A construção de um novo Centro de Dia com recurso às verbas (273.000€) que a Junta de Freguesia deverá receber (algum dia) da Euroscut, em consequência dos terrenos baldios expropriados para a passagem da A/28 no ano de 2006, é uma aposta autárquica para este ano e seguintes, mas este objectivo não é consensual.
O actual Centro de Dia funciona nas instalações da Casa do Povo, mas o desejo de construção de um edifício de raiz vem sendo uma aspiração antiga.
No Plano de Actividades de 2014 aprovado em assembleia de freguesia pela maioria socialista (5-3 abstenções, dado que delegada Teresa Guerreiro eleita pela lista independente não compareceu), o início deste processo estava contemplado, mas a avaliar pela reacção de Matilde Lages, simultaneamente delegada independente neste órgão autárquico e presidente da Casa do Povo, a aposta actual desta instituição passa pela criação da valência de apoio domiciliário.
Josefina Covinha, actual presidente da Junta saída das últimas eleições, recordou, a propósito deste assunto, que, durante a campanha eleitoral, a própria Casa do Povo apontava para a construção de um Centro de Dia de raiz, conforme tinham transmitido à sua candidatura.
Perante esta nova posição, a autarca socialista disse que iriam "reanalisar" a situação.
Aliás, a Casa do Povo voltou a requerer alguma discussão, devido à atribuição de subsídios pela Junta.
"É pouco comparado com outras", referiu Matilde Lages, ao referir-se aos 200€ contemplados no Orçamento/14, pedindo 100€/mês para pagamento do gasóleo, embora admitisse que o executivo local tivesse dificuldades em assumir essa importância devido à "conjuntura" económica.
Aristides Ramalhosa (independente) considerou "confuso" os subsídios incluídos em orçamento para a Corema e Furamontanhas, levando Josefina Covinha e Emília Roda a explicar-lhe que estas colectividades apenas recebiam os apoios (não propriamente subsídios), de acordo com as actividades que desenvolvessem, havendo ocasiões em que nada lhes tocava, como sucedeu em anos transactos com a Corema.
No meio da discussão, Teresa Dantas (PS), respondendo às interpelações dos independentes, acentuou que "não podemos valorizar ou desvalorizar quem quer que seja", porque todas as associações são da freguesia e não tem fins lucrativos.
Ministério do Ambiente prejudica Lanhelas Futebol Clube
Uma reunião mantida entre a Junta de Freguesia e a direcção do Lanhelas Futebol Clube, a pedido desta, a fim de discutirem as formas de apoios futuros ao clube, acabou por suscitar polémica devido às perguntas suscitadas por José Pedro Fernandes. Este delegado independente - simultaneamente membro da direcção do Lanhelas Futebol Clube - desconhecia a existência desse encontro, daí resultando a colocação de algumas questões à junta, mas que estavam ultrapassadas pelo resultado da reunião entre ambas.
Josefina Covinha teve de explicar o resultado desse encontro, no qual ficou estabelecido que quer o Futebol, quer a Banda receberiam subsídio idêntico. A autarca dera conta aos responsáveis do Lanhelas que iriam deixar de receber a renda do bar do Rio, porque o Ministério do Ambiente vinha reclamando o pagamento de 150€ mensais pela cedência do espaço ribeirinho desde Janeiro de 2013 - o equivalente a metade da renda -, pelo que já deveriam 1.800€ ao Estado.
Apesar dos apelos da anterior junta, alegando que o dinheiro da renda do bar era direccionado para uma associação sem fins lucrativos e que no passado nunca tinham pago qualquer importância, o Ministério do Ambiente (agora transformado em Agência Portuguesa do Ambiente) não foi sensível a esse facto e continua a exigir o pagamento da concessão da área.
Perante esta irredutibilidade, Emília Roda desabafou: "Andamos a roubas uns (Estado) aos outros (Junta)".
Em concreto, a Junta assumirá as despesas com a electricidade do campo de jogos Ilídio Couto.
Actividades da Junta
Aproveitando esta primeira reunião do mandato, Josefina Covinha deu conta das actividades desenvolvidas nos primeiros dois meses, em que o mau tempo obrigou a diversas diligências.
Enxurradas na Ramalhosa, a queda de um muro na Rua da Liberdade e outras derrocadas, e a existência de uma saída de água tendo como origem a obra da A/28, em S. Martinho, foram algumas das situações analisadas com o vereador responsável pela protecção civil.
Refira-se que os problemas e responsabilidades decorrentes das obras a cargo da Euroscut já não se encontram na dependência desta empresa, mas sim de uma outra, a quem subdelegou competências.
A limpeza de regos foreiros - nomeadamente junto à linha de caminho de ferro -, a reparação da plataforma do rio, em S. Martinho, a colocação de saibro no campo de futebol, reparações nas ruas de Serradouro e Fernando Teixeira, o restauro das casas de banho do Campinho, o devido encaminhamento das reclamações apresentadas e a participação em diversas reuniões, foram algumas das actividades mais relevantes neste período.
Público
O público também teve oportunidade de intervir, tendo Cândida Mina realçado o apoio familiar concedido pela Casa do Povo a uma família, enquanto que uma jovem (Sónia) deu sugestões sobre projectos de apoio social através da música, e João Cunha pediu o desvio de um espigueiro que ocupa parte da estrada na Rua da Liberdade (um caso debatido em assembleias há muito anos, sem que isso tivesse sido possível de conseguir), a par de ter pretendido saber quanto tinha rendido a venda de pinheiros e em que é que a junta tinha aplicado o dinheiro.
Segundo explicou Emília Roda, antiga tesoureira da Junta, a verba arrecadada fora de 6.136€, sendo aplicada na reflorestação dos baldios e na limpeza de caminhos no monte.