Jornal Digital Regional
Nº 488: 1/7 Mai 10
(Semanal - Sábados)






Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.
Cultura Desporto Freguesias Óbitos Política Pescas Roteiro

CIDADANIA

Muito convictamente, pensa-se que está justificada a determinação em avançar com um projecto que constituirá um programa cívico, de preparação de um novo cidadão, que não só em teoria, mas também na experiência de vida e na prática futura, será defendido intransigentemente, com observância dos valores da cidadania: democracia, tolerância, solidariedade, abertura a projectos idênticos e respectiva cooperação com os seus autores e destinatários. Este cidadão ficará preparado para assumir tal responsabilidade e, certamente, obterá os resultados pretendidos.

Nesta primeira abordagem cabe um estimulo aos estabelecimentos de ensino de todos os níveis, em geral, e às Universidades e Institutos Superiores Politécnicos, em particular, para uma das diversas motivações que fazem destes agentes da socialização, parceiros insubstituíveis na formação do cidadão. Escolas de todos os níveis de ensino, Centros de Formação Profissional e Centros de Novas Oportunidades, constituem com os restantes intervenientes no processo, a base de todo o sistema axiológico. Não bastam as disciplinas ditas técnicas, nem as denominadas ciências exactas.

Outros domínios do conhecimento e da reflexão tornam-se cada vez mais essenciais, cujo aprofundamento, poderá verificar-se ao nível superior, conforme e de resto refere (GARCIA, 2002, disponível on line www.magar.vet.br, 07.12.2002)

"A motivação filosófica refere-se ao papel que a universidade tem na sociedade brasileira, ou seja, ela procura adequar as actuações na universidade no sentido do fortalecimento da nação. Estas actuações se dão no sentido de formar lideranças intelectuais comprometidas com a solução dos graves problemas socioeconómicos do Brasil, além de sua actuação directa neste cenário através da sua actividade de pesquisa e de extensão. (...) Mas por que pesquisa e extensão são tão importantes para uma universidade? Em primeiro lugar pelo efeito directo de seus resultados. O país precisa de avanços que trazem a ciência e a tecnologia. A extensão, por sua vez, gera inegáveis ganhos para a comunidade com a qual a universidade se relaciona. (...) A formação de lideranças intelectuais com sólida capacidade crítica é cada dia mais fundamental para a soberania de um país em um mundo cada dia mais globalizado. Combinar filosofia com exigências governamentais e sustentação financeira não é, desta forma, uma missão impossível. É bom para o país, é bom para o Governo e é bom para os proprietários de universidades. A longo prazo, por fim, a implantação da pesquisa e extensão trará benefícios únicos. Os alunos que estudarem em universidades deste tipo inegavelmente terão uma melhor formação e o mercado saberá identificar isso.

O que se aplica ao Brasil, certamente e neste caso concreto, se aplicará a todos os países lusófonos e, confirmando tudo o que acima é referido, este trabalho dará o relevo possível aos papéis da Filosofia (tantas vezes e por tantas pessoas, injustamente, maltratada), da Ciência e da Técnica, precisamente, na educação e formação do novo cidadão. A cumplicidade entre as ciências sociais e humanas, com destaque para as filosofias: social, política e da educação e para as ciências ditas positivas ou exactas é uma inevitabilidade que deve cimentar a formação deste novo cidadão, sem que se lhe exija que tenha de assumir-se como filósofo, educador, professor, cientista ou técnico.

É importante que ele esteja sensibilizado para interiorizar e levar à prática um projecto de relacionamento, o melhor possível, com aqueles domínios dos "Saber-ser, Saber-estar, Saber-fazer" e "saber-conviver-com-os-outros", para melhor compreender e exercer os seus deveres e direitos, numa sociedade investida das condições de dignidade, que assiste a todos os seus elementos constituintes, desde logo o Homem-Cidadão, em comunhão profunda com a natureza e com Deus.

