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Âncora

Arte rupestre - "O nosso património ficou mais enriquecido", António Brás

Os montes que rodeiam Âncora continuam a surpreender pela riqueza do seu património arqueológico milenar.

A Cividade de Âncora/Afife é o seu ícone, mas os vestígios da presença do homem pré-histórico espalham-se pelo território ancorense.

A pretexto de uma interpelação do delegado social-democrata Valdemar Vieira, no decorrer da última assembleia de freguesia, a propósito de alguns danos eventualmente provocados por madeireiros em gravuras rupestres, no Picoto, António Brás, presidente da Junta, referiu que já tinha participado a situação à GNR e CCDR-Norte, a fim de identificar os autores.

Contudo, o autarca socialista aproveitou a ocasião para elogiar a colaboração da arqueóloga Ana Bettencourt, da Universidade do Minho, na identificação e referenciação das gravuras rupestres do Alto da Espiga - para o que contou com o apoio logístico da ex-vereadora Ana S. João -, estudiosa que se deslocou ainda ao monte de Santo Adrião (Picoto), após terem sido referenciadas mais inscrições num aglomerado de rochas, ao redor das quais estava a ser cortada madeira.

António Brás admitiu que "o nosso património ficou enriquecido" com estas descobertas, mas manifestou preocupação perante a ineficácia legal para o proteger, assim como lamentou as restrições de acesso para o visitar e apreciar.

Plano e Orçamento/2016

"Transparência, diálogo e envolvimento da população" são as palavras-chave do Plano de Actividades para este ano, referiu Henrique Graciano Gonçalves, secretário da Junta, ao explanar as actividades contidas neste documento aprovado com cinco votos dos delegados do PS, e três abstenções e um voto contra do PSD.

Em tempos de austeridade e com "problemas locais do passado que condicionam" a actividade da Junta e a da Câmara Municipal (que se encontra em "colapso financeiro" devido ao passivo anterior), os autarcas tentam encontrar forma de financiamento, para que não fiquem totalmente dependentes dos subsídios e transferências correntes.

A alienação de património não resultou e a Junta não pretende elaborar "orçamentos engalanados".

Como objectivos gerais, a Junta de Freguesia pretende continuar a limpar as ruas e caminhos sem recurso a herbicidas, reabilitar espaços degradados e recuperar áreas indevidamente ocupadas em Laboradas.

As obras com nome, referem-se à 1ª fase da Rua dos Farias; 2ª fase da Rua da Liberdade e arranjo das ruas de Santa Luzia e Trindade.

"Plano da América do Sul"

No entanto, da apreciação feita pela oposição, ressalta a opinião de que o "Plano é paupérrimo", conforme opinou Valdemar Vieira, dizendo que julgava estar perante um "Plano da América do Sul".

O delegado social-democrata apresentou-se igualmente desagradado com o texto do documento, rejeitando a palavra "massiva" empregue para a Junta expressar o apoio da população ao seu projecto, dizendo que apenas 1/3 dos eleitores o tinham sufragado, e recusou-se a admitir a obra levada a cabo pelo actual Executivo, lamentando, por isso, que estejam há sete anos no poder e "não têm obra feita", completou.

"Ancorense à frente da freguesia"

A resposta não se fez esperar por parte da maioria socialista, ripostando Catarina Neves que os delegados sociais-democratas "ainda não digeriram bem a derrota", aconselhando-os por isso a lembrarem a Valdemar Vieira que "o anterior presidente pôs o Ancorense (futebol) à frente da freguesia".

"É o que conseguimos com a nossa força", acrescentou Nisa Gandres, Tesoureira da Junta, após defender o Orçamento para este ano, num valor semelhante ao do ano anterior, mas que "é real e não é confuso", disparou.

Doação adiada

Esta reunião teve vários momentos controversos, nomeadamente, a introdução de uma proposta na ordem de trabalhos, contemplando a aceitação da doação de um terreno a favor da freguesia, à qual se opôs o PSD, ao pretender analisar a proposta com o tempo devido, tendo por base uma outra situação anterior idêntica, com a qual teria vindo a constatar posteriormente que não servia os interesses da freguesia.

Embora tivesse admitido a proposta, a presidente da Assembleia, Emília Lagido, assinalou que não poderiam aprová-la sem que houvesse 2/3 dos votos a favor, o que não foi conseguido.

António Brás considerou "chocante" que o PSD se tivesse oposto, recordando-lhes que "nós não somos profissionais".

Ilídio Alves, delegado eleito pelo PSD, de modo a desbloquear a situação, pediu ao presidente da Junta que explicasse a doação, mas António Brás respondeu-lhe que só aceitaria fazê-lo se acedessem a votá-la.

Perante este impasse, a proposta não foi incluída na ordem de trabalhos para votação.

CCDesportivo Ancorense e Junta não conectam

Outro caso prendeu-se com a intervenção de um morador (Vítor Ferreira) a propósito do Plano de Actividades/2016 acabado de aprovar, perguntando por que não havia qualquer verba para o desporto, parecendo-lhe que o Executivo estaria mais virado para a "obesidade".

O entendimento entre o clube ancorense e a autarquia não parede fácil, tendo em conta o passado recente.

António Brás acentuou que a Junta tem apoiado o Ancorense, tendo deixado de receber determinadas verbas por causa da construção do relvado sintético, a par de ter cedido a carrinha, a qual foi entregue avariada, sem que tivessem dado qualquer palavra ou explicação, recordou o autarca.

Alguns moradores intervieram no diálogo estabelecido, devido à questão do apoio ao desporto na freguesia, insistindo no apoio a conceder à prática desportiva, levando o presidente do Executivo a referir a existência de aulas de ginástica na sede da junta.

Dinheiro não chega para obras

Outro morador, Fernando Lopes, proprietário da Quinta da Trindade, pediu que se terminasse com "estas quezílias", entendendo que no caso da doação do terreno, a Junta deveria ter explicado devidamente a situação. Recordou que desde 1953 que a Quinta da Trindade tem colaborado com a freguesia.

Esta cooperação foi admitida por António Brás. Agradeceu, inclusivamente, a cedência de umas centenas de metros em 2012, a fim de alargar um caminho, apenas lamentando que a Junta não disponha de meios financeiros para executar a obra.

Panfletos clandestinos

A dispensa de uma funcionária ("que se encontrava em situação ilegal desde 2003", frisou o presidente da Junta) voltou a ser objecto de discussão na parte reservada ao público da assembleia de freguesia, a par do despedimento de outro trabalhador que se teria envolvido em confronto físico com um colega de trabalho, obrigando este a receber tratamento hospitalar.

António Brás explicou que foram obrigados a abrir um processo disciplinar e suspender o trabalhador (já reincidente, assinalou), após ter sido pedida a comparência da GNR.

Este tema levou a que fosse abordado o aparecimento de um papel clandestino atacando a junta, levando outro morador, Cândido Dias, a verberar a distribuição desses panfletos, atitude que apelidou de "miserável", por parte de "quem não tem coragem para enfrentar as pessoas".


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