A atribuição da Bandeira Azul à praia de Vila Praia de Âncora mereceu elogios de todos os quadrantes políticos, no decorrer da última Assembleia de Freguesia.
Desde 2011 que a Praia das Crianças não obtinha este galardão, para o qual contribuíram algumas medidas introduzidas no controle das descargas de efluentes.
Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia, como forma de comprovar as medidas cautelares tomadas no intuito de assegurar a qualidade das águas balneares, deu como exemplo as obras executadas na zona do Portinho, ao serem eliminadas descargas de águas e restos de peixe para o mar, a par das precauções exibidas a propósito da reinstalação dos tanques de lavar.
O projecto inicial não contemplava a rede de saneamento, estando previsto ligar as águas dos tanques ao colector das águas pluviais, o que levou a Junta de Freguesia a impedir que essa situação se materializasse, revelou o autarca.
Nesse sentido, a Docapesca vai reformular o projecto e, eventualmente, deslocar os tanques para outro local não muito distante do inicial.
Este foi um exemplo apontado por Carlos Castro e que contribuiu para a eliminação de focos de contaminação que, posteriormente, poderiam influenciar negativamente as amostras de água recolhidas na zona, a fim de testar a sua qualidade.
Rua da Lomba mereceu reparo
"Há ano e meio que a rua da Lomba se encontra esburacada", denunciou a delegada socialista Idalina Lima, devido às obras mal arrematadas da rede de saneamento.
A delegada referiu que o estado desta artéria afecta em particular os idosos, lamentando que apenas aquela via não tenha sido objecto de atenção.
Pediu ainda que olhassem com mais cuidado para as zonas rurais da freguesia, atendendo à falta de limpeza de muitos caminhos.
Esta observação não mereceu concordância da parte do presidente do Executivo ancorense, frisando Carlos Castro que cerca de 80% das suas obras tinham sido executadas na zona rural, dando como exemplos as ruas de Outeiro Negro, Vales e da Presa que será intervencionada proximamente
Quanto à Rua da Lomba, disse que a Câmara estava prestes a entregar a obra a um empreiteiro.
Admitiu, todavia, algumas dificuldades nas limpezas nas zonas rurais, nos acessos às bouças e campos, devido à insuficiência de funcionários. Referiu que, presentemente, estavam reduzidos a dois homens e uma mulher, quando num passado recente, possuíam 13 homens e seis mulheres.
Manuel Marques insistiria na necessidade de dar mais assistência e qualidade aos jardins da vila, esperando a Junta que a Câmara contrate uma empresa que dê resposta às carências de pessoal.
Surfistas importantes no apoio aos banhistas
Ao responder a algumas questões dos delegados sobre a época balnear, e vigilância das praias, nomeadamente na margem esquerda do rio Âncora (Manuel Marques chamou a atenção para o grande número de banhistas que aí se concentram), Carlos Castro respondeu que tudo está a "correr bem", com nadadores-salvadores vigilantes na zona da meia-laranja.
Chamou contudo a atenção para o facto de haver pessoas que não conhecem bem a zona marítima, o que deverá merecer cuidados redobrados, apontando três casos de turistas que se viram em dificuldades, sendo auxiliados a regressar à praia por surfistas.
Manuel Marques recorda passado
"O progresso foi e é evidente", assim se expressou Manuel Marques, actual delegado do PSD e ex-presidente de Junta, após ter citado uma série de obras desenvolvidas nos anos em que foi responsável pela autarquia.
Através dessa lista, Marques pretendeu rebater aqueles que dizem que nada se tinha feito no passado e que apenas agora estavam a concretizar projectos, reafirmando que "promovemos Vila Praia de Âncora e as suas gentes".
Ecopista Stº Isidoro-Meia Légua
A obra em curso da ecopista desde Stº Isidoro até à Meia-Légua, em Moledo, no valor de meio milhão de euros, a cargo da Polis, foi objecto de uma apreciação da parte do delegado socialista Filipe Fernandes, levando Carlos Castro, presidente da Junta, a referir que "nunca percebemos porque não se tinha feito essa ligação marítima", pelo que louvou o início dos trabalhos, três semanas antes desta reunião.
O mesmo delegado socialista voltou a pedir a relação do património da freguesia. Carlos Castro não forneceu cópias devido ao número elevado de folhas que constam desse dossier, mas trouxe esse conjunto de documentos que colocou ao dispor do interessado.
Desassoreamento do Portinho sem resposta
A questão do desassoreamento do Portinho mereceu um pedido de informação por parte de José Presa, presidente da AF, mas, o assunto já irrita o presidente da Junta, porque, justificou, "estamos fartos de promessas". Adiantou que junta e associação de pescadores tinham enviado um ofício à ministra do Mar, aguardando por resposta.
Presidente da AF desconhecia a LIFUCO
O presidente da Assembleia de Freguesia desconhecia a existência de uma organização designada LIFUCO (Liga dos Futuros Concelhos) e tentou encontrar na Internet alguma referência, sem que o tivesse conseguido.
Tudo porque tinha recebido uma carta dessa associação, convidando-os a juntarem-se na reivindicação de criação dos "concelhos necessários".
Como tal, perguntou aos delegados da AF se achavam que fazia sentido discutir esta eventualidade em próxima reunião, tendo sido então esclarecido por Idalina Lima que a LIFUCO "já existe há muitos anos", assegurando a existência de diversa correspondência na junta sobre esse assunto.