A aposta, fortíssima, que se coloca actualmente, pode passar pelo reconhecimento, descomplexado, quanto à necessidade de considerar a Filosofia e as Ciências da Educação como mais dois dos níveis do conhecimento, que importa incluir como uma dimensão inequivocamente significativa, nos currículos escolares, a todos os níveis de ensino e formação profissional.

Com efeito: se por um lado, se conhece a problemática que envolve os sistemas educativos e formativos; por outro lado, é notória alguma incapacidade para muitas famílias darem um maior apoio aos seus educandos, por razões várias e que também estão identificadas: a necessidade de o casal trabalhar fora da sua área de residência, entregando os filhos aos cuidados dos estabelecimentos próprios para cada idade; a que acresce um outro conjunto de factores que alteram e provocam mudanças profundas nos hábitos, opinião pública e mentalidades, que impedem os pais de terem uma intervenção mais activa e profícua junto dos seus filhos, aliás, PAULO II, (2003:19) aponta nesta direcção:

"Hoje torna-se cada vez mais árdua para os pais a tarefa de guiarem os filhos pelas várias etapas da sua vida. Na sociedade da tecnologia avançada, dos mass-media e da globalização tudo se torna tão rápido; e a distância cultural entre as gerações é cada vez maior. Os apelos mais diversos e as experiências mais imprevisíveis cedo invadem a vida das crianças e adolescentes, e os pais sentem-se às vezes angustiados para fazer face aos riscos que aqueles correm. Não é raro experimentarem fortes desilusões, constatando a falência dos seus filhos perante a sedução da droga, o fascínio dum hedonismo desenfreado, as tentações da violência, as expressões mais variadas da falta de sentido e de desespero."

Resulta que sem se pretender substituir a família na educação e na formação das crianças, a escola assume uma função essencial e, com tal evidência, não podem os responsáveis pelos sistemas educativos e formativos, ignorar certos domínios do conhecimento, desde logo, a Filosofia e as Ciências da Educação, enquanto disciplinas de reflexão e crítica, mas também interventivas e de projecto, como sendo fundamentais na preparação de cidadãos, responsáveis e conscientes, da importância que decisões e intervenções ponderadas têm no desenvolvimento da sociedade.

Considerar-se-á, ao longo deste trabalho, uma complementaridade solidária entre Filosofia e Ciência, esta no âmbito das Ciências Sociais e Humanas, com relevância para as Ciências da Educação, com o objectivo de sensibilizar não só entidades e instituições, como também os cidadãos individualmente considerados, para a pertinência e vantagens na apreensão, desenvolvimento e consolidação dos conhecimentos teóricos e práticos que ao longo da vida todos têm que ir adquirindo. ( ) Também o homem tem de proceder à sua própria globalização interna, estruturando-se e adaptando-se aos novos tempos, destes novos século e milénio que, apesar de tudo, se desejam de felicidade.

A indiferença que alguns sectores, mais renitentes à mudança, ainda manifestam, deve ser substituída por uma abertura ao mundo global, de forma a facilitar o melhor aproveitamento das sinergias dos tecnocratas positivistas e dos pensadores idealistas. Positivismo científico e subjectivismo filosófico, não são incompatíveis e, a moderá-los, envolver-se-ão as Ciências Sociais e Humanas na interdisciplinaridade com as Ciências da Educação, umas com mais objectividade e rigor quantitativo; outras com menor objectividade mas maior rigor qualitativo. O homem transporta em si três mundos: o material, com todo o peso da natureza; o imaterial com a profundidade dos seus sentimentos, emoções e personalidade própria e o artificial resultante de tudo quanto ele vai construindo. O novo cidadão saberá construir um mundo artificial, mais verdadeiro e mais justo.

A construção deste novo mundo artificial, em nada prejudica as realidades concretas, visíveis e palpáveis que a todos envolvem e, nem sequer menoriza a Natureza circundante da qual o próprio homem também é parte integrante. Este mundo, o artificial, construído com a inteligência e habilidade humanas, permitirá ao cidadão, adaptar a própria Natureza e muitos dos seus elementos às necessidades humanas, o que implica, por parte da sociedade, uma predisposição para novos valores, novos rituais e formas de vida, sem que isso interfira numa eventual e hipotética perda de dignidade, bem pelo contrário, quanto mais o homem inovar e produzir, tanto melhor poderão ser a sua qualidade e nível de vida.

