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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
UM BARRIL DE PÓLVORA? PINHAL DA GELFA - MATA NACIONAL DESDE 1929
O Pinhal da Gelfa, Mata Nacional desde 1929, implantado entre o Forte do Cão e a Foz do Rio Ancora, ocupa uma área de cerca de 50 há. E incorpora, numa parte significativa, um interessante e rico cordão dunar. Em 1986, o Instituto de Conservação da Natureza, (ICN) passou a administrar a Mata Nacional da Gelfa e em Novembro de 1991, iniciou a reflorestação da referida Mata.
Em Fevereiro de 2001, Álvaro Oliveira, sobre este tema, escrevia assim: "Há alguns anos atrás, poucos, foram efectuados investimentos, suponho que apoiados por " fundos" da CEE. Lembro-me, de na altura, ter visto um painel, identificativo do projecto, ligado à referida Comunidade. Foram então, construídos um circuito de manutenção e outro de natureza, assim como um parque infantil e outro de merendas. Pouco tempo depois, (um, dois ou três anos…) tudo se começou a transformar e o estado actual da Mata e do Parque é confrangedor". Como cidadão interessado nos problemas que se relacionam com o Meio Ambiente, considerando este como a interligação entre o Homem, a Sociedade e a Natureza, em finais do ano passado (2000) Álvaro Oliveira enviou uma mensagem, em que denunciava esta situação de deplorável degradação do Património Natural, para diversas entidades relacionadas, pelo menos nominalmente , com os problemas ambientais. Curiosamente, (ou talvez não!), apenas recebeu uma resposta institucional, lacónica, mas simpática, da Presidente do IPAMB - INSTITUTO DE PROMOÇÃO AMBIENTAL, em que anunciava ter direccionado o "protesto", solicitando actuação, para o Instituto da Conservação da Natureza, por se tratar de um assunto da sua exclusiva competência.
O Serviço Consultor do Ambiente, do portal Naturlink, porém, é de opinião que"(...) a responsabilidade não é remetida para o ICN. A Mata da Gelfa pertence ao Concelho de Caminha e é o Municipio que tem a responsabilidade de disponibilizar meios para a recolha dos resíduos urbanos, pelo menos, se assim lhe for solicitado (…).
Mas, o que profundamente deixa Álvaro Oliveira, perplexo e entristecido, é o desinteresse genéricamente manifestado pelas entidades oficiais, nacionais e locais, em tudo o que diga respeito à qualidade ambiental do meio em que estão inseridas.
Caro leitor. Este relato do estado da mata da Gelfa, refere-se a Fevereiro de 2001. Em Junho de 2014, numa curta estadia em Vila Praia de Ancora, A Princesa do Ancora, com a sua Praia da Crianças, maravilhosa e segura, mesmo sem Bandeira Azul, resolvi dar um passeio pela Mata da Gelfa. Não há dúvida que saí de lá horrorizado, dado o estado daquela que é considerada o Pulmão do Vale do Ancora. Demasiada vegetação, trilhos cobertos de folhas secas, ausência total de qualquer conservação ou limpeza, enfim um caos, em comparaçã o com a a mata do Camarido, limpa, com trilhos definidos, vegetação cuidada, onde dá gosto passear.
E, perguntará o leitor. Porquê, a Mata do Camarido está limpa e a Mata da Gelfa não?. Não sei, ou melhor, eu sei. Porque as entidades que superintendem a Mata da Gelfa não se entendem e passam a vida a passar as suas responsabilidades de umas para as outras. A Eterna Burocracia…!
A continuar assim, agora que começou a época dos incêndios, não me admira nada, mas mesmo nada, que num dia ou numa noite, uma mão criminosa incendeie a mata da Gelfa, com os prejuízos para as populações do Vale do Ancora, do Hospital da Gelfa, do Complexo Hoteleiro da Sereia da Gelfa e do Parque de Campismo.
Por isso deixo um pergunta. Quem acode à Mata da Gelfa? No estado em que está, na minha modesta opinião, é um BARRIL DE PÓLVORA!. E no fim deste artigo, continuo sem saber a quem, de facto, pertence a MATA DA GELFA. Fico a aguardar uma resposta de quem de direito.
Desenvolver a Cidade Educadora sob a Ótica Filosófica
As Constituições Políticas, as leis de base de sistemas educativos e a legislação avulsa, normalmente, configuram as grandes orientações políticas para a educação, estabelecem objetivos, impõem as regras para o funcionamento do sistema e definem os instrumentos e critérios da respetiva avaliação, no contexto nacional.
