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Caminha

Junta de Freguesia convida presidente da Assembleia Municipal a visitar associações

"O tempo passa. Estamos no extremo!", Augusto Porto, presidente da Associação de Pescadores

A Junta de Freguesia de Caminha tomou a iniciativa de convidar Luís Mourão, presidente da Assembleia Municipal, a tomar um contacto mais directo com as associações, escolas e instituições da vila, inteirando-se das suas actividades, preocupações e anseios.

No decorrer de um encontro com os pescadores de Caminha, Augusto Porto, presidente da associação representativa da classe piscatória da foz do rio Minho, voltou a patentear o seu inconformismo e revolta pelo abandono a que têm sido votados.

"Isto é ridículo!", desabafou este pescador enquanto conversava com o presidente da Assembleia Municipal, em referência "às piores condições que temos agora, do que no tempo do meu visavô", ao abordar a degradação do cais da Rua dos Pescadores.

Cais em risco

Os pescadores não hesitam em admitir que com mais temporais como os da semana passada, o cais corre o risco de ruir. O presidente da associação vai mais longe, ao afirmar que "não temos cais", perante o desleixo a que foi votado nas últimas décadas.

Os sinais de ruptura no tabuleiro do cais saltam à vista: pedras arrancadas, escadas quebradas, protecções (?) em ferro a cair, fios de electricidade à vista - e que faiscaram nos dias de temporal -, barcos e apetrechos de pesca amontoados nas rampas laterais por inexistência de alternativa para os resguardar, escadas colocadas ao longo paredão mas que não atingem a água na maré baixa, obrigando os pescadores a amontoar pedras na sua base, para que tenham acesso a elas. Enfim, um sem número de problemas só no cais, porque outros existem no estuário do rio Minho e na sua desembocadura.

Augusto Porto denuncia o desinvestimento do Estado num porto que é "apenas o terceiro do norte do país, em termos de descontos na lota no período de Inverno", ao que acresce o facto de "a pesca ser a maior empresa do concelho, depois da câmara municipal". Os pescadores de Vila Praia de Âncora também se deslocam para o rio Minho na época invernal, perante a impossibilidade de exercerem a sua actividade da pesca na sua terra, "e mais não vêm porque não têm sítio para ancorar", acrescenta Augusto Porto, enquanto que outros, como alternativa, optam pela pesca do espadarte, no alto mar. O presidente da associação vê com agrado que os pescadores ancorenses recorram ao rio Minho para sustento das suas famílias, durante a safra do meixão, lampreia ou mesmo o sável.

"Precisamos de tudo, porque não temos nada"

"Boa-vontade não chega!", adiantou o pescador no contacto que manteve com o presidente da Assembleia Municipal, em que lhe expôs toda uma série de desencontros com as entidades oficiais.

O pescador assegurou que "iremos fazer algo", dando como exemplo os problemas que tiveram nos últimos dias devido ao temporal ("tivemos duas noites muito complicadas"), sendo obrigados "a dar o corpo ao manifesto", na defesa dos seus barcos, motores e aparelhos de pesca, com risco da própria vida, acentuou.

Augusto Porto não tem inveja das melhores condições que os pescadores possuem em Vila Praia de Âncora, Seixas ou Lanhelas, apenas exigem ser tratados em pé de igualdade.

Tendo-se atingido "uma situação limite", os pescadores encontram-se dispostos a tomar posições firmes, porque, reforçou: "não podemos esperar mais!".

"Pescadores têm condições miseráveis"

A Junta de Freguesia de Caminha explicou ao presidente da Assembleia Municipal a necessidade de apoiar estes profissionais de pesca que "não emigraram", como muitos portugueses se viram obrigados a fazer, apesar de não terem as condições imprescindíveis (ou mínimas) para exercerem a sua actividade.

Miguel Gonçalves, presidente da Junta, recordou que a associação de pescadores possui muitos projectos em termos de "segurança e condições de trabalho", mas "não chega prometer", ao referir-se aos ciclos políticos governamentais que se têm sucedido, sem que ninguém se tenha debruçado com verdadeira determinação na resolução dos problemas.

"Estado não investe nada"

O autarca caminhense lamentou que o Município de Caminha tivesse desperdiçado o projecto da Polis Litoral Norte durante os últimos oito anos, bem como o desinvestimento estatal a que continuamente se tem assistido, precisando que "o Estado não investe nada".

Tendo sido abordado os 35.000€ incluídos no projecto de recuperação do cais, no âmbito do Orçamento Participativo (cujo resultado final da votação dos mais de dois mil eleitores ainda se desconhece), Miguel Gonçalves precisou que se trata de um projecto limitado para a pesca. Contudo, os pescadores exigem que do Orçamento camarário sejam cativadas verbas substanciais para uma intervenção de fundo no cais, no caso de o Estado não avalizar uma obra adequada às necessidades ao exercício normal da pesca.

Presidente da Assembleia Municipal promete exercer "influência"

Por seu lado, Luís Mourão, presidente da Assembleia Municipal, reconhecendo a pertinência das reivindicações dos pescadores caminhenses, mostrou-se disposto a "exercer a sua influência" junto das entidades com responsabilidade no assunto, dizendo posteriormente ao C@2000 que viu com agrado e oportunidade o convite recebido da Junta de Freguesia para estabelecer um "contacto" mais estreito com as forças vivas locais, como sucedeu na tarde de ontem no Cais dos Pescadores de Caminha.

Disponível para as demais freguesia

Mais tarde, no início da Assembleia Municipal que decorreu no Cineteatro Valadares, Luís Mourão deu conta do convite recebido e da visita realizada - e que prosseguirá com outras entidades locais da vila de Caminha-, na qual "fui muito bem tratado", precisou, e reafirmando que "serei porta-voz das suas ânsias", mostrando-se ainda disponível para repetir a experiência em todas as demais freguesias, caso seja convidado, claro está.


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