Por tudo isto, filósofos e cientistas da educação, estudiosos das coisas imateriais, defendem neste trabalho a imprescindibilidade do contributo da Ciência; a indispensabilidade da eficácia da técnica e da tecnologia, na formação deste novo cidadão porque, pese, embora, uma cada vez maior fragmentação da Ciência, na verdade o que acontece é que a sociedade tem de estar preparada para conjugar os conhecimentos em função dos objectivos que pretende atingir, na medida em que e segundo MARTINS, (2003: 14): "Construir sociedades abertas à inovação é o caminho certo para responder ao desafio da globalização. A inovação é o facto que permite pôr o conhecimento ao serviço do desenvolvimento, sem a inovação o conhecimento tende para a esterilização. Uma sociedade que não está desperta para a inovação, não só perde o seu capital de saberes e de experiências, como tende a perder os seus recursos humanos mais qualificados."

A par de todo o processo de globalização em curso, das dinâmicas da inovação e da racional e equilibrada aplicação dos conhecimentos e experiências, caminharão, igualmente e em interdisciplinaridade, todo um conjunto de valores, de princípios e de comportamentos que integram as diversas culturas. Insistir em separações epistemológicas, discriminações negativas, secundarização de conhecimentos e experiências não validados academicamente em benefício dos que são adquiridos, exclusivamente, pela via universitária; assumir posições que humilham homens perante outros homens, recorrendo a comportamentos de discriminação por causa da raça, sexo, etnia, cultura ou quaisquer outros argumentos, parece que são estratégias ultrapassadas e inaceitáveis, porque de acordo com a opinião de LAFER, (2003: 12: "O nosso dever é o de afirmar que não existem raças mas seres humanos; que o ódio racial é um dos mais terríveis flagelos da humanidade; que a expressão mais violenta do ódio racial foi o estado hitlerista; que a aparição de uma suástica é uma sombra da morte. Cabe aos homens de boa-vontade cancelá-la, num pacto de solidariedade."

O cidadão do futuro que se deseja "construir", será um dos homens de boa-vontade e, nesse sentido, preparar-se-á com total empenhamento, responsabilidade e competência, canalizando todos os seus conhecimentos, experiências e sensibilidade para os valores consagrados numa democracia de verdadeira cidadania, onde cada cidadão exercerá os seus direitos e cumprirá com os inerentes deveres, sem perder de vista os valores do progresso, do desenvolvimento, do bem-estar da sociedade, onde cada vez haja mais lugar à inclusão: social, política, económica, profissional, cultural e universal, para que todos possam beneficiar da Paz, da Justiça, da Educação, da Solidariedade, da Tolerância e da Democracia.

Uma sociedade onde não haja mais lugar aos linchamentos públicos por força dos pensamentos, convicções, ideologias político-partidárias, religiosas e outras, que cada um tem o direito de professar. É este o cidadão global que se deseja para o mundo deste novo século XXI, desde logo a desenvolver-se a partir dos espaços luso-brasileiro, lusófono e ecuménico. Um cidadão de valores, de crenças, de convicções, de trabalho e de auto-estima. Um novo e respeitável cidadão do mundo.

