Jornal Digital Regional
Nº 576: 25 Fev a 2 Mar 12
(Semanal - Sábados)






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Seixas

Assalto aos Correios gerou fortes críticas à Câmara de Caminha

Pedido de apoio para os 750 Anos da freguesia sem resposta

Na Terça-feira de Carnaval foi detectado um assalto, provavelmente perpetrado a coberto da noite, nas instalações dos Correios de Seixas que funcionam na sede da Assembleia de Freguesia.

Os autores do assalto tentaram ou estroncaram mesmo cinco das fechaduras do edifício (pensando-se que até tenham utilizado um maçarico a fim de queimar a fechadura da porta de fora), conseguiram introduzir-se no interior, furtando algumas moedas existentes na agência dos CTT.

O caso teve ressonância indirecta na Assembleia de Freguesia (AF) realizada dias depois, após o delegado Fernando Catarina (PSD) ter pedido explicações à Junta socialista sobre a eventual existência de qualquer protocolo celebrado com a Câmara, das instalações (bar) construídas no Largo de S. Bento aquando da obra de remodelação deste espaço realizada há mais de 10 anos, ainda no tempo de uma vereação maioritariamente socialista.

Aurélio Pereira, presidente do executivo seixense, explicou que esse imóvel fora cedido (verbalmente) pelo executivo camarário de então à autarquia local - no tempo em que as palavras bastavam para que os compromissos se concretizassem -, mas não existe qualquer documento escrito, frisou.

Acrescentou que a construção está inscrita na matriz urbana da freguesia mas nunca fora registada devido à burocracia exigível para que fosse desafectada do domínio público.

Contudo, Aurélio Pereira referiu que "sempre a consideramos nossa".

Fernando Catarina referiu então que aquando da realização da primeira assembleia de freguesia de Seixas deste mandato, ficara assente (fora aprovado) que a sede da Junta de Freguesia e os Correios se mudassem para esse edifício.

O delegado eleito pelo PSD lamentou agora que nem a Câmara, nem a Junta tivessem resolvido a situação, levando a que a agência dos Correios ainda funcione num local propício a assaltos.

Por tal motivo, decidiu abordar o vice-presidente Flamiano Martins, tendo-se este comprometido a reunir-se já na próxima Quarta-feira com a Junta de Seixas com a finalidade de resolver o impasse. Deu conta ainda que a Confraria de S. Bento também estaria presente.

Câmara nunca respondeu e quer agora reunir

A disponibilidade imediata da Câmara para discutir o assunto e o convite formulado à Confraria caíram muito mal junto da autarquia seixense.

Aurélio Pereira disse que a Junta sempre quis resolver este problema com a Câmara, mas reputou de "profundamente desagradável" que o vereador "tenha a lata" de vir agora conversar com a Junta, depois desta ter enviado inúmeros ofícios e ter solicitado reuniões para resolver o assunto, bem como aquilatar dos apoios com que poderão contar para as comemorações dos 750 anos da criação da freguesia de Seixas, sem que alguém se dignasse responder.

O presidente da Junta acrescentou que seria bom que viesse a presidente, pois "ela é que resolve".

"Eu fiz uma boa acção"

Perante a reacção da Junta de Freguesia, Fernando Catarina frisou que apenas tentou colaborar na solução do problema, fazendo "uma boa acção", acrescentou, posição entendida, aliás, pela Junta de Freguesia e que teria servido para que a Câmara percebesse finalmente que tinha sido uma decisão da Assembleia de Freguesia.

Mário Veloso, tesoureiro da Junta, após ter obtido a confirmação de que fora o próprio Flamiano Martins a pedir a presença da Confraria, verberou asperamente a atitude do executivo camarário, dizendo entender agora o seu comportamento no caso do processo judicial que opôs a Junta à Confraria, ao pretender que esta reuna com a Junta, depois de a ter obrigado a gastar milhares de euros com os tribunais. Mário Veloso afirmou de imediato que não compareceria à dita reunião marcada apressadamente pela Câmara, sem que tivesse tido a consideração de responder aos ofícios enviados pela Junta.

