No dia 14 de Maio, celebrou-se no Porto o primeiro centenário da inauguração do Café Java, pertencente a dois Deenses, José Martins e Paulo Gonçalves. O café, localizado no centro do Porto, na conhecida Praça da Batalha, é um dos míticos pontos de encontro dos artistas portuenses por se encontrar junto ao Teatro São João. O momento não era para menos e, por isso, os dois sócios Deenses garantiram que a celebração deste aniversário marcasse um dia diferente na cidade do Porto, apresentando um cartaz recheado de várias actividades.

O início da tarde começou com a actuação da Tuna Académica de Engenharia da Universidade do Porto, recordando músicas bem conhecidas por todos os estudantes da Academia, também frequentadores do Café.
Os convidados foram mais que muitos. O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, acompanhado por alguns dos seus veradores, marcou presença e foi o responsável pelo descerramento da placa comemorativa.
Eram várias as caras conhecidas que se perfilaram neste dia, como o Dux Veteranorum Américo Martins da Universidade do Porto, o professor universitário e político Paulo Morais, o actor portuense António Capelo, o escritor e cronista portuense Hélder Pacheco, o arquitecto Correia Fernandes entre muitos outros que não quiseram faltar a este momento que marcou certamente a história da cidade do Porto.
Houve também lugar para algumas palavras do Presidente da Câmara do Porto que se congratulou pelo convite feito pelo Café Java, referindo-se a ele como uma "marca da cidade" e tendo aproveitado o momento para manifestar a sua intenção de trazer mais portuenses para a cidade do Porto.

Um dos donos do Café, José Martins, também dirigiu algumas palavras aos convidados, agandecendo a sua presença e não escondendo o orgulho de ser proprietário de um Café tão emblemático da cidade invicta, no seu centenário.
Júlio Couto, historiador, fez uma contextualização histórica do Café Java e da sua importância, recordando alguns momentos engraçados. Um desses, foi a existência de "plaqueiros", uma figura do século passado e que se encarregava de arranjar pessoas para bater palmas no Teatro São João, quando se previa pouco público. Referiu que o "plaqueiro" se encontrava sempre no Café Java e que um bilhete que custava 5 escudos passava a custar 25 tostões, com a condição de que se batesse palmas apenas quando ele indicava.
Um outro hábito descrito, foram as tertúlias do café, que actualmente se vêm perdendo, mas antigamente, eram muito comuns. O Café Java era conhecido pelo café dos artistas, pelo que quando se queria encontrar um deles, sabia-se onde se procurar pois todos se encontravam no mesmo local para trocar ideias e conviver.

O historiador Júlio Couto brincou um pouco, dando os parabéns a um dos proprietários, José Martins, por ter celebrado 100 anos de Piolho e 100 anos de Java, pelo que já vai em 200 anos de festejos. Recorde-se que, no ano passado, o C@2000 noticiou aqui o centenário do Café Piolho no Porto, propriedade tambem de dois Deenses.

A cerimónia terminou com a degustação do bolo de aniversário do Centenário, a actuação do Grupo Etnográfico do Orfeão do Porto, e uma sessão de poesia sobre a cidade do Porto a cargo do actor António Capelo, culminando os festejos com fogo de artifício.