Determinam, afinal, um curriculum oficial universal para o território, população, cultura e interesses subjacentes. Evidentemente que são indispensáveis diretrizes que visem promover, desenvolver e defender valores, conteúdos programáticos, práticas, metodologias, instrumentos de avaliação, em ordem ao bem-estar geral, à prosperidade da população e à coesão nacional
Também é essencial valorizar toda uma diversidade patrimonial, histórica e cultural de cada região, cidade, vila e pequenas localidades. Todas têm a sua história, as suas especificidades, porém, fazem parte do todo nacional, o qual enriquecem.
Desenvolver, no sentido de operacionalizar a cidade, vila, aldeia ou bairro, para a educação formal, certamente; mas também para a informal, instituindo os currículos mais adequados à interiorização e prática das atividades cívicas, políticas, institucionais, filantrópicas e altruístas será, porventura, um projeto que a nível das autarquias, em parceria com as escolas, provocaria significativas alterações no comportamento cívico das populações, contribuindo, sem dúvida, para uma maior e melhor participação na administração da cidade e no relacionamento comunitário.
A impreparação que se manifesta, por exemplo, no abuso do poder, na pequena "vingançazinha", e na discriminação negativa social, política, profissional e outras, por processos de exclusão, no acesso a determinadas oportunidades e situações, são os resultados mais visíveis e marcantes da falta de civismo, de formação ético-moral e de graves carências educativas ao nível da cidadania, direitos, deveres, liberdades e garantias, o que sempre acaba por produzir efeitos nefastos, na prosperidade da pequena ou grande comunidade.
Realmente: "A educação deve permitir exercitar os valores que tornam possível a vida em sociedade, particularmente no que respeita a todos os direitos e liberdades fundamentais e à aquisição de hábitos de convivência democrática e respeito mútuo. A educação deve também desenvolver sentimentos solidários para com os mais desfavorecidos, contribuir para suprimir a discriminação e a desigualdade, sejam estas por razões de nascimento, raça, sexo, religião e opinião." (PINTO, 2004:142-43, Apud Ministério da Educación y Ciência de Espanha).
Refletir sobre como desenvolver a cidade educadora, implica chamar à colação os cidadãos que, de alguma forma, têm responsabilidades legais, diretas ou delegadas, na conceção, execução e avaliação de políticas educativas locais.
Uma condição prévia relaciona-se, justamente, com a formação desses responsáveis, considerando-se, embora, não ser condição essencial e/ou exclusiva, porque pode haver formação no domínio educativo mas faltar a sensibilização, alguma experiência e disponibilidade para as diversas e muitas tarefas associadas à intervenção que é necessária, face aos objetivos que se pretendem atingir, no âmbito de um projeto cívico, suficientemente motivador e abrangente de toda uma população.
A participação dos cidadãos num projeto local com características cívicas, cuja finalidade se coloque no plano do contributo para o bom funcionamento de uma comunidade local, em harmonia, solidariedade e prosperidade, passa por uma estratégia de incentivos simbólicos e pela garantia de uma preparação sólida para o exercício de atividades políticas, institucionais, sociais, de lazer e ocupação prazerosa dos tempos livres de cada um, num ambiente de plena e responsável liberdade, que é fundamental ao relacionamento interpessoal e despreconceituoso.
Na perspectiva filosófica, o desenvolvimento e consolidação da cidade educadora, a partir dos poderes locais institucionais, pressupõe o apoio direto dos titulares dos diversos órgãos desses poderes, e a participação responsável de cidadãos, com a formação adequada, para os domínios da: cidadania e axiologia; ética e deontologia; moral; política, história, direito, sociologia, psicologia e religião, entre outros que se venham a considerar relevantes e/ou específicos para um determinado projeto, muito em concreto.
Todas as preocupações educativas e formativas, porém, devem pautar-se por um elevado grau de responsabilidade, cujo conceito se pode traduzir pelo: "(…) reconhecimento da autoria e aceitação das consequências dos seus actos. São manifestações de responsabilidade assumir intensa, plena e voluntariamente suas decisões, responder leal e corajosamente pelos seus cometimentos, prestar contas dos encargos ou obrigações, sofrer críticas, defender direitos inerentes ao merecimento. A educação do senso de responsabilidade é tarefa heróica, pois exige autoridade e maturidade dos educadores." (SCHMIDT, 1967:14).
Bibliografia
PINTO, Fernando Cabral, (2004). Cidadania Sistema Educativo e Cidade Educadora. Lisboa: Piaget. Apud, Ministério da Educación y Ciência de Espanha
SCHMIDT, Maria Junqueira, (1967). Educar para a Responsabilidade, 4ª edição, Rio de Janeiro RJ: Livraria Agir Editora
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