Como seria de esperar, a reunião da Assembleia de Freguesia (AF) que decorreu no período natalício, não poderia deixar de abordar a falta de iluminação pública que se notou este Natal em Vila Praia de Âncora.
O tema já tinha sido objecto de uma tentativa de exploração política da situação na Assembleia Municipal de Dezembro, por parte do PSD nesse orgão autárquico, levando o presidente da Câmara a lembrar que o Município, habitualmente, ornamenta e ilumina as rotundas e as praças da República nesta vila, e o Terreiro, em, Caminha, cabendo ao comércio organizar-se e dar cor às demais artérias das duas vilas.
Competiu às duas juntas de freguesia, Vila Praia de Âncora e Caminha/Vilarelho, tentar mobilizar os respectivos comerciantes. Na primeira vila isso não foi possível, ao contrário do que sucedeu na sede do concelho.
"Vila Praia de Âncora merecia mais"

Margarida Fonseca, delegada socialista na AF de Vila Praia de Âncora, foi a primeira a admitir que a sua vila ficou "mais triste com as ruas às escuras" neste Natal.
Pediu à Junta de Freguesia que descrevesse o processo dos contactos com o comércio local, dos quais nada resultou, e não se surpreendeu que as pessoas não venham a Vila Praia de Âncora, devido à ausência de iluminação.
A eleita pelo PS considerou ainda que a Agenda Cultural de Natal deveria ter merecido outra atenção por parte da Câmara, porque, justificou, "Vila Praia de Âncora merecia mais", sugerindo que futuramente, os concertos do Orfeão devam ser alternados, quer na Igreja Paroquial (como vem sucedendo), quer na da Senhora da Bonança.

Todavia, nem todos comungaram da apreciação feita pela delegada socialista, como foi o caso de João Araújo (PSD), ao dizer que se a iluminação foi fraca, isso se devera ao escasso empenhamento do Município.
Um seu colega de bancada, Tiago Castro, aproveitou para felicitar a Junta pelas iniciativas levadas a cabo no Natal, nomeadamente a iluminação da Igreja Matriz, o que acontecera pela primeira vez, sublinhou, tendo ainda pedido a inclusão dos eventos desportivos no Vale do Âncora, na Agenda de Natal.
"Nem 10 apareceram"

A questão das iluminações mereceu ume explicação de Carlos Castro, presidente da Junta, lamentando a fraca adesão dos comerciantes convocados através de comunicados distribuídos pela vila, para que comparecessem a uma reunião na sede da autarquia ancorense, na qual "nem 10 apareceram".
Estes comprometeram-se, contudo, a contactar pessoalmente o comércio da vila, o que foi feito. Foram pedidos três orçamentos - considerados demasiado elevados (três vezes mais caros) "por causa do ar do mar, que avaria as lâmpadas led", foi a justificação dada pelas casas de aluguer de luzes -, mas nada se concretizou. Carlos Castro referiu ainda a dificuldade em agradar a todos os comércios, porque queriam os arcos de iluminação à sua porta, situação complicada de resolver, tal como viria a suceder com a música gravada, mas que a Junta conseguiu assumir.
O autarca lamentou que a ideia de colocar um pai natal numa charrete a percorrer a vila não tenha resultado, devido à chuva.
Reportando-se à manutenção dos concertos do Orfeão na Igreja Matriz, o presidente do Executivo local sublinhou que o grupo coral ancorense gosta de actuar nesta igreja, devido à boa acústica.
Acerca das críticas ao programa da Agenda Cultural de Natal para V.P.Âncora, Carlos Castro considerou que também o de Caminha não apresentara "nada de especial".
Venda de dois lotes para alargamento do cemitério
A Junta de Freguesia mantém como prioridade neste mandato, a ampliação do cemitério paroquial. Para o efeito, pretendem vender em hasta pública dois lotes de terreno no Lugar de Vilarinho, anunciou Carlos Castro, cuja receita será canalizada para as obras necessárias.
Crematório em perspectiva
No Plano de Actividades de 2016 (410 mil euros orçamentados), não consta a construção das casas mortuárias, chamou a atenção o delegado socialista Filipe Fernandes.
Este projecto, que repetidamente vinha sendo alvo de debate na assembleia ancorense, deveria ser concretizado em conjunto com a Câmara Municipal. No entanto, há um investidor eventualmente interessado em construir um crematório em Vila Praia de Âncora, incluindo uma casa mortuária e casa de habitação, o que, a ser concretizado, dispensaria as autarquias de o fazer, divulgou Carlos Castro.
Nó de Erva Verde é "importantíssimo"

A Junta encara ainda com grande optimismo um projecto "importantíssimo" de remodelação do nó de Erva Verde, a cargo da Câmara Municipal, para o qual estão destinados mais de 300 mil euros.

O presidente da Junta chamou a atenção que o piso da Rua Lourenço da Rocha "não tem condições" para que circulem as viaturas, sendo decisivo drenar as águas provenientes da Retorta e recuperar devidamente aquele nó rodoviário.
Este nó foi definido como um "local estratégico" de Vila Praia de Âncora, por um morador presente na AF, Gaspar Pereira, o qual chamou a atenção para as promessas de longa data, de remodelação deste local, contando que se faça algo na "zona envolvente" e se altere a sinalética.
Foi anunciada ainda a possibilidade de construção de uma passagem sobre a linha de água da Rua de Vales.
O que consta do Plano/16
Em posse deste documento definidor dos projectos para o corrente ano, aprovado pela maioria social-democrata, com a abstenção da oposição socialista , Filipe Fernandes pediu algumas informações sobre obras em curso ou previstas no Plano.
Assim, o delegado soube que o empreiteiro terminará a obra no Mercado Municipal durante este mês, e que será colocado um "escorrega" totalmente vedado, para as crianças do Patronato, na Sobeira.
Explicou que a rubrica "WC caninos" se refere à circunscrição de determinados espaços devidamente sinalizados, para que os animais façam a suas necessidades.
A definição de um espaço para WC a norte da praia, continua a ser um desiderato em aberto nesta vila, considerado uma necessidade no período de verão.
Carlos Castro, respondendo ainda a Filipe Fernandes, assegurou que irão interceder junto da Polis para que a ecovia seja prolongada até Vila Praia de Âncora, e pretendem o arranjo do piso da ecovia antiga.
Regulamento adiado
Esta Assembleia previa ainda a aprovação do regulamento de taxas, mas a delegada socialista Idalina Lima chamou atenção para o facto de ainda não ter decorrido o prazo legal de 30 dias úteis para consulta pública, o que levou ao adiamento da proposta e à convocação de uma nova assembleia no início deste mês, para legalizar a situação.
Correspondendo a um desafio lançado por Idalina Lima em assembleia anterior, a Junta deu conta que já tinha procedido à limpeza do fontanário da Rua dos Prenedos e pretendiam marcar os Caminhos de Santiago.

Esta sessão foi ainda aproveitada por Gaspar Pereira, do Etnográfico de Vila Praia de Âncora, para agradecer o apoio da Junta na oferta de lembranças que o grupo levou para Ourense, num das suas actuações muito apreciadas, frisou, a par dos contributos da Camipão e Liconda.