A segunda montaria organizada este ano pela Associação de Caçadores da Serra d'Arga resultou no abate de quatro javalis juvenis.
Segundo opinião de Desidério Afonso, presidente desta associação, os porcos bravos caçados seriam provenientes de duas ninhadas escondidas na vegetação densa que ladeia a ribeira de S. João D'Arga, para cima da ponte que atravessa este riacho e a escassas dezenas de metros do Mosteiro.
A mancha definida para esta caçada no designado lugar do Guindeiro, em plena Serra d'Arga, atingiu os 25 hectares, sendo estabelecidos 25 portas, tantas quantas o número de caçadores de caça grossa inscritos nesta batida ao javali, motivada pela "necessidade de corrigir a densidade" deste animal que vinha causando muitos prejuízos aos agricultores da freguesia de Arga de S. João, explicou Desidério Afonso.
Acrescentou que os porcos bravos abatidos e que seriam leiloados mais tarde, já estavam numa fase de "desmame", altura em que as mães pretendem ver-se livres deles, porque já estão novamente prenhas.
Terá sido por isso que apenas surgiram na mira das espingardas as presas mais pequenas (juvenis), porque as mães, "provavelmente, permaneceram quietas no meio do matagal", não reagindo ao alarido da matilha de cães especialmente adestrados para afugentar os animais e cravar-lhes também as mandíbulas se conseguirem apanhá-los.
Por vezes, muitos destes cães são vítimas das investidas do porco bravo e acabam por morrer quando alcançados pelos seus dentes retorcidos e penetrantes.
"Não é fácil atingir os javalis pequenos", precisou Desidério Afnso, porque "correm muito depressa e o alvo é pequeno", razão pela qual a determinada altura da montaria que decorreu entre as nove e meia e as 13H30 da tarde do passado dia 19, ouviram-se inúmeros disparos quando alguns dos caçadores tentaram atingir um animal que saíra de uma moita, sem que esse objectivo tivesse sido alcançado.
A espera, a atenção, a paciência e o silêncio são fulcrais para o êxito da caçada.
Enquanto que os cães farejam, detectam e tentam forçar o javali a sair do seu esconderijo, os monteiros, dispostos estrategicamente ao redor da mancha pré-definida, cada um com um máximo de três balas na sua arma, disparam assim que algum sai do matagal, "o que não é fácil porque correm muito quando são pequenos", conforme nos referiu António Carvalho, da freguesia de Carvoeiro, Viana do Castelo, o felizardo que conseguiu abater dois deles.
"Primeiro saiu um do meio do mato, e, meia hora depois, apareceu um segundo que também abati", assim explicou o êxito da sua caçada. Adiantou que já participa nestas montarias desde os 16 anos e, ao todo, "já abati uma dúzia" de animais cuja carne é muito apreciada, concluiu.
Terminada a caça grossa, as presas, quais trofeus valiosos, foram pendurados em galhos improvisados pelos próprios caçadores, enquanto que comentavam os pormenores da caçada.
No final, no parque de merendas da ribeira de S. João d'Arga, a fim de retemperar os estômagos, a carne à base de porco ia sendo grelhada e o arroz de feijão cozia na panela, regados por boa pinga, porque o convívio é uma das partes mais significativas da jornada, e para o qual cada um contribui com o seu quinhão aquando da inscrição para a batida.