Pretende-se, obviamente, denunciar a situação do ainda não exercício pleno da cidadania, em muitos locais do mundo, aqui conceptualizada como conjunto de deveres e direitos dos cidadãos, assumidos responsavelmente. Este é que é o verdadeiro problema, para se apontar, ao longo da vida e algumas soluções que se julgam não só exequíveis como também desejáveis. Temática central assente na educação para a cidadania, à qual responde, de forma inovadora, uma possibilidade real, ainda que demorada, da "construção", no sentido da educação e formação, de um novo cidadão, através da invocação, o mais exaustiva possível, de um outro cidadão, pretensamente luso-brasileiro, cuja vida, princípios e valores se podem considerar modelares, não obstante e à sua época os problemas serem diferentes, alguns deles, porém, mantêm a actualidade, neste início de século. Falamos de Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), filósofo, professor, diplomata, jurista e cidadão do mundo

Pensa-se estar justificada a preferência por esta opção no destaque que se dará à dimensão religiosa do homem que, quer se acredite ou não, está intrinsecamente em todos e em cada um, com a diferença de que: muitos apercebem-se dela e a usam; outros a sentem mas, preconceituosamente, não a querem demonstrar e, finalmente, aqueles que não tiveram a possibilidade de sobre ela reflectir e, pura e simplesmente, a negam e recusam. Independentemente das crenças e convicções de cada um. Refere OLIVEIRA, (2005:453) o seguinte:: "A religião é um fenómeno pessoal e social de grande relevância que pode ser abordado desde as mais diversas perspectivas, incluindo as ciências humanas…"

Bibliografia
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2002). "Silvestre Pinheiro Ferreira: Paladino dos Direitos Humanos no Espaço Luso-Brasileiro" Dissertação de Mestrado, Braga, Universidade do Minho. (Publicada em artigos, 2008, www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", (Disponível nas Bibliotecas Nacional de Lisboa; Universidade do Minho, ISPGaya; Bibliotecas Municipal do Porto e de Caminha; Brasil - Campinas SP: UNICAMP, PUC, METROCAM, UNIP; PUC, Municipal Prefeitura de Campinas)
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2006). "Cooperação Brasil-Portugal, Inspirada em Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846)", Campinas SP: Metrocamp Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas - Brasil, in www.metrocamp.com.br; (Link Artigos) 27/06/2006;
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2006). "Cooperação Brasil-Portugal, Inspirada em Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846)", in Pórtico Cerveirense, Secção: Cultura e Cidadania, Gondarém - Vila Nova de Cerveira: Juvia - Pontevedra - Espanha N. 5, Dezembro-2007, pp. 38-40
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2008). "Contributo da Filosofia para os Direitos Humanos", site www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna", N. 416 Semana de 29/ Nov. a 05/Dez. 2008.
GARCIA, 2002, on line www.magar.vet.br, 07.12.2002)
LAFER, Celso (2003) "O Supremo Tribunal Federal e o caso Ellwanger", Apud Norberto Bobbio in O Mundo em Português, S. João do Estoril: Principia, Publicações Universitárias e Científicas, 49-Outubro, 11-13,
MARTINS, Álvaro, et al. (2003). Estudo sobre o Impacto das Novas Tecnologias da Informação na Criação e supressão de Emprego, Lisboa: Observatório do Emprego e Formação Profissional, /I.E.F.P. - Instituto do Emprego e Formação Profissional.
OLIVEIRA, Carlos Barbosa, (2005). "Protocolo de Quioto: Um Desafio à Inovação" in Dirigir. Lisboa: IEFP - Instituto do Emprego e Formação profissional, Nº 90, Mar.Abr.2005, pp.32-39
PAULO II, João, (2003). Carta Apostólica "Rosarium Virginis Mariae: Rosário Bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus", in Arautos do Evangelho, S. Paulo: Associação Arautos do Evangelho, Ano II, (22). Outubro/2003, pp. 16-19

Venade - Caminha - Portugal, 2009
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
bartolo.profuniv@mail.pt
4910-354 Venade - Caminha - Portugal
Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea
Universidades: Minho/Portugal; Unicamp/Brasil
Professor-Formador
bartolo.profuniv@mail.pt

PARA ALÉM DOS MONTES, PARA ALÉM DOS MARES ITINERÁRIOS DE MOBILIDADE DE DOIS SÉCULOS DE UMA FAMÍLIA DA VILA DE VIANA, OS ÁLVARES DE OLIVEIRA.