O tema aqueceu uma sessão que aparentava ser calma, levando ainda Aurélio Pereira a adiantar que a Câmara deveria ter reunido com a Junta antes de esta ser obrigada a avançar com o processo judicial, levando-o a concluir que ela "queria dar o domínio público a uma entidade particular (confraria)". Assinalou que o processo judicial tinha terminado, após os tribunais considerarem que o Largo de S. bento é público, não entendendo portanto qual o motivo para o convite à Confraria.

O autarca seixense frisou, contudo, que nada o move contra a Confraria e os seus actuais membros, mas se a Câmara fosse "mais conciliadora" teria reunido com a Junta e Confraria antes se ter iniciado o pleito judicial, não vindo agora a chamar a Confraria quando tudo já está decidido e esta não tem qualquer papel a desempenhar neste caso, que apenas dia respeito ao próprio Município, Junta e Assembleia de Freguesia.

"Isto já vem de longe".

Concluindo, Aurélio Pereira deixou a pergunta no ar: "Porque nunca me telefonou (Flamiano Martins)?".

As críticas à Câmara não ficaram por aqui, recordando Mário Veloso que nos anteriores mandatos, os delegados do PSD sempre souberam de certos assuntos antes da própria Junta e "eu não me sinto bem quando sou maltratado".

Aproveitou para criticar também o executivo camarário pelo facto de arrecadar as receitas das barracas dos pescadores e do bar de S. Sebastião que, no seu entender deveriam reverter para a Junta, verbas essas quase idênticas às que posteriormente transfere para o executivo seixense.

Mário Veloso, desabafando, aludiu ao impasse que persiste na marginal de Seixas depois de todos estes anos, em que foram assacadas (pela própria Câmara) responsabilidades ao empreiteiro, o mesmo que já viu depois a realizar obras para a Câmara, atirou.

Perante a situação gerada, alguns delegados do PS da Assembleia, entenderam que a Junta deveria comparecer à reunião, caso de Rui Vivo, presidente da AF em exercício face à ausência de Paula Aldeia, embora entendesse a posição da Junta.

Câmara não responde a pedidos da Junta

O mesmo delegado do PSD que despoletou a polémica anterior, viria a permitir à Junta denunciar outro caso de falta de diálogo por parte da Câmara.

Fernando Catarina lamentou que a Junta não pense em realizar algo de relevante - sem grandes custos financeiros, frisou - a fim de comemorar a outorga do Foral há 750 Anos, pedindo ainda que a efeméride seja mais divulgada junto da população.

A Junta de Freguesia não tem o assunto em esquecimento, asseverou Aurélio Pereira, tendo já enviado três ofícios à Câmara de Caminha na tentativa de saber se poderão contar com algum apoio - "por mais pequeno que seja", frisou -, mas até ao presente o silêncio tem sido a resposta, lamentou e, pelos "sinais que tenho", não será de esperar muito, concretizou.

Caso se confirme a falta de apoio camarário, o executivo seixense manifestou a sua incapacidade financeira para elaborar um programa comemorativo mais arrojado e de acordo com a importância da data.

12.000€ dá apenas para pequena obra

Desafiado pelo delegado do PSD Fernando Catarina a revelar quais as obras previstas para o corrente ano, Aurélio Pereira, presidente da Junta, confirmou que perante a exiguidade de verbas colocadas à disposição pela Câmara (apenas 12.000€), vão ter de optar por uma pequena intervenção, ou na Cabreira, ou em Cancelo.

A situação de umas escadas junto ao Infantário, podendo surgir uma derrocada, foi objecto de uma chamada de atenção da parte do delegado do PSD João Pereira, prometendo a Junta estudar a situação de modo a ser feita uma intervenção que garanta a segurança, pelo que vão contactar a Câmara Municipal.

Junta de Freguesia de Seixas

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