Jornal Digital Regional
Nº 544: 18/24 Jun 11
(Semanal - Sábados)






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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor



PORTINHO DE VILA PRAIA DE ÂNCORA PODE SER VENDIDO

Segundo o dr. Miguel Cadilhe, reputado economista e antigo ministro, a situação económica é tal que o mais provável é o país ter de vender portos, aeroportos, os submarinos, etc. Estas afirmações foram proferidas numa entrevista radiofónica e traçavam um quadro catastrófico para o país.

Esta visão aterradora, porém, contrasta com a euforia do PSD que ganhou as últimas eleições legislativas. Portanto, este partido, os seus militantes e simpatizantes encontraram motivos para festejar. O futuro em breve dirá se os festejos e a alegria manifestada tiveram razão de ser. Desejo profundamente que tenham razão para se congratularem como se de um campeonato de futebol se tratasse.

De uma coisa estou certo: para os dirigentes dos partidos que vão formar governo e os seus ministros, a crise está vencida. Desses não vou ter pena, têm o problema resolvido, foi uma boa oportunidade para melhorarem o seu nível de vida. E o que garantem para os mais pobres? Também muito em breve o saberemos.

Na perspectiva do dr. Miguel Cadilhe, os portos a serem vendidos serão com certeza aqueles que garantem grandes rendimentos. Para estes não faltarão compradores. Mas, para os portos como o de Vila Praia de Âncora, com toda a certeza que não será nada fácil vender uma sucata destas. Então, que vai ser deste porto, sabendo-se que foi mal concebido e se encontra sistematicamente assoreado pondo em risco as vidas dos pescadores e a segurança das suas embarcações? Podemos acalentar a esperança de ser este novo Executivo a tomar sobre si a responsabilidade de o tornar viável?

No momento em que escrevo ainda não está formado o novo governo e, portanto, não sei que ministérios o formarão. Fala-se muito de um ministério do mar, como também da agricultura. Mas, de concreto nada se sabe. Porém, desde o presidente da República que ouvimos a necessidade de um regresso ao mar, tal como noutros tempos de crise o fizemos com sucesso. Resta-nos esperar para ver qual o rumo a tomar.

No nosso caso concreto, o portinho de Vila Praia de Âncora só poderá contribuir para o sucesso da economia do mar se for recuperado. E, para o efeito, tem de ser planeada uma obra de fundo ou o estudo de uma alternativa.

O novo governo terá a palavra: ou decide levantar o Portinho ou o afunda de vez, arrastando consigo a esperança de uma comunidade marítima tradicional que deseja participar do esforço nacional de recuperação económica e não depender de esmolas e subsídios de sobrevivência.

Embora contra a corrente, quero manifestamente acreditar no empenho do novo governo numa solução capaz para o nosso Portinho. A revitalização dos pequenos e tradicionais portos deve estar nas perspectivas das opções do novo governo. É essa, depois de termos ouvido as declarações do nosso presidente da República e de políticos agora com influência governativa, a nossa fundada expectativa.

O Portinho está nesta situação de não satisfazer as perspectivas para que foi criado, por uma clara incompetência dos responsáveis pelo estudo e projecto, conjugada com a irresponsabilidade dos órgãos de avaliação, fiscalização e acompanhamento da obra. A irresponsabilidade tem vindo a persistir sem nenhuma intervenção de direito, ao permitir-se continuar gastar mais dinheiro em desassoreamentos que não passam de medidas despesistas, paliativos que não resolvem coisa nenhuma.

O que se espera deste governo, não é que venda o Portinho na perspectiva generalizada do dr. Miguel Cadilhe que, obviamente, não é para levar a sério, mas que escolha entre o oito e o oitenta e opte por recuperar este investimento aqui, ou em alternativa, noutro ponto da nossa costa com condições para desenvolver um projecto até mais ambicioso. É que se trata de gerar trabalho, desenvolvimento e dinamismo para a nossa comunidade e região. Logo, contribuir para o esforço de recuperação económica do país. Não podemos deixar morrer um projecto tão caro à esperança desta comunidade. E, já que tanto ouvimos falar de economia do mar e agricultura quando na oposição os partidos que agora são poder, temos fundadas razões para esperar que estes projectos fundamentais de desenvolvimento se concretizem e sejam muito mais do que palavreado inconsequente.