Lívio Correia

INTRODUÇÃO

Este estudo descreve a mobilidade de alguns ramos da família Álvares de Oliveira, da antiga Vila de Viana. Os Álvares de Oliveira parece não terem deixado marcas pessoais de realce na rica arquitectura urbana da cidade. Não obstante, representam um paradigma do longo e seguro percurso ascensional através dos negócios e da acumulação de cabedais, de uma família para a qual a dinâmica da ascensão tornou pequeno o espaço de origem.

Os itinerários percorridos pelos seus membros têm início no 1º quartel de Seiscentos e abrangem um período de cerca de dois séculos. A cronologia é inteiramente baseada em buscas efectuadas nos registos paroquiais, nas notas da Universidade de Coimbra, na Leitura de Bacharéis, nas Habilitações ao Santo Ofício, etc., o que permite acompanhar o movimento das personagens dentro dos contextos da época1.

Na memória genealógica o tronco desta gens e os dois ramos em que ele se subdivide, em meados de Setecentos, são descritos sob a forma de título genealógico, com o objectivo de fornecer uma estrutura padronizada do caso.

As gerações movem-se, transpondo os montes, desde o Minho interior até à Vila de Viana onde se dedicam à carreira do Brasil e obtêm posições na Correição. Nesta terra vão descobrir novos horizontes, mais largos, para além dos mares, e reorientar os seus destinos: em Lisboa, na carreira das armas, e no Império do Brasil, na exploração de engenhos de açúcar.

André Álvares de Oliveira, último representante do antigo tronco da família, ainda nasceu em Viana no ano de 1700 mas já casou no Rio de Janeiro em 1746 com D. Joana Maria de Jesus, representante de costados bem conhecidos. Dos sete filhos deste casamento, cujos registos fomos encontrar nos livros paroquiais do Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, seguiremos os dois primeiros, Bento José e Joaquim José, cujo apelido mudou, na época, de Álvares para Alves, e que seguiram rumos diferentes.

O ramo encabeçado por Bento José Alves de Oliveira instalou-se definitivamente no Brasil e transmitiu os apelidos Alves de Oliveira à sua descendência. O ramo encabeçado por Joaquim José Alves de Oliveira teve continuidade em Portugal e os seus descendentes irão usar os apelidos Mendonça Arrais, trazidos pela mulher.

Bento José Alves de Oliveira, preferia os amplos espaços do Novo Mundo, repletos de oportunidades, que lhe proporcionam acumulação de riqueza e cultura – vejamos a referência à biblioteca de seu pai, André Álvares de Oliveira, considerada uma das mais ricas do Rio de Janeiro. Este ramo irá então movimentar-se num extracto típico de uma elite endinheirada num período de prosperidade da economia brasileira.

Joaquim José Alves de Oliveira prosseguiu os interesses da família na vila de Viana e aliou-se aos Mendonça Arrais, de Lisboa, pelo casamento com D. Maria do Carmo de Mendonça Arrais e Almada. O único filho deste matrimónio, Francisco de Paula, já nasceu em Viana no ano de 1782.

Talvez seja aqui oportuna uma curta notícia sobre estes Mendonça Arrais, família que nas centúrias de Seiscentos e de Setecentos, pertencia à principalidade da capital onde foi proprietária de ofícios na administração, e as suas raízes, já estudadas, vão até à alta Idade Média. Instituiu Capelas e Morgados em Lisboa e em Almada, que permaneceram na posse da família durante séculos, e atingiu o apogeu no Renascimento quando Brites Arrais de Mendonça casou com Pedro Paulo Marchione. Pedro Paulo era o filho mais velho do mercador e banqueiro florentino Bartolomeu Marchionni “estante” em Lisboa, que se movimentava na esfera dos interesses da Coroa, e a quem os historiadores consideram o homem mais rico de Portugal no reinado de D. Manuel I. Com o decurso das gerações o fraccionamento do património levou à perda da grande influência que os Marcchionni haviam alcançado na época dos descobrimentos. Quatro gerações mais tarde o próprio apelido Marchione - aportuguesamento do italiano Marchionni - deixou mesmo de ser usado pela descendência de D. Francisca Leonor Marchione de Mendonça Arrais, falecida em 1685, bisneta da primeira união entre os Marchione e os Mendonça Arrais. De facto, na linha que interessa a este estudo, foi esta a última portadora deste apelido pois seu filho António, que nascera no ano de 1664, usou apenas os apelidos Mendonça Arrais que por seu turno transmitiu à bisneta D. Maria do Carmo de Mendonça Arrais e Almada, que um século depois continuou transmiti-los.

