O Cineteatro Valadares, em Caminha, encheu-se passa assistir ao Concerto de Ano Novo proporcionado mais uma vez pela Banda Musical Lanhelense no primeiro dia do ano, data do seu aniversário, agora completando 166 anos de existência.
O reportório escolhido e a actuação da filarmónica revelaram uma evolução em apenas dois meses, tantos quantos o maestro César Nuñez leva à frente destes 60 músicos que a compõem.

Guilherme Lagido e Rui Fernandes, vereadores caminhenses, marcaram presença nessa tarde-noite no teatro municipal de Caminha, revelando-nos o segundo que a banda da sua terra que "havia já muito tempo que não ouvia um concerto tão bom, e achei uma ideia muito boa a participação da fadista".

Rui Fernandes comparou a mudança operada na direcção da banda, com o que se passa habitualmente nas equipas de futebol, quando muda o treinador " a equipa melhora, o que parece ser o caso do sucedido com a banda".
Banda merecia um auditório
Este vereador exerceu durante 12 anos o cargo de presidente da Junta de Freguesia de Lanhelas, tendo constituído um dos seus principais objectivos a construção de um auditório para a banda em Lanhelas, uma das filarmónicas mais antigas do país. Esse desiderato não foi conseguido, devido a vicissitudes políticas várias que fizeram notícia na altura.


Investido agora em funções de vereador, perguntamos a Rui Fernandes no final do concerto do passado dia 1 (hoje, Sábado, repete-se o espectáculo com a participação do Coro da Banda, na Casa da Torre), se seria agora sua intenção levar por diante o que o anterior Executivo não quis concretizar.


"Não é fácil", admitiu. Não porque não exista vontade de levar por diante esse projecto, mas seria necessário "haver um encontro de forças" que permitisse recuperar a ideia de aproveitamento da Casa do Povo para esse efeito, ou, em alternativa, da antiga estação da CP, o que não seria o ideal, reconhece, dado o distanciamento do centro da freguesia.
A par da necessidade de conseguir uma candidatura que subsidiasse a obra.
Maestro satisfeito

César Nuñez, o novo (regressado) maestro da Filarmónica Lanhelense, manifestou o seu contentamento pela actuação da Banda, a despeito de ainda nem ter sequer dois meses de ensaios. Com casa cheia, o maestro admitiu que é sempre estimulante actuar em público, principalmente, quando o resultado do trabalho feito nos ensaios é recompensado com os aplausos da assistência.


Promete manter este ritmo de trabalho, esperando que os músicos "se habituem a trabalhar desta maneira", sem esquecer a parte formativa, contando que os miúdos continuem a frequentar a escola de música, "fundamental para o crescimento da Banda", reconheceu.
"Estava dentro dos prognósticos"

José Ramalhosa, presidente da Banda, encontrava-se expectante face ao impacto que o concerto iria provocar no público e, reconheceu que tudo "estava dentro dos prognósticos, depois de tanto trabalho e, acho que correu bem", neste primeiro grande teste.
Corroborou a opinião do maestro, quanto à importância da escola de música, assumindo que a sua direcção "apostará sempre na formação".


Continuar a melhorar e conseguir um novo fardamento (nunca importará em menos de 15.000€) são os objectivos imediatos da Filarmónica Lanhelense, depois destes testes decisivos (e com sucesso) de início de ano.
Os músicos são a essência de qualquer banda e o seu empenhamento torna-se num factor decisivo para o sucesso.
Jacinta Laranjeira e Ricardo Silva são dois jovens músicos, mas com bastante experiência na arte musical. Executaram com mestria as peças previamente ensaiadas para este concerto de Ano Novo, juntamente com os demais componentes da Banda.
No final, após o "arrumar" do palco e recolha dos instrumentos, partituras e respectivos suportes, ambos comentaram para o C@2000 a forma como decorrera esse momento musical que o Cineteatro Valadares deu guarida, dentro da programação camarária de Natal.
"Banda esforçou-se"

Jacinta Laranjeira, 15 anos, toca flauta transversal, é natural de Freixieiro de Soutelo, vem uma/duas vezes por semana aos ensaios em transporte assegurado pela Banda, a qual integra há três anos. Estuda na Academia de Música Fernandes Fão, em Vila Praia de Âncora e, a determinada altura, sentiu necessidade de "melhorar a minha técnica e o meu à vontade, porque eu sou uma pessoa muito nervosa, e, além do mais, ganhar experiência", daí o ter decidido apostar na Banda Lanhelense - onde já se encontravam colegas de escola.
O facto de tocar flauta transversal não significa que tivesse sido esta a sua primeira aposta.
"Quando entrei para a Academia, a minha preferência ia para a trompa, mas não havia professor. A professora Helena aconselhou-me a experimentar a flauta transversal. Decidi aceitar e, agora, gosto muito deste instrumento".
Pedindo-lhe uma apreciação ao concerto acabado de terminar, Jacinta Laranjeira considerou que foi "bom", embora "ainda haja alguns aspectos a melhorar", reconheceu, dando como exemplo o seu próprio caso. Disse que a Banda "se esforçou" para que tudo corresse pelo melhor e prometeu mais empenhamento no futuro, nomeadamente da sua parte.
O maestro merece-lhe confiança, elogiando a sua forma de ensaiar por naipes e cuidando "aspectos de afinação, ritmos", juntamente com "o apoio moral que nos dá", o que facilita a obtenção dos objectivos, realçou esta jovem música que pretende continuar na Banda Musical Lanhelense.
"A Banda está muito bem!"

O lanhelense Ricardo Silva, 26 anos, toca trompete na Banda desde os 10 anos, de uma forma quase ininterrupta.
Descendente de músicos - seu pai (José Rocha da Silva, foi professor da Escola de Música), seu avô e visavô também integraram a Banda e um tio-avô (João Costa e Silva) chegou a ser maestro da Banda.
Comunga da ideia da sua colega: - "A Banda está muito bem!". Embora numa fase de transição, derivado à mudança de maestro, confirmou-nos que "estamos a crescer, tanto musicalmente, como a nível de organização". Acredita que com o novo maestro "conseguiremos atingir um patamar musical o mais alto possível", embora "dentro de um amadorismo, como é o caso destas filarmónicas".

Exemplo do que acabou de reconhecer, foi o concerto desse dia, considerando-o "muito bom", com nem sequer dois meses de ensaios, além de terem tido a oportunidade de "mostrar a todos os habitantes do concelho de Caminha, o que de melhor se faz na nossa terra e ajudar a perceber que o concelho tem uma associação muito valiosa com 166 anos", o que obriga todos a "protegerem-na, em termos de apoio".
Em relação ao seu futuro musical, Ricardo Silva assegura que "continuo e continuarei na Banda de Lanhelas".