O desafio está lançado. Nós estaremos sempre atentos aos desenvolvimentos pela parte que nos toca. Sempre estaremos do lado do Portinho e daqueles que o defendem e acreditam nas suas potencialidades desde que sejam criadas as condições necessárias para o impulso das actividades da pesca e do turismo que este investimento tinha em perspectiva quando foi decidido.

Esperamos, ainda, que as forças locais, autarquia e cidadãos em geral, pressionem cada qual no sentido de exigir a atenção do governo para a recuperação do portinho de Vila Praia de Âncora e do investimento que - com as operações de desassoreamento que têm sido efectuadas e teriam sido desnecessárias se a obra fosse bem concebida - tem agravado substancialmente o seu custo inicial e não possibilita o retorno esperado, nem a segurança dos pescadores e das suas embarcações.

CELESTINO RIBEIRO

POPULAÇÃO DE CARREÇO INDIGNADA
COM A PRÁTICA DE NUDISMO

Os naturais de Carreço e alguns dos veraneantes já presentes na praia de Paço, sentem-se indignados com a falta de respeito de um reduzido grupo de pessoas, que tem procurado "tomar conta" de uma das mais simpáticas praias do concelho de Viana do Castelo, e que é há vários anos uma das mais procuradas por centenas de Vianenses.

Em 2009 chegaram a haver mesmo confrontos físicos entre um grupo de nudista e pessoas que se encontravam nessa praia, o que levou a pensar que a situação tinha ficado esclarecida. A comunidade local, julgou a situação ultrapassada, embora tivesse conhecimento que na Internet, referiam tratar-se de um local tolerado para a prática de nudismo.

Presentemente, mesmo depois de um rotundo não do Presidente da Junta da Freguesia de Carreço, (representante daquela comunidade), apresentam-se agora encabeçados pela Federação Portuguesa de Naturismo, que desconhecendo a realidade daquela gente, parece não querer respeitar a vontade popular e os seus valores culturais. A situação está agudizar-se e os habitantes de Carreço falam já num abaixo-assinado, ou…em situações mais radicais em defesa de padrões culturais de quem trabalha.

Agora é toda uma comunidade que se encontra contra o abuso de uns tantos, que procuram na terra de quem trabalha, agredir uma cultura, com um conceito de liberdade, de boa vida, e falta de respeito.

De facto, este é o País, cujos critérios parecem não respeitar a liberdade dos residentes de Paçô, Carreço, e dos frequentadores dessa praia e da do Bico que fica a pouco mais de mil metros para Norte.

Esta pretensão vai contra a opinião de centenas de pessoas, que vulgarmente, além de residentes de Carreço, são famílias da vizinha cidade de Viana do Castelo, que há longos anos, gozam as suas férias na praia de Paço, cumprindo escrupulosamente um ritual de caminharem com os filhos até à praia do Bico, para ver os campeonatos de Surf, e mesmo para os apoiarem nesse desporto, ficando escandalizados por não haver uma fiscalização mais apertada, pelas forças policiais, para erradicar a prática de nudismo nas imediações dessas praias.

E referem que se há leis que proíbem os menores do acesso a certos sites da Internet, ou da frequência de certos locais públicos, que segundo referem "são para adultos" ninguém consegue compreender quais são as regras ou critérios que essa Federação Portuguesa de Naturismo, e quem autoriza a oficialização desse tipo de praias. Será que não há legislação para o efeito?

Em vez de ordenamento estamos perante a hipocrisia de um País, para com uma comunidade, que não aceita, a provocação que esta entidade pretende levar a efeito.

Parece-me que de facto numa praia como a de Paçô, tem de haver respeito pelas pessoas que dão vida a essa povoação e à praia. Não é chegar, e acharem-se no direito de se apresentarem como "donos e senhores da zona", assentarem arraias e considerarem que aquele espaço vai ser gerido ao seu gosto.

