|
Duna dos Caldeirões aguarda por decisões da Agência Portuguesa do Ambiente
Erosão acentua-se e Câmara de Caminha quer "situação resolvida até Maio"
Campo de Jogos em risco
Jorge Fão pede informações ao Governo
Enquanto que o mar continua a desgastar o cordão dunar entre Vila Praia de Âncora e Âncora, temendo-se de imediato pelo futuro do estádio "Paulino Velho Gomes", autarquias, pescadores e ambientalistas reclamam medidas que permitam restaurar parte da duna derrubada pelo mar e defendam esta zona da costa.
Na passada Segunda-feira, o director da Agência Portuguesa do Ambiente Norte deslocou-se ao local, analisando o desaparecimento de cerca de 50 metros de duna, através da qual desagua agora o rio Âncora.
 António Garrido
Fenómeno idêntico (ligação do rio ao mar) já tinha sucedido entre Janeiro e Abril de 1990, quando se iniciou um processo de derrube da duna, situação que se prolongou até ao Verão.
 Foto: Nuceartes 1990
A abertura de um canal que permitisse ao Rio Âncora voltar a desaguar junto à praia da Av. Ramos Pereira, gerou então forte controvérsia.
O responsável pela ex-ARH-Norte constatou esta semana a necessidade de uma intervenção, precedida de um estudo da situação existente, comprometendo-se por conseguinte a trazer até ao estuário do rio Âncora e à Duna dos Caldeirões um especialista na matéria (Veloso Gomes), segundo revela a Câmara Municipal de Caminha.
"É urgente restaurar o curso do Rio antes do Verão", frisou Guilherme Lagido, vereador com os pelouros do Ambiente e Protecção Civil, adiantando ser "esta uma situação que tem de ficar resolvida até Maio", antes do início da época balnear, advertiu.
Esta zona tem merecido a curiosidade de muitas pessoas, pretendendo constatar ao vivo o "buraco" criado pelo mar que entra pelo rio Âncora adentro, com principal ênfase nas preias-mar.
Jorge Fão pede urgência ao Governo
Este caso já chegou à Assembleia da República através da voz do deputado socialista Jorge Fão, perguntando ao Governo se considera a uma "emergência" a intervenção a realizar na Duna dos Caldeirões, se possui condições "técnicas e financeiras" para avançar com ela, e se está em curso "algum estudo/trabalho de monitorização e avaliação técnica e científica sobre as possíveis causas do agravamento da erosão dunar nesta zona da costa".
De Segunda a Sábado
A erosão acentuou-se significativamente entre Segunda-feira e o dia de hoje (Sábado), como se pode constatar.
Nesta Sábado de manhã (12H15), as águas encontravam-se a escassos sete metros do muro de vedação do campo de jogos do Âncora-Praia Futebol Clube.
O passadiço de madeira que parte desde o acesso a este estádio até ao mar, já se encontrava parcialmente derrubado devido ao avanço do mar, registando-se ainda a destruição de estruturas de apoio (postes, canos e cabos) a este equipamento desportivo situados na sua parte exterior, por efeito das ondas e do seu embate com a água que o caudaloso rio Âncora transporta para jusante.
Moradores das cerca de 10 habitações existentes nas Águas Férreas, em Âncora, na margem esquerda do rio Âncora, temem pelo seu futuro se a situação se agravar, conforme nos referiram esta manhã.
Notícia de última hora
Agência Portuguesa do Ambiente promete dois tipos de intervenção
Geotubos na praia de Moledo até ao Verão
Responsáveis da Agência Portuguesa do Ambiente (ex-Ministério do Ambiente) visitaram na tarde de hoje a situação crítica na Duna dos Caldeirões, após a ruptura do cordão dunar por acção do mar.
Na margem esquerda do rio Âncora, junto ao campo de futebol do Âncora-Praia Futebol Clube ameaçado pelas ondas que invadem este curso de água, Miguel Alves, presidente do município caminhense fez o ponto da situação perante os responsáveis e técnicos (entre os que se encontrava o especialista Veloso Gomes) da APA.
Após caracterização das alterações verificadas desde há duas semanas neste ponto da costa ancorense, decorreu uma reunião na Câmara Municipal de Caminha, na qual foram delineados os planos de intervenção a curto e médio prazo.
No imediato (nos próximos dias), será defendida a margem do rio Âncora junto ao lado norte do muro de vedação do campo de jogos "Paulino Velho Gomes", e reaberta a foz do rio Âncora em frente da Av. Ramos Pereira, a qual se encontra obstruída pela areia transportada pelo mar e pela alteração do curso do Âncora que desagua presentemente através da duna destruída pela ondulação.
Pimenta Machado, director da APA-Norte, no final da reunião mantida na câmara, não revelou quais as medidas concretas a tomar, mas vincou a necessidade de actuar rapidamente na margem desgastada e, a médio prazo, recuperar a parte do cordão dunar interrompido, tudo dependendo de um estudo e projecto que pretendem candidatar a fundos próprios, de modo a que antes do Verão a praia das Crianças esteja normalizada.
Estas preocupações foram feitas sentir por Miguel Alves junto dos responsáveis e técnicos do Estado, de modo a garantir a segurança de pessoas, habitações, equipamentos e do próprio meio ambiente alterado pelo desgaste provocado pela ondulação violenta.
O autarca frisou que compete ao Estado assumir e realizar as intervenções necessárias na defesa da orla marítima, e que poderá contar com o apoio que o município, dentro das suas possibilidades e competências, concederá na solução destes problemas.
O C@2000 insistiu junto de Pimenta Machado para o risco que se corre na margem do rio, junto ao campo de futebol, no caso de se manterem os temporais e não haver uma actuação célere, ao que este respondeu estar empenhado em agir nos próximos dias, embora sem apontar quais os trabalhos exactos a encetar.
Colocação de geo-tubos em Moledo até ao Verão
Pimenta Machado a perguntas dos jornalistas, revelou ainda que a instalação de geo-tubos na praia norte de Moledo (entre o paredão e o moinho), prometida há mais de dois anos para defesa dunar, se iniciará logo que haja condições climatéricas favoráveis, garantindo que estará concluída antes da próxima época balnear.
O C@2000 continuará a acompanhar este processo de erosão da orla costeira caminhense.
(Actualização: 21H30 - 17/Fev/14)
|