A Casa do Orfeão abriu as suas portas, na noite do passado dia 24 de Abril, para acolher um vasto auditório que foi assistir a um sarau de canções e poesias de Abril promovido pelo Orfeão de Vila Praia de Âncora.
Com esta iniciativa o Orfeão pretendeu também comemorar, em festa, o Dia da Liberdade relembrando canções e poemas que marcaram a fase histórica do 25 de Abril de 1974.
Com o palco engalanado com um belo arranjo de cravos vermelhos, flor que ainda hoje simboliza a chamada "Revolução dos Cravos", o Presidente da Direcção Francisco Presa deu as boas-vindas, distinguiu e agradeceu a presença do Vereador da Cultura Paulo Pereira e disse do prazer do Orfeão e dos seus orfeonistas em participarem activamente com esta iniciativa nas comemorações do Dia da Liberdade e mostrou o seu agrado por ver uma vez mais a Casa do Orfeão completamente cheia.
O sarau teve três partes, sendo uma primeira preenchida pelo Orfeão que cantou canções de Abril, começando por quatro canções heróicas "Acordai" de José Gomes Ferreira, "Ronda" de João José Cochofel, "Cantemos o Novo Dia" de Luisa Irene" e "Livre" de Carlos de Oliveira, todas musicadas por Fernando lopes Graça.
Seguiu-se uma canção de contestação à guerra "Os Homens que vão p'ra Guerra", de Lopes Graça e uma outra de esperança "Canção Crepuscular", de Felix Mendelssohn.
Num momento de poesia Francisco Presa leu o poema "Meu País Desgraçado" de Sebastião da Gama e Carmen Pereira o poema "Letra para um Hino" de Manuel Alegre.
Numa evocação a José Afonso, o grande cant'autor da Revolução, o Orfeão cantou duas canções "Canção de Embalar" e "Balada de Outono", com solos de Francisco Jorge Presa.
A terminar a sua actuação, o Orfeão cantou duas canções de intervenção de outros países "Por Qué Cantamos" e "Te Quiero", ambas com letra do uruguaio Mário Benedetti, música do argentino Alberto Favero e arranjo para coral de Liliana Cangiano.
Uma actuação que foi muito bem acolhida pelo público, que atento, conhecedor e interessado tributou ao Orfeão uma grande ovação.
Seguiu-se uma segunda parte com actuações individuais de orfeonistas evocando cantores de Abril.
O primeiro foi o jovem João Passos que, fazendo-se acompanhar à viola, cantou duas canções de Zeca Afonso "Venham mais cinco" e "Vejam bem".
Depois um conjunto de orfeonistas - Isabel Rego, Indalecto Rego, Alírio Rego, João Passos e Francisco Presa - acompanharam à viola Isabel Rego a cantar "Os Índios da Meia Praia", Joana Presa "Cantiga de Maio", todas com letra e música de Zeca Afonso e Francisco Presa "Menina dos Olhos Tristes", letra de Reinaldo Ferreira e música de Zeca Afonso e "O Charlatão", com letra e música de Sérgio Godinho.
Por fim, seguiu-se a terceira parte com canções em conjunto e participadas com o público, com as letras projectadas na tela, "Este parte, aqueles partem" com letra de Rosália de Castro e música de Adriano Correia de Oliveira, "Os Vampiros" com letra e música de Zeca Afonso e "Trova do vento que Passa" com letra de Manuel Alegre e música de António Portugal.
O público presente aderiu de forma espontânea ao repto lançado e demonstrou que sabia cantar e fê-lo com entusiasmo e com sentimento, levando o presidente da direcção Francisco Presa a desafiar as pessoas presentes a integrarem as várias secções do Orfeão que são um espaço privilegiado de cultura e a usufruírem um espaço que tem todas as condições para um convívio agradável.
Uma memorável noite cultural passada na Casa do Orfeão em que as postas se abriram para comemorar Abril, e que se continuarão a abrir para acolher novas iniciativas como "O venha tomar café com …" ou o "Ciclo dos Jantares Temáticos" de que daremos nota em próxima edição.