O facto de ter havido uma certa, agressividade desses nudistas, utilizando palavras impróprias de pessoas que se dizem educadas, além de estarem a fazer sexo, ainda revoltou e preocupou mais aquela comunidade, que referiam que quem trabalha não tem tempo de estar a fiscalizar pessoas que procuram provocar moralmente famílias sem respeitar miúdos que estão constantemente a passar.

De facto temos de admitir que existem pessoas que podem estar interessadas em andarem nuas nas praias, mas o que os residentes e veraneantes da praia de Paço não permitem é a falta de respeito pela sua comunidade. Quer Paço como Afife são praias que no Verão, além do turismo de praia de qualidade, tem actividades, agro-maritimas como a apanha do sargaço, que levam a um movimento de pessoas que trabalham e de que tanto Portugal precisa.

Só pedem que os deixem em paz…

Joaquim Vasconcelos

UM PARAÍSO NO ALTO MINHO

Na Freguesia de Carreço, "onde as mulheres são sempre belas", no lugar de Paçô, existe uma praia, onde se pratica, há muitos anos, naturismo, tanto por portugueses, espanhóis e de outras nacionalidades. É uma praia muito bonita, onde, numa zona isolada, separada por rochas e de fácil acesso, muitos banhistas nudistas dão largas à sua imaginação.

No entanto, aquela zona balnear, não se encontra oficializada, e portanto, fora do circuito das sete praias naturistas oficiais, como Alteirinhos (Odemira), Adegas (Aljezur), Barril (Tavira), Belavista (Almada), Meco (Sesimbra), Salto (Sines) e Ilha Deserta (Faro). Estas praias ficam todas a a sul do Rio Tejo. Isto quer dizer que haverá, talvez, uma mentalidade mais conservadora das populações do Norte em geral e do Alto Minho em particular…

Agora, vem a Federação Portuguesa de Naturismo , como a querer inverter este modo de pensar das populações alto minhotas, pedir ou melhor, admitir pedir a oficialização da prática de nudismo na Praia de Paçô, em Carreço, mas a Junta de Freguesia, através do seu Presidente, mostra-se "terminante e irredutível", dizendo que, a qualquer pedido oficial, a resposta será "NÃO".

Como articulista e como conhecedor da praia em questão, devo dizer que já é tempo das nossas autoridades turísticas , sobretudo a PORTO E NORTE DE PORTUGAL, desenvolverem as potencialidades das nossas praias, em todas as suas valências e deixarem-se de preconceitos que, embora muito válidos, prejudicam o desenvolvimento de praias onde se pratica o naturismo. Praias excelentes do local, da beleza e das condições para a prática do naturismo, com é a Praia de Paçô.

Por isso, a Federação Portuguesa de Naturismo não esmorece e anunciou já que vai concentrar-se na oficialização da prática naturista daquela Praia, alegando que a região e a freguesia tem tudo a ganhar. A introdução da referida praia numa rota de turismo específico, vai concerteza, dinamizar o comércio local.

"Não estamos disponíveis para essas práticas" diz o autarca de Carreço. No entanto, pergunto eu: porque tem permitido ao longo de muitos anos, a prática não oficial de nudismo, na Praia de Paçô?. E agora, que uma entidade quer oficializar aquela prática, a população de Carreço, através da sua Junta de Freguesia, dizem NÃO, NÃO E NÃO. Vou mais longe. Nas praias oficializadas da prática de nudismo, há casas de banho, restaurantes, apoio sanitário e nadadores salvadores. Ora, na Praia de Paçô, neste momento, se algum naturista for tomar banho e tiver de ser assistido, concerteza que morre no mar, porque, creio que a zona onde se pratica o nudismo, não é vigiada.

Faço votos para que este diferendo entre a Junta de Freguesia de Carreço e a Federação Portuguesa de Naturismo seja resolvido o mais depressa possível. É muito importante que o Norte, sobretudo o Alto Minho, disponha de uma praia naturista devidamente oficializada, porque a procura é muita. Tem a palavra os responsáveis da PORTO E NORTE DE PORTUGAL E A JUNTA DE FREGUESIA DE CARREÇO.

Antero Sampaio