A negação
A sociedade é desumana,
Para com a tenra criança,
Nega-lhe sustento e cama,
Impõe-lhe a desesperança.
Nela impera o imundo desleixo,
O desdém, o brutal abandono,
A nodea de fustigante conceito,
Ameaçante e injuriante assomo.
A criança não tem perspectiva,
Nela se incrusta a desventura,
Transformando-a em alpista,
Para o bico da descompostura.
Quantos gemidos e gritos de revolta,
Choros e apelos procurando socorro,
Mas os adultos não dão viravolta,
Mantêm-se vis e sem prestar aforro.
Tenros corações, perdendo alento,
Por veias onde grassa a corrupção,
São testemunho do agravamento,
De relações que levam a deserção.