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Presidente da Associação de Caçadores nega que Serra d'Arga seja "habitat" do lobo

Desidério Afonso assegura que lobos foram colocados em 2013

A realização de uma montaria organizada pela Associação de Caçadores da Serra d'Arga na tarde do passado Sábado, coincidindo com o debate sobre o lobo, em Arga de Baixo, levou a que essa simultaneidade tivesse sido considerada propositada, de modo a justificar a ausência da associação.

Desidério Afonso, presidente dessa associação, negou que essa coincidência tivesse sido deliberada.

Acrescentou que a Associação de Caçadores da Serra d'Arga deveria ter estado presente nesse sessão de esclarecimento, uma vez que "a associação tem que saber da existência ou não de repovoamento do lobo na Serra d'Arga".

Lobos vieram da alcateia de Santo António, da Gavieira

Entrando directamente no tema, Desidério Afonso foi peremptório em assegurar que "por acaso, eu sei muita coisa sobre esse assunto", dizendo que quem disse que o lobo chegou até aqui pelos seus próprios meios "mentiu", atendendo a que foi abordado pessoalmente em 2013 por quem os introduziu nesta montanha (pessoas das universidades de Aveiro e Porto).

Exemplificando, disse terem sido encontradas "câmaras de filmar na serra com o número de telemóvel deles", acrescentando que "até sei de que alcateia saíram esses lobos". Precisou que foi de Santo António, da Gavieira.

Em complemento das suas palavras, adiantou que uma fonte da Peneda-Gerês lhe terá confidenciado que, efectivamente, foram colocados vários lobos nesta serra e até sabe onde foram libertados.

Este caçador verberou as afirmações feitas nessa sessão de esclarecimento, porque ninguém acreditaria que o lobo viria pelo seu pé até à Serra d'Arga.

Rejeitou a ideia de que uma loba parida teria chegado até cá, insistindo que os animais tinham sido reintroduzidos deliberadamente, porque, "eu cheguei a vê-los".

Pronunciando-se sobre o "habitat" do lobo na Serra d'Arga, este deense apelidou de "ignorantes" os que afirmaram que ele sempre existiu nesta montanha.

No seu entender, dever-se-ia estudar primeiro os costumes e vivências dos habitantes, daí se concluindo seguramente que a população sempre o rejeitou.

Entende ainda que, actualmente, a Serra d'Arga não tem condições para ter lobos, por ser muito visitada, por pessoas que a percorrem a pé, ou de bicicletas (BTT), jipes e caçadores. Adianta que "o lobo tem de estar num sítio ermo", além de não existir qualquer raça de cão de guarda, ao invés do que sucede na Peneda-Gerês, Serra da Estrela ou Trás-os-Montes, onde esta espécie de canídeo prolifera.

Confrontado com transcrições atestando a presença deste carnívoro na Serra d'Arga, Desidério Afonso classificou-a de "passagem, alimentando-se na Serra d'Arga e seguindo".

"Eu próprio também vi lobos. Os meus avós contam-me histórias de 16 ovelhas mortas, das quais eu fui buscar duas para comer", mas "não existiam covis de lobos".

Contrastado com a existência dos fojos do lobo, como sucede no Alto do Cavalinho, insistiu que nunca existiram lobos "permanentemente", porque, nesse caso, "os pastores tinham que ter cães de guarda", o que nunca existiu.

"Em Janeiro, para o lobo, o cão é o melhor carneiro", diziam as pessoas da serra em referência à passagem do lobo e comendo os cães acorrentados.

"Nós não queremos ser um canil de lobos"

Desidério Afonso assegura, contudo, que "todos nós gostamos do lobo" mas, frisou, "deve estar no seu devido lugar", apontando os parques naturais como o seu "habitat" mais adequado, parques esses, que "nós todos pagamos". Diz que a existência de uma alcateia em cada parque natural seria o suficiente, porque "nós (Portugal) não queremos ser um canil de lobos", desabafou.

Entende que a insistência na disseminação dos lobos, "pode estar a contribuir para os matar, porque quem decide a sua aceitação, não são esses senhores, nem um organismo. É uma população inteira".

Deu o exemplo do que se passará em Espanha, em que o lobo já é uma espécie cinegética, porque já há uma praga de lobos na Galiza", assegurou.

Defende, por isso, a canalização de recursos para outras espécies em extinção na própria Serra d'Arga, dando como exemplos o rato do monte, a cobra bastarda ou o texugo, levando-o a insistir que a defesa do lobo não passa de um "floreado".

Lobo só caça javali em alcateia

Pedindo-lhe um comentário à hipótese de o javali poder constituir um alimento do lobo, e, como tal, não deveria ser abatido, Desidério Afonso disse que "desconhecem a situação", porque "só uma a alcateia é que pode agarrar o javali".

Expressa a mesma opinião sobre a possibilidade de um lobo poder caçar um corso. Nem sequer uma alcateia o consegue, garante. E aproveita para desmontar um filme exibido em Castro Laboreiro, em que se via uma alcateia a atacar um corso. "A menos que o corso estivesse ferido", sinaliza.

Dizendo-se conhecedor destas situações, assegura que nem duas dezenas de cães têm capacidade para dominar um corso, "quanto mais uma alcateia".

Desidério Afonso diz que tudo não passa de encenações e ninguém sabe mais do que ele sobre os hábitos dos lobos e os "comportamentos dos amimais do monte, porque nós estamos lá e somos amigos desses animais, daí que queiramos o lobo no seu sítio e não o queremos ver morto".

Explica que o lobo "mata por cansaço das suas presas", o que é inviável de suceder com os corsos e javalis, resultando que rejeita a apresentação destas espécies como alimento dos lobos.

Exemplificando o que se passa com os garranos e vacas, refere que depois de os cansar e cairem, começam a sangrá-los aos poucos, "até lhes retirar força". Admite que os garranos sejam a principal fonte de alimento dos lobos mas, quando estes acabarem - e já não há muitos -, eles não terão que comer, restando-lhes as ovelhas, cabras e animais de capoeira.

A hipótese de serem os cães abandonados (de matilha) a matarem o gado, em vez do lobo, não é uma hipótese que Desidério Afonso sustente. Justifica a sua ideia, pelo facto desses cães procurarem "o dono e a casa dele e não atacam", assegura. Tal como admite que possa haver gado que morra sem ser por acção do lobo, e ser colocado no monte a fim de ser comido pelas raposas, javalis e finalmente pelos lobos, de modo a que os proprietários beneficiem das indemnizações.

O facto destes lobos terem atacado o gado junto às casas, leva-o a pensar que se trata de espécies jovens, criadas em cativeiro, não temendo o homem, daí não fugirem dele.

Desde 2013, o presidente da Associação de Caçadores da Serra d'Arga já avistou cinco lobos (2+1+2), dois deles junto ao ValVermelho, em Dem e que deixaram que me aproximasse uns vinte metros deles", daí se provando que "são de cativeiro", reafirma.

Assegura que já há excesso de lobos no país. Cita o caso da Gavieira, que conhece bem, onde existem 3.500 vacas soltas e onde o lobo tem alimento. Defende que por se tratar de um parque natural, é correcto que existam lobos, os quais se situam nas partes altas do monte, espaços reservados para eles, e onde não é permitido realizar montarias ao javali, "o que se justifica", admite.

Segundo referiu ao C@2000, o lobo colocado na Serra d'Arga "vai ser eliminado", a tiro ou envenenado, o que colocará em perigo outras espécies.


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