Dia a dia andéi trabalhando,
Grão a grão fui colhendo,
Agora desempregado, no desmando,
Nem pão, nem sônhos, vou havendo.
Esta sina, não é so minha, não,
Quantos homens com valentia,
Sem que a sociedade lhes dê pão,
Acabam na depressão, na anemia.
Neste tremendo e complexo esquema,
Em que a nação ferida procura sobreviver,
Vivo em arrepios, aniquilante estratagema,
Esse tédio colectivo que medra a est arrecer.
Até quando viveremos estes dias desordenados,
Por quanto tempo havera suco nas raizes assecadas,
A vida em sociedade definha por dias danados,
Já não ha réstea de esperança na lusa alvorada.
Só um raio de sol, reconfortante e reanimador,
Generoso, criador de trabalho e ganha pão,
Podera reacender a chama nos intersticios do trabalhador,
Traçando novos esquemas e dinamizar a nação.