Jornal Digital Regional
Nº 549: 23/29 Jul 11
(Semanal - Sábados)






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Feira Medieval e assinatura de protocolo ditaram presença de Presidente da República em Caminha

Cavaco Silva parafraseou Raul Brandão para definir Caminha como um "sonho doirado", na intervenção realizada no salão nobre dos Paços do Concelho no passado dia 16, quando foi assinado um protocolo entre a Presidência da República e a Câmara Municipal de Caminha, após o que visitou a Feira Medieval.

Cavaco Silva, no seu discurso, acentuou a boa vizinhança que deve nortear os povos europeus baseado num exemplo histórico do século XV envolvendo o relacionamento comercial entre Caminha e A Guarda, e associou-se a esse "grande projecto que é a edificação do Museu dedicado à vida de Sidónio Pais e na organização de um espólio desse antigo Presidente da República, natural de Caminha".

22-05-09 16-07-11

Deputado PSD Carlos Amorim

O Presidente da República destacou "o esforço de valorização cultural e histórica" consubstanciado na assinatura deste documento (cujo conteúdo não foi lido previamente) entre Arnaldo Pereira Coutinho, Secretário-Geral da Presidência da República, e Júlia Paula, presidente do Município caminhense.

Deputados Jorge Fão (PS) e Eduardo Teixeira (PSD)

Carlos Lage (Presidente da CCDRN)

Como justificação da colaboração encetada entre ambas as instituições, Cavaco Silva referiu ser "um imperativo de cidadania recordar as individualidades que marcaram a história de Portugal, independentemente do juízo que cada um de nós possa fazer sobre elas".

"Abertura ao exterior"

Num ambiente marcado pelo regresso ao passado e à história de Caminha, atendendo a que decorria desde a véspera a 8ª edição da Feira Medieval, Cavaco Silva sublinhou a ligação estreita desta vila com o mar e com o rio, dando como um dos exemplos a sua classificação de "porto franco" por parte do rei D. João I, em 1390.

Relacionando a boa vizinhança e "solidariedade" que nortearam minhotos e galegos durante vastos períodos da nossa história, com uma comunidade maior em que nos inserimos hoje em dia, numa alusão à União Europeia, o Presidente da República recordou a outorga de uma "carta de vizinhança a 1 de Julho de 1462, pelo rei Afonso V.

Presidentes de Câmara de Viana do Castelo e Ponte da Barca e deputado Abel Baptista (CDS)

Este documento que concedeu os mesmos "privilégios e regalias dos habitantes da vila de Caminha" aos vizinhos de A Guarda, prendeu-se com reivindicações dos galegos que se sentiam "discriminados" nas relações comerciais que mantinham connosco, permitindo que "os habitantes de ambas as margens do rio Minho continuassem a vizinhar sem qualquer interferência " das autoridades da época.

"Depois da festa, tempo de trabalho, de muito trabalho"

Deputada Rosa Arezes (PSD) e ex-vereador Humberto Domingues

Após justificar igualmente a sua presença em Caminha com a realização da Feira Medieval ("Não poderia também o Presidente da República deixar de comparecer a este encontro com a história do Alto Minho", acentuou), aproveitou a temática da edição deste ano (Trovadores e Jograis - cantigas de amor, amigo, escárnio e mal dizer) para anotar que "se há algo de que necessitamos nestes tempos é de cantigas de amigo", no sentido de "sermos solidários, de percebermos que somos todos vizinhos uns dos outros e de que precisamos da ajuda uns dos outros".

Além de que "em tempos difíceis", acrescentou Cavaco Silva, "precisamos de momentos de festa, de poesia e de humor, para melhor encararmos as agruras do dia-a-dia", e nada melhor do que o espírito "alegre, folgazão, comunicativo e expansivo" do minhoto.

Mas, "se o tempo do relógio nunca pára", numa alusão ao que existe na Torre do Relógio e, metaforicamente, "ao tempo que ficou para trás e foi desperdiçado e já não pode ser recuperado", Cavaco Silva incentivou os presentes a "aproveitar melhor o tempo que temos pela frente", depois deste festejo (Feira Medieval) definido como "uma pausa merecida que prepara os grandes trabalhos que temos pela frente".

Nuno Brandão, arqº Casa Sidónio

Pedro Ramalho, arqº Valadares

No seu discurso, fez ainda alusão à riqueza patrimonial caminhense e à "prioridade" dada aos valores culturais e históricos, apontando o próprio Museu Sidónio Pais, a Biblioteca Municipal e a recuperação do Cine-teatro Valadares.

Defender quem nos defendeu

A presença do Presidente da República em Caminha foi definida como "um dia histórico para os caminhenses" pela presidente do Município Júlia Paula, orgulhosa "por poder mostrar como vivemos as nossas tradições, como sabemos bem receber e como valorizamos o nosso património"

Júlia Paula disse ser vocação do seu Executivo "valorizar o centro histórico" da vila, cujo caso histórico, acrescentou, "mantém a matriz urbanística medieval" desde a sua criação em 1260.

É assente nesta perspectiva que a autarca justifica a organização da Feira Medieval gerada em torno de um património que "outrora nos defendeu e que tem de ser defendido" nos dias de hoje.

Como tal, disse ter desenvolvido "um plano estratégico" que o permita preservar e valorizar economiamente.

Escalpelizou uma série de intervenções realizadas ou em carteira, como será o caso da Rua Direita, largos do Hospital e Calouste Gulbenkian que completarão o plano "Renovar Caminha" até 2013, equivalendo a 70% deste projecto.

Sendo a criação da Casa-Museu Sidónio Pais um dos dois motivos da visita de Cavaco Silva a Caminha, a presidente do município caminhense assegurou que o edifício irá surgir das ruínas actuais, baseado em "levantamentos antigos, adaptados às novas exigências de um edifício moderno" que albergará algum do espólio que a família doou.

Este espaço, a Biblioteca Municipal e o Cine-teatro Valadares seriam posteriormente objecto de visita por parte do Presidente da República e sua esposa, tal como a Igreja Matriz, após percorrerem toda a Rua Direita.

Secretário de Estado da Cultura é trunfo

A autarca apresentou dados sobre estas três obras e aproveitou para saudar a presença de Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, figura que conhece bem o concelho, bem como registou "com agrado que Caminha volta a fazer parte do roteiro dos nossos governantes, o que não aconteceu nos últimos anos", assertou, lançando desde logo um apelo para que o concelho "possa voltar a estar no guião dos futuros contratos-programa a celebrar pelo governo".

Aproveitando a realização da Feira Medieval, e deixando de lado as guerras desses tempos de há séculos atrás, a exemplo do que se referira Cavaco Silva, a presidente concordou que "a luta agora é outra", considerando-a "um desafio" em que o concelho de Caminha "tem procurado dar o nosso humilde contributo" a fim de o superar, colocando-se ao dispor do Presidente da República a fim de "colaborar nessa batalha árdua que Portugal enfrenta", terminando o seu discurso com um apelo à união e "perseguindo todos o mesmo objectivo: Preservar o futuro de Portugal".