TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
1º de Maio
Pelos trabalhadores
A justa luta dos trabalhadores será lembrada em grandes comemorações mundiais neste 1º de Maio. 120 anos depois das primeiras manifestações, das lutas pela jornada de 8 horas de trabalho, dos mártires de Chicago, primeiras vítimas duma luta que confronta a classe operária com o forte capital, não é ainda chegado o tempo de balanço. Os trabalhadores do mundo, e os trabalhadores portugueses em particular, são hoje vítimas de uma crise criada pelo capital, mas que o próprio capital teima em enjeitar como responsabilidade sua, agredindo ainda mais os trabalhadores. A realidade que desperta actualmente os trabalhadores para a intervenção colectiva representa um retrocesso social que coloca as reivindicações ao nível daquelas que marcavam a agenda das lutas laborais de há um século. É por isso alarmante o estado de desenvolvimento no mundo de trabalho. Num quadro de avanços técnicos enormes, de disponibilidades tecnológicas promotores de ritmos produtivos elevados, teima, marcadamente nos últimos anos, o desrespeito pelo direito ao trabalho e pelo trabalhador. Parece paradoxal que sendo o trabalhador a garantia de produção de riqueza, a mesma que alimenta o capital, seja sempre afastado desta, ou culpado pela sua ausência, mesmo sem responsabilidade no seu uso. Por isso as comemorações do 1º Maio serão um grito de afirmação dos trabalhadores. Um registo de exigência aos governos de maior respeito pelos trabalhadores. Um momento expressivo da necessidade de alteração das políticas que teimam em prejudicar os trabalhadores.
No quadro nacional este 1º de Maio lembra a situação de desemprego ou emprego precário, a nova arma do capital para enfraquecer a luta dos trabalhadores, aliando-a ao PEC, instrumento do Governo para, uma vez mais, diminuir os direitos e garantias conquistadas pelos trabalhadores portugueses, numa clara acção concertada com as vontades dos agentes económicos mais retrógrados. Do Governo PSD/CDS-PP ao PS/Sócrates, com a caducidade da contratação colectiva, tornou-se possível ao trabalhador português chegar às 50 horas semanais, ou 60 horas em contratação colectiva, excluindo as horas extras, ou os tempos de deslocação para o trabalho. Contas feitas, podem trabalhar até as 14 horas diárias, tendo apenas como travão a média semestral. Numa altura em que as sociedades mais avançadas reivindicam 7 horas diárias em 5 dias semanais, e a maioria dos países desenvolvidos assume as 8 horas diárias (40 horas semanais), os trabalhadores portugueses estão mas mesmas condições de há 120 anos, considerando apenas as horas de trabalho.
Os trabalhadores portugueses enfrentam uma ofensiva impiedosa que não se demove facilmente. O 1ºde Maio servirá seguramente de alento ao esforço colectivo na defesa dos seus direitos e na capacidade de travar todas as agressões de que têm sido alvo. Na lembrança de outras lutas, de outros tempos, os trabalhadores portugueses saberão por cobro às acções contrárias à sua vontade e ao reconhecimento do seu esforço, dedicação e capacidade.
Viva o 1º de Maio!
Vivam os trabalhadores!
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Sim, caro leitor, pobre 25 de Abril!
Tão festejado, tão acarinhado, tão esperado, este Dia da Liberdade, onde um punhado de heróicos militares, derrubaram, sem derramamento de sangue, uma das mais antigas ditaduras da Europa, quiçá, do Mundo, mas, passados trinta e seis anos, tão maltratado, ignorado até, por uma classe política, bem instalada na vida, que só olha para o seu "umbigo", desprezando a maioria dum povo que, no Dia 25 de Abril, chorou de alegria e felicidade , porque, finalmente, tinha chegado o seu Dia da Libertação.
Passados 36 anos, os Militares de Abril, olham, com uma certa tristeza e desilusão para a situação dramática deste povo que, naquela manhã redentora, os abraçou e até beijou. Olham para este povo, a quem deram a liberdade, a viver em patamares de miséria, onde a justiça é lenta, a educação cheia de problemas, onde os cuidados de saúde primários são deficientes e onde o desemprego aumenta todos os dias. E perguntam, com certa legitimidade - Foi para ver estas desgraças, estas injustiças, que fizemos o 25 de Abril?... E alguns, já vão adiantando que, a continuar este estado de coisas, vai ser preciso um novo 25 de Abril…
No passado domingo, mais uma vez, comemorou-se o 25 de Abril. Na Assembleia da República, na Casa da Democracia, houve sessão solene, onde falaram os Partidos Políticos, o Presidente da Assembleia da República e o Presidente da República. Numa sessão muito pouco expressiva, cada partido exprimiu os seus pontos de vista, falou do significado daquela data, alguns até aproveitaram para criticar o Governo. E pouco mais. Quanto ao Sr.Presidente da República, mais uma vez apelou aos portugueses para terem fé num futuro melhor, que a crise vai passar e que Portugal,"se nós quizermos, vai voltara ser uma grande e próspera Nação". Onde é que eu já ouvi isto?. Salvo melhor opinião, o discurso do P.da R. é mais um discurso da sua campanha eleitoral, no sentido da sua reeleição. Retiro dele, no entanto, um a passagem, na qual ele se insurge contra os ordenados chorudos de alguns gestores de empresas públicas, que ultrapassam mais de cem vezes, o ordenado médio nacional. No meu entender, os gestores duma empresa, devem ser avaliados pela sua meritocracia e não pela sua mediocracia. E, se alguns políticos acham que esses ordenados são exagerados, então devem legislar para que os ordenados do Presidente da República e do Primeiro Ministro, sejam maiores, porque eles, bem vistas as coisas, são os gestores duma grande empresa que se chama Portugal. Em qualquer país do mundo, os melhores gestores, os melhores professores, os melhores médicos, os melhores empresários, etc.etc. são pagos pelo seu mérito, pela sua inteligência e pelo seu currículo. Caso contrário, e como têm emprego em qualquer parte do mundo, abandonam o seu país, transportando assim, todo o seu saber, para outras terras, para outras gentes, que lhe dão o devido valor.
Termino, como comecei. Pobre 25 de Abril!
Depois das festividades, das cerimónias oficiais, dos desfiles, do cravo ao peito, os portugueses voltam a sentir na pele, o seu dia a dia de dificuldades, no emprego, na educação, na saúde, na justiça e se perguntarem a um desempregado, como ele comemorou aquele dia, ele dirá concerteza: Tenho liberdade, os meus filhos não vão para a guerra, mas não tenho um bocado de pão para lhes dar…
E, isto, leitor, dá que pensar! Pelo menos a mim.
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