O Portinho e as Camboas foram severamente castigados pela forte ondulação que varreu estes dois locais da orla marítima de Vila Praia de Âncora durante a preia-mar de ontem.
Maria da Quinta, de 81 anos, proprietária de uma arrecadação numa das leiras a nascente da estrada das Camboas, enquanto que tentava recuperar os haveres espalhados nas imediações da construção destruída pelo mar, dizia-nos que "a minha mãe recordava-se de que uma vez o mar tinha chegado até perto deste barraco, mas nunca disse que tinha acontecido uma coisa igual à de agora".
As ondas ultrapassaram a estrada, entrando uns bons 80 m pelas leiras. Os muros de duas delas foram derrubados, as culturas agrícolas e os montes de sargaço destruídos. O equipamento urbano foi arrancado (bancos e papeleiras) e as pedras e chorões encontravam-se espalhados pela estrada.
Na rua Raul Brandão, a água entrou uma boa dezena de metros, causando pânico aos moradores.
Na rampa do varadouro norte, o lixo e as pedras chegaram acima da cabine do guincho.
Pedras com muitas toneladas foram deslocadas do molhe norte tombando sobre o acesso a esta estrutura de defesa do porto de pesca, e algumas delas caíram dentro do porto, o que poderá implicar futuramente um perigo para a navegação.
A Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora, veio dar conhecimento "da queda do passadiço que dá acesso ao pontão móvel do portinho sul de Vila Praia de Âncora na noite do dia 6 de Janeiro de 2014 na preia mar".
Esta associação acrescenta que "a queda do respectivo passadiço que dá acesso ao pontão móvel priva os pescadores profissionais e desportivos de ter acesso às embarcações para vistoriar as amarras (cabos) das respectivas amarrações ao cais de embarque e escoar as águas da chuva".
Referem que "esta situação põe em causa mais de 14 embarcações, sendo a maioria barcos de pesca artesanal, colocando em causa a sobrevivência de mais de 20 famílias de pescadores profissionais".
Segundo nos referiu um dos pescadores ancorenses logo na manhã de hoje, "desde o dia oito de Dezembro que não vão ao mar", pelo que esta situação agora criada pela intempérie, a par do assoremanto progressivo da barra e interior do portinho, vem dificultar a faina dos pescadores, se não mesmo impedi-la, quando as condições do mar permitirem que possam voltar à sua actividade normal.

Guilherme Lagido, vereador responsável pela protecção cívil, referiu ao C@2000 que irão pedir uma reunião de imediato com o IPTM, a fim de realizar um balanço dos destroços e prejuizos registados, e das consequências para a pesca.
Desde a manhã de hoje que os serviços camarários de obras e limpezas, procederam à remoção do lixo, pedras e água dos locais atingidos violentamente pelo mar.
Coincidindo com a preia-mar do fim da tarde de hoje, ondas com mais de dois metros invadiram a zona norte das Camboas, em V.P. Âncora,lançando pedras, seixos, vegetação e lixo sobre a estrada marginal, chegando a atingir a vegetação existente a nascente do passeio.
Em Moledo, o mar investiu na zona do regato das Preces, lançando areia sobre a estrada. As ondas chegaram também até ao bar de apoio à praia existente a norte do paredão.
A Câmara de Caminha interveio durante a noite, limpando as duas faixas de rodagem das Camboas cobertas de pedras e vegetação, bem como removendo a areia acumulada no pontão do Rego das Preces.