"O exercício da racionalidade impõe-nos sermos 'simplesmente' realistas. Trata-se de reconhecer os nossos limites, de conhecer sempre melhor geografia, elaborar as teorias normativas da racionalidade e de melhorar os nossos juízos, à luz destas teorias e do conhecimento dos nossos limites naturais." (PALMARINI, 1997:128)
Tradicionalmente, alia-se à noção de ciência o conceito de conhecimento e, nesta perspectiva, analisam-se as diversas maneiras de compreender o mundo, destacando-se aqui os níveis clássicos: conhecimento espontâneo ou senso comum e conhecimento científico, entendendo-se que este é uma vitória recente da humanidade, tendo surgido no século XVII com as revoluções científicas de Copérnico, Galileu e Newton.
Se é certo que no pensamento grego a Filosofia e a Ciência integravam uma única árvore do saber, também é verdade que já na Idade Moderna a separação se consumaria, buscando cada uma delas - Filosofia e Ciência - o seu percurso concreto, o seu método, o seu objectivo, aliás, a ciência moderna surge ao determinar um objecto específico de investigação e ao adoptar um método através do qual se controlará o conhecimento.
O recurso a métodos rigorosos possibilita que a ciência atinja um tipo de conhecimento sistemático, preciso e objectivo, pelo qual se descobrem relações universais e necessárias entre os fenómenos, permitindo prever acontecimentos e actuar de forma mais eficaz.
A ciência tem um carácter geral na medida em que as suas conclusões não valem exclusivamente para os casos observados, mas sim para todos os que se assemelham, daí que a grande preocupação do cientista resida na descoberta de regularidade de tal forma que um determinado fenómeno depois de observado possa resultar num enunciado que será generalizado, numa lei científica universal.
A realidade e o mundo construídos pela ciência desejam a objectividade, isto é, as conclusões poderem ser verificadas por qualquer outro membro competente da comunidade científica.
Está estabelecido que, para ser objectiva, a ciência dispõe de uma linguagem rigorosa, de tal forma que os conceitos são definidos de maneira a evitar ambiguidades, insuficiências ou ambivalências, todavia, não se estará em condições de, por outro lado, se poder afirmar que ela, a ciência, é a única explicação da realidade e que portanto se trata de um conhecimento absolutamente certo e infalível, e isto porque os paradigmas se sucedem e se destroem; as teorias por vezes são contraditórias e, nas ciências humanas, então a dificuldade é maior porquanto a sua componente qualitativa não pode ser reduzida à mera quantidade, para além de resistir a certas técnicas de experimentação.
Bibliografia
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2002). "Silvestre Pinheiro Ferreira: Paladino dos Direitos Humanos no Espaço Luso-Brasileiro" Dissertação de Mestrado, Braga: Universidade do Minho, Lisboa: Biblioteca Nacional, CDU: 1Ferreira, Silvestre Pinheiro (043), 342.7 (043). (Publicada em artigos, 2008, www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna").
BARTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2009). Filosofia Social e Política, Especialização: Cidadania Luso-Brasileira, Direitos Humanos e Relações Interpessoais, Tese de Doutoramento, Bahia/Brasil: FATECTA - Faculdade Teológica e Cultural da Bahia.
PALMARINI, Massimo Piattelli, (1997). A Ilusão de Saber, Trad. Jorge Pinheiro, Porto: Circulo de Leitores.