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Vila Praia de Âncora

Muito concorrida a inauguração da exposição sobre o arquitecto José Porto em Vila Praia de Âncora

Decorreu com assinalável assistência a inauguração da exposição sobre o arquitecto José Porto no passado Sábado, 8 de Fevereiro, no Centro Cultural de Vila Praia de Âncora, uma co-organização do Centro Social e Cultural ancorense e do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense. Entre os muitos presentes, contaram-se o vice-presidente da Câmara Municipal de Caminha, Guilherme Lagido, o deputado Jorge Fão, os presidentes das juntas de freguesia de Vila Praia de Âncora, Vilar de Mouros, Caminha-Vilarelho e Lanhelas e figuras públicas nacionais como Alberto Martins (líder parlamentar do Partido Socialista, e que, curiosamente também marcou presença na inauguração desta mostra há dez anos, em Vilar de Mouros), Strecht Ribeiro e o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que, de passagem pelo concelho, vieram também apreciar a mostra sobre o arquitecto modernista nascido em Vilar de Mouros.

Em breve alocução como anfitrião, José Luís Presa, Director do Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora, agradeceu a presença de todos e enalteceu a importância desta iniciativa conjunta de duas associações de diferentes freguesias do concelho, unindo esforços em prol da cultura e do conhecimento. Por sua vez, Paulo Torres Bento, em representação do GEPPAV, recordou a primeira exibição da exposição "José Porto (1883-1965). Desvendando o Arquitecto de Vilar de Mouros", em 2003, na Oficina Fontes, em Vilar de Mouros, chamando contudo a atenção para o facto desta mostra integrar uma nova zona expositiva, fruto de pesquisas recentes, sobre as ligações do arquitecto vilarmourense com Vila Praia de Âncora. Entre 1952 e 1962, José Porto aqui projectou diversas moradias — entre as quais a residência Alfredo Pinto, na Praça da República —, empreendeu os primeiros trabalhos de planeamento urbanístico de Vila Praia de Âncora e, facto menos conhecido, foi o responsável, em 1962, pelo projecto do monumento ao senador Luís Inocêncio Ramos Pereira que viria a ser inaugurado em 1970.

Após a abertura da exposição, que ficará patente ao público até ao dia 23 de Fevereiro, seguiu-se uma conferência pela jovem arquitecta caminhense Carla Almeida, que apresentou pela primeira vez no concelho a sua tese de mestrado, há poucos meses defendida na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, intitulada "José Porto: Um percurso na arquitectura portuguesa". Dividido em duas partes complementares, o estudo académico de Carla Almeida começa por percorrer o multifacetado e cosmopolita trajecto artístico de José Porto — da Suíça e Paris a Moçambique, passando pelos projectos na cidade do Porto e na região Norte —, confrontando os seus trabalhos de ilustração, pintura e arquitectura dos anos 20 a 40 com o contexto da evolução das vanguardas modernistas das primeiras décadas do século XX, de Matisse a Le Corbusier. Seguidamente, centra-se na análise de quatro projectos de moradias unifamiliares da primeira, e mais interessante, fase da obra de José Porto: Casa de Nevala (1934, Porto), Casa Ananias (1934, Caminha), Casa Prata de Lima (1937, Porto) e, finalmente, Casa Manoel de Oliveira (1940, Porto), a residência concebida para o centenário realizador que foi recentemente objecto de classificação patrimonial. Realçando as soluções estruturais comuns entre os vários projectos, contemporâneos entre si e resultantes de encomendas de clientes da burguesia nortenha, Carla Almeida não deixou todavia de assinalar a maior identificação da moradia caminhense, Casa Ananias, com o programa modernista corbusiano, bem como a maior folga económica e liberdade criativa de que José Porto beneficiou na Casa Manoel de Oliveira, permitindo-lhe arriscar soluções estéticas inovadoras e arrojadas para uma casa original, aberta à luz e à natureza, que pode inscrever-se no referencial de um Frank Lloyd Wright.

No final da aplaudida apresentação, alguns dos presentes tiveram ainda a oportunidade para colocar questões diversas relativas ao arquitecto vilarmourense, recordando facetas do seu percurso pessoal e profissional, como sucedeu com o médico ancorense Alfredo Pinto, que evocou da memória familiar histórias curiosas da época da construção da residência da Praça da República.

"Fiquei encantado"

Pedimos a Marinho Pinto uma apreciação "jurídica" a esta mostra, respondendo a esta pequena "provocação" com uma gargalhada, e dizendo que "não tem juridicidade nenhuma", tratando-se simplesmente de "estética, pura arte, criatividade, e fiquei surpreendido porque não conhecia José Porto embora tivesse uma referência deste nome mas, sem o associar à arquitectura".

Marinho Pinto referiu ainda ao C@2000: "fiquei espantado com esta mostra, só me restando elogiar este trabalho de levantamento do património português e desta terra", em referência ao Minho, Vilar de Mouros e Vila Praia de Âncora, manifestando assim o seu apreço pelo trabalho desenvolvido por quem montou esta exposição, exortando-os a continuar a "defender o seu património", representando "o que de melhor tem a identidade nacional", assegurou.

Fotos António Garrido


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