A central betuminosa existente no interior da pedreira localizada a norte de Vila Praia de Âncora e cujo funcionamento vem merecendo a contestação de moradores pela poluição ambiental que dizem provocar, será deslocada para a zona de Castelo Branco, onde a empresa vai apoiar uma série de obras nos próximos três anos.
A mudança deverá concretizar-se até ao próximo dia 15 de Julho, altura em que ficará concluída a colocação do tapete betuminoso incluído nas obras de recuperação que ainda decorrem na EN13, entre Viana do Castelo e Valença, segundo nos revelou José Sobreiro, um dos administradores da empresa.
Acentuou, no entanto, que a partir dessa data, as empresas de construção da região terão que se deslocar até Ponte de Lima, Salvaterra do Miño ou Braga se pretenderem abastecer-se desse material, o que acarretará mais custos devido aos transportes.
Desde há vários anos que se assiste a uma série de indefinições sobre as competências no licenciamento da betuminosa - bem como da própria pedreira -, com a comissão de moradores criada para pugnar pela saúde dos habitantes desta zona da vila a exigir informações e relatórios a diversas entidades, englobando a própria Câmara Municipal, Governo Civil, Ministérios da Economia e Ambiente.
Calisto Rodrigues, da comissão de moradores, evidenciou contentamento perante a deslocação da central, mas "vou esperar para ver" referiu ainda incrédulo, "depois de tanto sofrimento para a população provocado pelos cheiros e poluição do ar", recordou.
Recorde-se que a comissão de moradores tinha procedido a contactos pessoais com os diferentes partidos em que expuseram a situação do funcionamento da betuminosa e da pedreira
O Bloco de Esquerda interpelara o Ministério da Economia no Parlamento, mas a resposta foi "inconclusiva" revelou Pedro Soares, deputado por Braga.
Através de informações prestadas recentemente à comissão de moradores, o bloquista revelou ter dúvidas sobre a efectiva realização de estudos a que a empresa fora obrigada pelo Ministério da Economia, pelo que está disposto a exigir essa documentação.
Referiu estar "já farto deste jogo do empurra entre a administração central e local", com os impactos negativos que a população padece, acentuou, mostrando-se decidido a impedir que o assunto se protele, pretendendo interpelar a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional Norte sobre a existência dos estudos e, caso não tenham sido apresentados, vão requerer uma reunião com a presidência da CCDRN.
Após o contacto estabelecido com a administração da Aurélio Martins Sobreiro, proprietária da pedreira e da central betuminosa, confirmando-nos a mudança da segunda, recebemos um comunicado desta empresa, em que reafirmam a deslocação da maquinaria da central betuminosa.