Portinho de Vila Praia de Âncora - Hospital da Gelfa - Ferry e marginal de Caminha - Área social da Misericórdia de Caminha - Regulamento de Pesca do Rio Minho
O deputado socialista Jorge Fão disse "ter cumprido o programa" delineado para a visita ao concelho de Caminha no passado dia 11, classificando-a de "jornada de proveitosa", no decorrer do encontro que manteve no final do périplo com a imprensa na sede do PS.
Desassoreamento do Portinho indefinido
A zona portuária de Vila Praia de Âncora mereceu o primeiro contacto do deputado.
Lamentou que "nada de novo" se tenha entretanto passado desde a visita do Secretário de Estado das Pesca no princípio do ano, no que toca à necessidade de desassoreamento da bacia e barra do portinho ancorense.
Segundo lhe terá informado o representante do ex-IPTM, encontram-se a "reavaliar" o volume de inertes existentes, de modo a calcular o total a extrair, tendo avançado com a data de Setembro para o início da limpeza, mas deverá ser aberto um concurso "em breve", asseguraram, para concessionar a obra.
No entanto, Jorge Fão duvida da exequibilidade destes prazos, nomeadamente devido aos problemas financeiros, além de ignorar quais as intenções do secretário de Estado do Mar nesta matéria.
Mostrou-se ainda preocupado com a gestão futura dos equipamentos a construir, atendendo a que o IPTM já foi extinto e encontra-se num processo de reformulação, exigindo também uma "rentabilização" desta infra-estrutura ancorense.
Acessos no edifício do posto de vendagem adiados
Até final deste mês deverá ficar concluído o processo de atribuição dos postos de venda de pescado no novo edifício do posto de vendagem incluído nas obras de mais de cinco milhões de euros da Administração Central que decorrem até final do ano na zona envolvente do porto de abrigo de Vila Praia de Âncora.
Segundo lhe foi dito pelo representante do IPTM que se deslocou ao local, até ao próximo dia 21 serão conhecidos os candidatos aos lugares das bancas de vende de peixe. Concluído este procedimento concursal, as obras deverão avançar para o espaço onde se concentram na actualidade as vendedoras de peixe, pelo que haverá urgência em resolver este processo.
Contudo, continua por solucionar o problema das entradas no novo posto de vendagem. Os pescadores temem pela aglomeração de clientes e carrinhos de transporte de peixe, dificultando a circulação e a segurança, pelo que vêm reclamando mais portas nas grades colocadas, além das duas únicas existentes em cada extremidade, o que que consideram demasiado restritivo, além de criticarem o arejamento insuficiente deste espaço.
O IPTM refere ser necessário proceder a uma alteração aos valores da intervenção avaliada entre 20/25.000€, além de pretenderem ainda avaliar se será "indispensável" proceder à colocação de mais portas.
Face à necessidade de avançar com a obra de reabilitação da zona portuária, vão resolver o problema da venda do peixe e só depois se debruçarão sobre a eventualidade de colocar mais aberturas no gradeamento, o que deixa intranquilos os pescadores e a sua associação como quem o deputado conversou.
Impasse no Hospital da Gelfa é "inaceitável"
Jorge Fão classificou de "inaceitável" o novo impasse registado na abertura do Hospital da Gelfa, destinado a albergar doentes profundos na área da saúde mental, reforçando assim a rede nacional.
O deputado socialista realçou que o próprio Hospital de Viana do Castelo sofre com a acumulação de doentes, quando existe uma unidade pronta a funcionar, com 42 camas, mas que na melhor das hipóteses só deverá entrar em funções no início do próximo ano.
Jorge Fão esclareceu que a obra se encontra concluída desde 2 de Dezembro de 2011, existindo um compromisso de financiamento do seu funcionamento logo que terminados os trabalhos que orçaram em 3 milhões de euros, mas que a actual ARS não cumpriu, alegando não ter sido cabimentada qualquer verba para o Orçamento de Estado de 2012.
O deputado refuta este esquecimento e recorda haver já 34 pessoas preparadas para operar nesta unidade de saúde que passará a ser gerida pelo Instituto S. João de Deus, de Barcelos.
"É uma situação inadmissível", atirou o deputado caminhense, desafiando o Ministério da Saúde a anunciar quando é que que efectivamente pretendem financiar esta unidade de saúde, prometendo ainda voltar a interpelar o Governo sobre esta matéria.
"Preocupado com o futuro do ferry"
Dentro desta visita a Caminha, o parlamentar socialista eleito pelo distrito de Viana do Castelo, encontrou-se com a presidente Júlia Paula, um encontro que reputou de "institucional", durante o qual foram abordados o abortado projecto de recuperação da marginal de Caminha face à suspensão da POLIS, bem como os problemas decorrentes das dificuldades de relacionamento com o município de A Guarda e incerteza quanto à dragagem do respectivo canal de navegação.
Ouviu da boca da presidente do município caminhense palavras de apreensão face à actual situação que considera "insustentável", quer pelos problemas financeiros decorrentes dos atrasos dos pagamentos do município de A Guarda, quer pela indefinição na dragagem do canal que compete a Espanha, e ainda pela instabilidade de horários da carreira dependente das marés, a par dos problemas com os turnos dos funcionários.
A autarca ter-lhe-á dito que não pretende arcar com os custos da manutenção e quer que Espanha assuma os seus compromissos, levando Jorge Fão a manifestar preocupação quanto ao futuro deste serviço, e suas consequências na economia local, no caso de vir a ser suspenso.
Prometeu ainda interpelar o Ministério do Ambiente português acerca deste assunto.
Creche da Misericórdia com escassas inscrições
Nada faria prever que a valência da creche inaugurada há dois anos, estaria actualmente com a sua capacidade de admissão (66 crianças) quase reduzida a metade (apenas há 39 inscrições para o próximo ano lectivo e com poucas possibilidades de aumentar).
Jorge Fão conversou com a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Caminha sobre vários aspectos da área social e deu-os a conhecer neste encontro com a imprensa.
António Afonso, provedor da Misericórdia, justificou-nos esta queda nas inscrições a três factores: diminuição de natalidade, desemprego e salários baixos.
Estes dois últimos factores levam a que os encarregados de educação optem por deixar ficar os filhos em casa. Perante este cenário, poderão ser forçados a reajustar os recursos humanos, referiu o provedor.
Mas segundo informou ainda Jorge Fão, a "sustentabilidade" da instituição poderá estar em causa, levando-a a apostar na reconversão da piscina e do auditório encerrados.
O deputado referiu ainda que esta instituição não tinha sido contemplada com uma cantina social.
Pescadores querem presença na Comissão Permanente
Os pescadores de Caminha, da Associação de Profissionais de Pesca do Rio Minho e Mar, pretendem ter assento na Comissão Permanente Internacional do Rio Minho e ter uma palavra na definição do regulamento de pesca anual do Rio Minho, segundo terão feito sentir ao deputado Jorge Fão que se reuniu com eles.
Malhagens, potência de motores e períodos hábeis de pesca estiverem em cima da mesa neste encontro com os pescadores, no decorrer do qual foram abordados alguns pormenores relacionados com candidaturas de financiamento de material de segurança (coletes e outros equipamentos)