O trabalho em equipa é uma característica cada vez mais acentuada na sociedade contemporânea. Hoje, mesmo os trabalhadores soberanos, autónomos, isolados, sem empregados, não trabalham absolutamente sozinhos, até pela simples razão de que ninguém é totalmente independente, na medida em que todos precisam de todos.
O trabalho isolado, sem qualquer ligação à realidade, sem nenhum tipo de intercâmbio com outros profissionais e sem validação dos respetivos resultados torna-se, praticamente, impossível, na media em que qualquer que seja a área técnico-científica de intervenção, os recursos investidos e os meios utilizados, haverá sempre a conveniência e a necessidade de se receberem os contributos e a cooperação de outros domínios do conhecimento, mesmo quando estão em causa objetivos específicos de um determinado sector de intervenção, na circunstância, quando os objetivos a atingir são de natureza social, no sentido de resolver situações de pessoas e/ou de grupos carenciados, ou passando necessidades temporárias.
As Comissões Sociais de Freguesia, compostas por diversos técnicos, de áreas especializadas, perseguem objetivos bem definidos, diretamente relacionados com o bem-estar das pessoas carenciadas, desenvolvendo, para o efeito, as diligências adequadas e aplicando as técnicas e os recursos disponibilizados em cada momento.
Tais Comissões, constituem, pois, verdadeiras equipas de trabalho, onde cada elemento desempenha funções previamente estabelecidas, visando o mesmo objetivo comum e sob a coordenação e/ou presidência de uma mesma entidade.
Independentemente da entidade que cada elemento da equipa representa, do seu estatuto sócio-profissional e de quaisquer títulos académicos e/ou honoríficos, importa que determinados conceitos estejam presentes, desde logo: o espírito de missão; o sentido de justiça; o rigor na execução das tarefas; a isenção face a eventuais interesses particulares e/ou coletivos; o sigilo das informações obtidas, no exercício das respetivas funções, e mesmo fora delas; uma atitude de respeito e consideração pela dignidade da pessoa carenciada; a utilização de meios e técnicas que não ofendam nem humilhem a pessoa e/ou grupo necessitado.
Gerir uma equipa com características tão diversificadas, entre os seus elementos, representando instituições de diferentes origens, com competências, por vezes, extremamente complexas e situadas em patamares distintos, numa hierarquia rigidamente estruturada, é uma tarefa difícil e, tanto mais complicada quanto maior for a autonomia, conhecimentos e posição de cada membro, no seio da instituição que representa.
O gestor de uma equipa de trabalho, numa Comissão Social de Freguesia, quaisquer que sejam os seus conhecimentos, sobre a matéria em apreço, não pode, porém, ignorar que cada elemento da Comissão deverá ser sempre considerado como um colaborador necessário, competente, e empenhado, pelo menos até prova em contrário.
Trabalhar em equipa, atualmente, é a situação cada vez mais desejavelmente comum. As instituições organizam-se em função desta nova forma de desenvolver as suas atividades. O trabalho em equipa é referido na maioria das ofertas de emprego, e o candidato a um lugar, numa qualquer empresa, tem de estar preparado para se integrar na respetiva equipa, comungando de princípios, regras, valores e objetivos próprios da equipa.
Igualmente é sabido que uma equipa constituída por pessoas competentes, motivadas, com altos níveis de produtividade, quer em quantidade, quer em qualidade, é merecedora do reconhecimento público em geral e, particularmente, das respectivas chefias, que assim depositam confiança e lhes transferem poder e recursos.
É neste contexto que o gestor da equipa vai trabalhar e tem de saber que: "Acompanhar esta tendência no sentido de trabalhar em equipa tem requerido uma enorme transferência de autoridade e de responsabilidade. As equipas podem tomar praticamente qualquer decisão numa organização: encomendar materiais de fornecimentos, agendar o trabalho, gerir a manutenção, testar a qualidade do produto, até contratar e despedir." (WILSON & LOSDGE, 1993:223).
Como em qualquer pessoa, grupo ou organização, também as equipas de trabalho, seja qual for a natureza deste, têm os seus problemas e dificuldades, conflitos que devem ser resolvidos, ultrapassados e não mais repetidos.
Naturalmente que uma equipa de trabalho tem as suas próprias normas, o seu regulamento de funcionamento, que devem ser do conhecimento profundo de todos os membros, sendo desejável que numa das suas primeiras reuniões se elaborem e aprovem tais normas, vulgarmente compiladas num Código de Conduta e/ou num Regulamento Interno.
