Três inspectores do Ministério da Educação mantiveram-se durante esta semana no Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, no âmbito de uma avaliação externa à escola prevista havia já algum tempo.
Desde que o "complexo" processo de agregação das escolas no concelho de Caminha se iniciou em 2013, foi esta a primeira avaliação levada a cabo pelo ministério, tendo entre alguns dos seus quatro objectivos promover o progresso da aprendizagem, determinar as suas carências a nível de equipamentos e apreciar o relacionamento e envolvimento da comunidade educativa, conforme explicou a inspectora Maria Pia na abertura da cerimónia de apresentação do funcionamento e actividades do agrupamento, que decorreu no auditório da escola, em Caminha.
Maria Esteves, directora do agrupamento desde que empossada oficialmente em 2015, recordou que uma primeira avaliação já tinha sido realizada em 2009, antes da agregação entretanto consumada.
Os 1415 alunos distribuídos pelas diversas escolas e jardins-de-infância, na sua maioria, provêm de famílias com carências sociais o que obriga a uma atenção redobrada no apoio prestado, sendo que cerca de 8% (113) requerem necessidades educativas especiais, estando 11 docentes destinados exclusivamente a esse apoio.
A directora da escola, através da leitura de um texto elaborado com suporte informático - que permitiu uma compreensão mais detalhada da vida escolar do agrupamento e seu relacionamento com o meio -, avançou mais dados sobre o seu funcionamento neste "importante momento" do ensino, em que esta escola com "condições obsoletas" (falando em termos de equipamento físico, cujos constrangimentos os professores tentam ultrapassar) se encontrava em escrutínio por parte da Inspecção Geral da Educação e Ciência.
Embora sem referir expressamente cada uma das escolas que compõem o agrupamento, acentuou que dos 166 professores actuais, cerca de 90% já dão aulas cá há mais de 20 anos, o que permite uma estabilidade e um planeamento decisivos. Completam o apoio à escola 59 funcionários, seis tarefeiros e uma pessoa a coberto do plano de reinserção de emprego da Segurança Social, a par da colaboração recebida da parte da Câmara Municipal de Caminha.
Sucesso em mais de 90% dos casos
Maria Esteves apontou alguns dos êxitos conseguidos em várias vertentes do ensino, nomeadamente, na conclusão do ensino obrigatório em todos os níveis de aprendizagem, acesso e sucesso no ensino superior (dos 51 alunos que terminaram o 12º ano no ano transacto, 46 seguiram a carreira universitária) e posterior integração no mundo do trabalho, e, em particular, em disciplinas fundamentais como é o caso do Português e da Matemática, comprovados pela ultrapassagem das médias nacionais.
Apenas nos casos das disciplinas experimentais (Física/Química e Biologia/Geologia), embora os índices sejam razoáveis, foram obrigados a tomar medidas, de modo a "melhorar as fragilidades" constatadas.
"Ambiente calmo e propício à aprendizagem"
Esta professora enfatizou "o ambiente calmo e propício à aprendizagem" existente no agrupamento, o que proporciona resultados de sucesso, apontando ainda como exemplo de uma decisão assumida e conseguida, a criação de um curso vocacional no Ensino Básico com progressão até à escolaridade obrigatória.
A concretização dos diversos projectos da escola e dos próprios encarregados de educação, foram escalpelizados no decorrer desta apresentação, com destaque para a educação especial, introdução do desporto escolar no ensino básico a título experimental — destacando ser este agrupamento "um dos poucos do distrito que o possui" —, a colaboração com a APPDCM, a dimensão artística, as iniciativas da Biblioteca Escolar, a existência de um portal e as parcerias estabelecidas com naturalidade com diversos sectores da comunidade caminhense.
Perante esta explanação exaustiva, Maria Esteves manifestou confiança nesta segunda avaliação a que a escola (agora, agrupamento) foi submetida, cujo resultado positivo ditará muito dos apoios a conseguir futuramente da parte do Ministério, nomeadamente, uma escola nova que permita incrementar a qualidade de ensino visível e reconhecido pela comunidade caminhense.
"Uma escola que também foi minha"
"Não há dúvidas sobre o trabalho do Agrupamento", assinalou Miguel Alves, presidente do Município caminhense, ao aproveitar a oportunidade concedida para que os presentes se pronunciassem sobre a escola.
O autarca, ao referir-se a "uma escola que também foi minha", valorizou a "capacidade estratégica" que ela representa, dentro de uma "evolução que nunca se satisfaz" e "aberta à comunidade", numa lógica de possuir os alunos cada vez mais preparados, e, desta forma "atingirmos os nossos objectivos: crescer cada vez mais".
No decorrer deste acto, alunos do Jardim de Infância de Caminha apresentaram um trabalho desenvolvido junto da classe piscatória, relacionado com a pesca do bacalhau - em que o concelho e os seus pescadores e armadores foram preponderantes -, a sua preparação (os miúdos salgaram bacalhau e esperam degustar em breve).
Igualmente a componente musical e de dança não foram esquecidas, através de dois momentos proporcionados por alunos da EB do Vale do Âncora, tocando xilofones, e cinco miúdos, com necessidades educativas especiais, da Escola dos Vales do Coura e Minho, apresentaram uma coreografia tendo como música de fundo um tema de John Lennon vencedor do concurso Caça Talentos do último ano escolar.