António Silva, presidente da direcção da Casa de Repouso do Bom Jesus dos Mareantes, prometeu um ano de "novidades" para 2015 e assegurou que esta instituição de solidariedade social será "a melhor do distrito dentro de dois anos", considerando-a já "a melhor do concelho".
No decorrer de uma assembleia geral em que foram apresentadas e aprovadas as contas e o relatório de actividades de 2014, foi realçado que em termos de empregabilidade, esta IPSS é a 2ª ou 3ª do concelho.
Este dado exige alguma reflexão sobe o tecido social e empresarial do concelho: das sete maiores instituições/empresas do concelho de Caminha, no que a número de funcionários se refere, a primeira é a Câmara Municipal, seguindo-se a Loja Continente Bom Dia e a Camipão, ambas em Vila Praia de Âncora, e as quatro seguintes são IPSS. Isto diz tudo do estado a que Caminha chegou.
"A casa é vista de outra maneira"
Mas voltando ao assunto da Casa de Repouso, Secundino Monteiro, tesoureiro da instituição, ao ler o relatório da gerência, apontou, entre outros pormenores, a vontade em assentar o trabalho da direcção na "credibilidade, seriedade e projectos", de modo a "marcar a diferença" em relação ao passado, baseados na divisa: "calar e trabalhar".
Recordou que nada os obrigava a apresentar as contas, mas optaram por o fazer - o que sucedia pela primeira vez -, dentro de um "espírito de bom ambiente e cordialidade", e na perspectiva de manter "bons relacionamentos de grande importância" para a Casa de Repouso.
Referiu que a partir de 2014, a Casa deixou de pagar IMI a que não estava obrigada mas que vinha assumindo anualmente porque nunca tinha sido pedida a isenção, a par de todo o IVA pago ser agora recuperado, tudo isto representando uma poupança de milhares de euros.
Vincou que o saldo do exercício tinha sido de 33.000€ e que se não tivessem em conta as depreciações, elevar-se-ia a 41.000€.
Secundino Monteiro referiu que, presentemente, "há lista de espera" para entrar neste lar e que a Segurança Social considera esta IPSS "acima da média de outras instituições" do distrito.
A expansão do lar para sul, à custa do jardim, encontra-se dependente dos pareceres do IGESPAR, após terem sido efectuadas prospecções arqueológicas.
Estatutos serão revistos

Todas as IPSS encontram-se presentemente num processo de revisão estatutário, por força de um decreto-lei, o que vai obrigar definitivamente a uma atitude frontal por parte da Confraria e Casa de Repouso, que, ano após ano, vinham protelando uma "urgência", conforme a definiu o irmão António Sobral Pereira.
Um advogado, com o apoio diocesano, encontram-se já a trabalhar sobre o documento a apresentar até final de Novembro à consideração dos irmãos, informou António Silva.
"Sabemos quem são"
Esta assembleia possibilitou à direcção esclarecer alguns pontos que vêm alimentando especulação desde o último acto eleitoral.
Em tom irónico, António Silva, "agradeceu aos cobardes anónimos" (chegou a apelidá-los de "sociedade anónima", pertencentes a associações que dizem estar lá para apoiar os necessitados, vincou) que enviaram cartas anónimas para o Ministério Público, Bispo, Diocese, Segurança Social, ministro das Finanças, primeiro-ministro, presidente da República e executivo da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (local de trabalho de António Silva).
E o agradecimento a que aludiu ironicamente, prendeu-se com a mudança do seu local de trabalho na agência de Caminha, para a administração distrital, o que não o prejudicou, frisou, atendendo a que "ganho mais do que ganhava".
Arquivamento
Acerca das queixas anónimas, o presidente da direcção referiu que a Segurança Social arquivou tudo, após a inspecção realizada, nem o Vigário-Geral, a quem foram chamados devido às denúncias, penalizou ou criticou a actual direcção.
E passou então a enumerar alguns problemas decorrentes do passado recente, dando como exemplos a aquisição de "uma tonelada de portas" em 2010, eventualmente a aplicar como medidas de segurança, mas que a protecção civil considerou estarem "ilegais".
Referiu que os trabalhadores (44, no total — a par dos avençados: médico, advogada, auditores) "sem férias há 2/3 anos", passaram a gozá-las e os utentes viram melhoradas as suas condições. Deu ainda como exemplo a disponibilidade manifestada perante a Segurança Social para admitir três pessoas sem recursos.
Dinheiro vivo acabou
Assinalou que, presentemente, não existe dinheiro vivo na instituição, tudo se processando através dos bancos, a par de todo o funcionamento se encontrar informatizado, nem ser exigido qualquer donativo às famílias dos utentes que ingressam no lar.
Destacou e existência de dois enfermeiros e um animador a tempo inteiro e que a estrutura do lar se encontra dividida em departamentos autónomos.
Fornecimentos das farmácias
Um assunto que gerou forte celeuma no decorrer da última assembleia eleitoral, foi o fornecimento de remédios por parte das farmácias de Caminha.
Segundo consta do relatório de contas de 2014, a Farmácia Torres forneceu cerca de 12.000€ em produtos farmacêuticos, e a Farmácia Beirão Rendeiro um pouco mais de 10.000€.