Olhando no tempo da adversidade,
Tento ouvir a voz da consolação,
No zumbir do ar, procuro fraternidade,
Apenas um sôpro de animação.
Mas o tempo e o ar aparecem adversos,
Sem ânimo, nem nehuma demonstração,
De outros sentires e menos aremessos,
Para vivermos sem a enfadonha contração.
Não somos libres, até quando quederemos,
Nesta contenda forte, de tempo melindrado,
Durante a qual nem sequer conseguiremos,
Extrair do trabalho, pão duramente amassado.
Assim vamos andando de um p'ra outro lado,
A procura do essencial para manter a vida,
Dar sustento à familia e vencer este amarro,
A que a mingua nos contrai sem almejar saida.
E portanto rogo aos deuses da fartura,
Que repartam com a mesa empobrecida,
As sobras da engorda e da descompostura,
De que tanto se encheram até a desmedida.