Em 29 de Setembro o povo exerceu o seu direito,
De votar a favor ou contra ou dar na alta abstenção,
Decidir da lista, da preferência a este ou aquele sujeito,
Que governara, a freguesia, o concelho, com isenção.
Mas afinal, quem levou a melhor, terá o poder de mandar,
De olhar, para a frente, para traz e de enfrentar a realidade,
De contar os buracos, de fazer contas, e afinal de reparar,
Os desvios mais ou menos camuflados pela arbitrariedade.
Impostos, são a acumulação dos dinheiros públicos, pertencentes,
A quem votou ou não e, assim decidiu do futuro, do rumo da nação,
Mas quem os governa são acumuladores de riquezas ascendentes,
Que não olham à cor, ao perfume, do dinheiro, mas à roleta em profusão.
O frenesim da campanha eleitoral, mesmo em tempo de crise, não teve travão,
Antes, faltava o dinheiro para ajudar, assistir o doente, e, até o desempregado,
Mas ai estava o banco alimentar, para caridosamente suprir com o cabaz na mão,
Mendicidade, eis o programa com que assanharam ao povo o advir em mar calhado.
Noutros tempos a coisa dava o seu efeito e assim mantinham a sociedade,
Mas a experiência foi-se acumulando enquanto riqueza e conhecimento,
A sociedade mudou e esses métodos já não tem assento na actualidade,
Só servem de rastilho molhado, de fumaraça nas furnas do aviltamento.