Chegam amanhã ao fim 10 dias de retorno a tempos medievos e que adaptaram a vila de Caminha a uma feira de ambientes, sons, aromas, paladares, objectos e personagens exóticos.
Foi a 8ª edição da Feira Medieval que pela primeira vez viu alargada a sua duração habitual de quatro dias, atendendo ao pedido dos comerciantes locais, como nos confirmou Fernando Azevedo, o principal impulsionador da mudança.
Com um comércio ligado à ourivesaria e cosmética, classificou "a nova experiência de muito positiva", nomeadamente, no primeiro fim-de-semana, embora nos restantes dias tivesse havido sempre gente a circular na vila.
"Estamos a antecipar o Verão", adiantou, levando a que "todos estejamos a funcionar", assinalando a forte presença de espanhóis e holandeses.
As tabernas e tascas improvisadas para esta maratona gastronómica, em que o porco no espeto vem sendo a principal referência e motivo de procura, recearam um pouco um evento com tantos dias. Diminuíram "ao menu e ao número de colaboradores que são apenas oito", como admitiu José Luís Lima, presidente do Grupo de Bombos Vira a Bombar, com uma tenda no centro da feira e que já conta por oito as presenças.
Porco no espeto ou no pão, caldo verde, arroz doce e vinho completam a oferta, a qual "será seguramente ampliada para o ano", prometeu, perante o desvanecer dos receios da iniciativa alargada.
Até ontem, já tinham vendido cinco porcos inteiros e oito pernas de porco, "mas contamos chegar aos 12 no Domingo", afiançou, porque, "para comer e beber há sempre dinheiro".
Já Habibi, um artesão iraquiano que vem a Caminha há quatro anos, vendendo peças de prata, aço ou cabedal e que detesta que cubram as tendas com plásticos,
prefere uma feira de quatro dias, "porque as pessoas não têm dinheiro".
E houve quem protestasse, como o fez José Brito - o único artesão (em cobre) existente em Caminha -, por lhe terem colocado uma tenda mesmo em frente da sua loja.