Em poucas décadas as margens do rio Âncora sofreram várias transformações, com a destruição do seu património natural e construído. Não tem havido capacidade de resistir à pressão humana que se tem feito sentir.
Recentemente os responsáveis da junta da freguesia de Âncora, tendo em consideração os belos locais existentes nas margens do rio Âncora, e a condição de estarmos numa área com um forte incremento turístico, e com necessidade de se diversificar, repôs o passadiço de Enchão.
Depois de passarem uma série de anos, da sua destruição, o percurso pedonal foi reposto. Um pouco da historia e ocupação humana daquela área do Vale do Âncora, e a forma como as sucessivas gerações o foram modelando, foi restabelecido.
A reposição deste passadiço além de ir beneficiar os pescadores lúdicos que percorrem as margens do rio Âncora, vai dar origem à reactivação de mais percursos ribeirinhos, por "carreiros", que eram os antigos acessos ao moinho de Enchão, hoje adaptado a moradia, numa zona de cheias, e ao antigo moinho do Paço.
Este passadiço era também o acesso mais rápido da população da freguesia de Âncora ao moinho de Enchão que ficava na outra margem do rio.
A travessia de ENCHÃO, foi finalmente reposta.
São exemplos destes que nos permitem acreditar que a globalização pode entrar nas nossas vidas, mas a nossa identidade poderá resistir, com exemplos como este, que embora aparentemente nada tenham de relevante, a sua execução teve a com a minimização dos esforços dos nossos antepassados para irem levar o milho ao moinho, ou para se deslocarem entre as diversas povoações.
O património do Vale do Âncora, que tanto tem sido sacrificado, recuperou um pouco da sua identidade perdida, embora a área esteja a ser altamente penalizada pela ocupação humana que se tem feito sentir, este passadiço vai permitir aceder de uma forma mais livre, às margens do rio Âncora daqueles que o pretendam fazer, num constante contacto com a natureza, mostrando-nos como é possível manter a biodiversidade paisagística, preservando a componente natural e cultural. A salvaguarda e o estudo desses valores culturais que se têm vindo a defender, não se podem alhear da história da ocupação do território em causa, das questões geográficas e geológicas e da própria legislação nacional e comunitária.

A conservação da beleza das margens do rio Âncora e da sua biodiversidade só serão mantidas se a par dos valores naturais se conservarem os equipamentos que documentam a evolução da comunidade que desbravou este Vale, e que presentemente constitui o património da região, travando um pouco a pressão daqueles que procuram a todo o custo exterminar as nossas raízes culturais, devido em grande parte, às suas limitações culturais.