Quando a equipa é constituída por elementos que proveem de outras organizações, considera-se como boa prática, na elaboração do referido documento, uma concepção eclética, de forma que cada um possa dar à sua nova equipa o que de melhor teria na equipa anterior.
A existência de normas bem claras, objetivas e consensuais permite: não só uma maior coesão do grupo; mas também a resolução de conflitos, podendo-se, inclusivamente, prever no seio da equipa, uma espécie de comissão disciplinar. Por isso: "Quando é constituída uma equipa de resolução de problemas as normas que ela estabelece podem ter uma influência decisiva no desenrolar do seu trabalho. Os membros do grupo trazem consigo normas de outros grupos em que estiveram envolvidos." (Ibid.:114).
Gerir equipas, na circunstância, Comissões Sociais de Freguesia, cuja incumbência legal cabe ao respetivo Presidente da Junta de Freguesia, constitui uma missão algo complexa, que requer preparação adequada em vários domínios, e um cuidado muito especial no relacionamento com os restantes membros que integram a Comissão.
Nesse sentido, o gestor da equipa deve preparar-se e estar atento a certos requisitos básicos, dos quais se destacariam os seguintes:
a) Ambiente físico - O local de trabalho, ao nível de reuniões, secretariado, estudo, investigação, mobiliário, equipamentos, instalações, pessoal de apoio, material logístico, tudo deve estar previsto e em boa ordem, de forma a facilitar a realização e bom andamento dos trabalhos;
b) Normas do Grupo - Regras básicas, aceites pelo grupo, devem ser passadas a escrito, tal como se de um Regulamento Interno se tratasse, naquelas devendo constar todas as formas e meios para solucionar aspetos-problemas que, no decorrer dos trabalhos, por exemplo, numa reunião, possam surgir;
c) Respeitar o Grupo - A atitude de respeito, desde logo, a começar pelo chefe da equipa ou pelo Presidente da Comissão, o que implica saber escutar, aceitando o princípio, segundo o qual, toda a gente tem direito à sua própria opinião. A escuta ativa pressupõe atenção face a quem fala e ao que está a ser dito, exclui preconceitos e juízos de valor, e favorece a compreensão e a elaboração de melhores pensamentos.
A gestão de equipas de trabalho, para além da coordenação de pessoas, equipamentos, recursos e situações, também envolve, designadamente ao seu nível a resolução de problemas. Um dos modelos possíveis para resolver problemas é identificado pela sigla ARIDE que significa um processo com as seguintes fases:
1) Abordar o problema, que consiste afinal em reconhecê-lo como tal, verificar que de facto ele existe e circunscrevê-lo à sua dimensão;
2) Registar os factos, que em princípio devem ser determinados pela equipa, e vão permitir compreender melhor o problema;
3) Informação que visa proceder à recolha do maior número possível de elementos, seleção dos dados obtidos e análise dos mesmos;
4) Decidir a partir das soluções, eventualmente encontradas que respondem aos factos que elas tenham reunido;
5) Efetivar a solução escolhida, elaborando formas de a implementar e um método para avaliar o seu impacto, a partir da recolha de dados e da identificação de um pequeno número de indicadores-chave que mostrem se as recomendações da equipa foram, ou não, bem-sucedidas. A avaliação integra esta ultima parte relacionada com a efetivação.
Por fim deve ser elaborado um Relatório que no mínimo conterá três elementos ou aspectos fundamentais:
"a) Apresentação física; b) Cópias do material utilizado na apresentação; c) Um documento de apoio contendo os dados e outra informação relevante."
(Ibid.:162). O gestor de uma equipa de trabalho, no quadro legal das competências da Comissão Social de Freguesia, deve ter sempre bem presente que para além da Comissão, a que preside, outros grupos se podem constituir, visando objetivos sociais, sendo normal que qualquer membro da Comissão desenvolva atividades nesse sentido, na medida em que: "O profissional do Serviço Social ao intervir junto às entidades e associações voluntárias faz intenso uso do trabalho com grupos." RODRIGUES, 1981:35).
Bibliografia
RODRIGUES, Maria Lúcia, (1981). O Trabalho com Grupos e o Serviço Social, 3ª ed. São Paulo: Moraes
WILSON, Graham & LODGE, Derek, (1993). Resolução de Problemas e Tomada de Decisão. Inovação -Trabalho em Equipa. Técnicas Eficazes. Trad. Isabel Campos. Lisboa: Clássica Editora
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo