Na apreciação e votação da prestação de contas de 2014, a maioria socialista e a oposição social-democrata apresentaram visões diferentes dos números em análise.
Os socialistas enalteceram a capacidade demonstrada para emagrecerem a despesa em 3,4 milhões de euros, e os sociais-democratas lamentaram que o vereador Rui Teixeira tivesse referido na reunião a existência de um défice de 1,7 milhões, sem que ele tivesse ficado espelhado nos comunicados enviados para a imprensa.
Rui Teixeira, responsável pelas contas do Município, foi o primeiro vereador a usar da palavra, vincando que a execução do último ano tinha sido 75% do previsto em orçamento e não terem sido contraídos empréstimos. Fez finca-pé na contenção dos custos - com excepção do que tinha transitado do passado -, e nos 11 estornos realizados pelo anterior Executivo, a par de salientar o acompanhamento das contas por um ROC, o que sucedia pela primeira vez.
"Absoluta poupança"
Miguel Alves, ao comentar as contas, destacou em primeiro lugar que este era o primeiro ano em que elas eram da total responsabilidade do seu Executivo (em 2013, dez meses do ano foram geridos pelo Executivo "laranja").
Com a descida da despesa, os munícipes gastaram menos 2,4 milhões de euros, resultado da diminuição dos impostos e taxas e tarifas da água, frisou o presidente do Município.
Apesar da diminuição das despesas e da cobrança de impostos, o Município investiu 800 milhões de euros, essencialmente nas comparticipações camarárias nos projectos comparticipados.
Após ter sublinhado uma amortização à banca de 710.000€, e que pela primeira vez a despesa corrente era inferior à receita corrente, Alves disse ser este "o início de um caminho" já com resultados em 2015, ano em que estão previstos mais 20% em investimentos.
"Leram este relatório?"
O PSD não comungou das conclusões extraídas dos documentos enviados à oposição "com rasuras, escritos à mão e sem estarem rubricados", assinalou Liliana Silva, considerando o relatório "bom, do ponto de vista político" mas em que se nota uma "redução de um milhão de euros em investimento".
Questionou a maioria sobre se, de facto, tinham lido o relatório e enfatizou os dois milhões de euros deixados pelo anterior Executivo.
Liliana Silva perguntou quais as sentenças pagas em 2014 - numa referência aos processos judiciais de anteriores mandatos - e disse ter havido um aumento de gastos com pessoal. Em relação aos mais de 30 funcionários admitidos no quadro, antes das eleições de 2013, Liliana Silva refutou que isso tivesse representado um aumento de pessoa, porque "já cá estavam", atirou.
Esta vereadora insistiu no facto de, neste relatório, as dívidas das piscinas terem sido contabilizadas como de médio e longo prazo, quando no passado eram apresentadas como de curto prazo mas, nos comunicados camarários não tinha sido feita alusão a este facto.
Exemplos de diminuição de despesas
O PS não concordou com a apreciação aos resultados de 2014, replicando Miguel Alves que o saldo desse ano era positivo em cerca de 100.000€, salientando a diminuição da "herança", que se cifrava em Janeiro desse ano em 4,8 milhões de euros de compromissos por liquidar, os quais baixaram para 3,5 no final deste período.
Justificou a redução das despesas de capital porque "nem todas as candidaturas foram aprovadas". Em relação à falta de rubrica dos documentos, assegurou que isso só sucederia após a sua aprovação pela vereação.
O autarca avançou então com alguns números que explicariam a contenção das despesas:
Os honorários com advogados passaram a custar menos 90.000€ ( - 60%) ; consultadoria: - 16% ; publicidade e propaganda: - 100.000€ (exclusivamente para a Rádio e Jornal Caminhense em 2013, passando esta rubrica em 2014 para apenas 800€) ; animação cultural: - 126.000€ (- 22%)
O autarca falou ainda da diminuição considerável dos gastos em viagens ( - 22% em gasóleo) e estadias, definindo-os como "um esforço claro para investir mais e melhor no futuro".
No final da discussão, as contas foram aprovadas com os quatro votos dos edis do partido da "rosa", enquanto que os três vereadores sociais-democratas votaram contra, tendo apresentado uma declaração de voto em que justificaram a sua posição contrária.