a falta de pedreiros nos serviços camarários para levar por diante esta e outras obras.

Centro Cultural e Virabombar com pedidos de apoio

Em termos culturais, o Executivo foi confrontado com pedidos de apoio para o Centro Cultural e sede do Virabombar.

Maria José Saraiva pediu uma intervenção na cobertura e caleiras do edifício onde funciona a sede do Centro Cultural, e apoio no passeio anual das pessoas da freguesia de Azevedo.

José Luís Lima, solicitou a intervenção camarária a fim de criar um pequeno estacionamento (metade público, metade privado) junto à antiga escola primária, edifício propriedade da Misericórdia de Caminha.

Câmara prometeu

Miguel Alves prometeu apoio à viagem dos idosos e o arranjo do telhado, e debater com a Santa Casa a melhor forma para conseguir o estacionamento pretendido.

"Foi com gosto que estivemos aqui!", assim finalizou o autarca a reunião, antes de assumir alguns dos compromissos com a população presente na sede da Junta de Azevedo, em que o presidente da Junta não quis realizar qualquer intervenção inicial - como é habitual em todas as reuniões descentralizadas -, porque já o tinha feito há um ano, na que teve lugar no antigo Jardim de Infância de Venade, justificou.


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