A floresta constitui um dos temas que, inevitavelmente, enquanto organização não-governamental de ambiente, deve preocupar a COREMA. A situação em que se encontra a floresta em Portugal e, em particular, no concelho de Caminha, tem que, necessariamente, mobilizar as nossas atenções, das entidades competentes e da população em geral.
Desde os Descobrimentos e respectiva expansão marítima que a nossa floresta autóctone assiste a um definhamento e, mais recentemente, à sua substituição pela monocultura de espécies resinosas como o pinheiro-bravo e espécies ricas em óleos essenciais, como os eucaliptos.
O derrube da nossa floresta natural abriu o caminho aos incêndios e à invasão de espécies exóticas, pondo, completamente em causa, a biodiversidade e o seu uso múltiplo.
A par desta realidade, assistimos, nas últimas décadas, a uma delapidação, cada vez maior, dos Serviços Florestais. Temos assistido a uma diminuição ou mesmo ao desaparecimento dos guardas-florestais e de técnicos florestais, degradando-se, não só o património construído (o exemplo das casas florestais) mas também o património tecnológico, o conhecimento e a experiência acumulada nesses serviços. Aquilo que o conceituado biólogo Jorge Paiva apelida de "piroverões" (os incêndios anuais) não são uma fatalidade mas o resultado de políticas erradas ou mesmo do desinvestimento que o Estado tem vindo a acusar em relação ao nosso património florestal, sobrando as montanhas cobertas de rocha nua ou de espécies exóticas e invasoras.
Aquilo que se avizinha, e que decorre da aplicação do Decreto-Lei n.º 96/2013, de 19 de Julho, é extremamente preocupante.
Esta legislação abre o caminho a que 80% das propriedades florestais possam ser eucaliptizadas sem restrições, num país que já possui a maior área de eucalipto plantado da Europa e é o 5º país com maior área de eucaplito plantado do mundo.
Esta lei, que nem sequer foi ao Parlamento, tendo sido aprovada, somente, em Conselho de Ministros, está a mobilizar as associações de defesa do ambiente, as organizações científicas e os produtores, no sentido de ela vir a ser revogada.
Estas são algumas das preocupações que a COREMA assinala no dia em que se celebra o Dia da Floresta Autóctone.