Da união de Joaquim José Alves de Oliveira com D. Maria do Carmo nasceu Francisco de Paula de Mendonça Arrais que seguiu a carreira das armas e morreu em acção, no ano de 1813, em Bayonne, na batalha do Nive, em perseguição das tropas francesas invasoras da península, deixando órfã, de um ano de idade, sua filha Maria Teodolinda. Este ramo aproximou-se então da extinção, mas ao longo das três gerações seguintes recuperou frondosa descendência. Os apelidos Mendonça Arrais, transmitidos pela via feminina, poucas mais gerações lhe sobreviveram. Iria assim repetir-se, em contextos sócio-económicos novos, a história do ciclo de vida dos apelidos, como representação do poder das famílias ou das respectivas casas no sentido abrangente do termo.

Dadas as restrições de espaço a que estamos sujeitos, a introdução e a memória genealógica que suportam a estrutura do trabalho foram confinadas aos limites temporais de maior significância para o tema, mas a metodologia utilizada fornece um roteiro cronológico sintético de datas, lugares, ruas e cargos, e outras pistas úteis para futuras investigações que poderão aprofundar a breve análise abordada neste estudo.

MEMÓRIA GENEALÓGICA2

1. D. ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA.

Natural da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo, onde foi moradora na Rua do Tourinho.

A 25.9.1696, data do início do processo mais adiante referido, de habilitação ao Santo Ofício, de seu neto Félix Álvares de Oliveira, era já falecida.

Não casou, mas teve de DIOGO DA CUNHA REGO, homem nobre, cavaleiro da Ordem de Cristo que era, segundo o testemunho de inquiridos no dito processo, uma das pessoas principais da vila de Viana, donde era natural, e nela morador em frente à igreja da Misericórdia, uma

Filha:

2.1. D. Maria de Oliveira, q. s.

2. D. MARIA DE OLIVEIRA.

B. cerca de 1645 na vila de Viana.

C. antes de 1668 com MANUEL ÁLVARES DE CARVALHO, natural da Abelheira, arrabalde da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo, filho de Manuel Lourenço, natural da fregª de Manhente, concº de Barcelos, e de sua mulher D. Maria Álvares, natural de Viana3, neto paterno de Domingos Pires e de Catarina Lopes, da “fregª de S. Veríssimo, termo de Prado”, neto materno de Sebastião Cerqueira e de Maria Gonçalves, da vila de Viana. Foram moradores na Abelheira.

Manuel Álvares de Carvalho era, segundo uma testemunha da habilitação de seu filho Félix ao Santo Ofício, um homem de grande cabedal que vivia de seus negócios e suas fazendas.

Filhos:

3.1. Manuel.

B. a 26.2.16694 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo sendo padrinhos Heitor Tinoco e Brites da Cunha, viúva.

3.2. Félix Álvares de Oliveira.

B. a 16.7.1671 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo sendo padrinhos Miguel da Cunha Pinheiro e o arcipreste Manuel de Sá.

2 No texto e nomeadamente nas notas de rodapé foram utilizadas as abreviaturas seguintes: ADEVR=Arquivo Distrital de Évora; ADL=Arquivo Distrital de Lisboa; ADSTR=Arquivo Distrital de Santarém; ADVCT=Arquivo Distrital de Viana do Castelo; A.H.M.=Arquivo Histórico Militar; A.N.R.J.=Arquivo Nacional do Rio de Janeiro; AUC=Arquivo da Universidade de Coimbra; B.= Baptizado(a), baptismos; C.=Casou, casado(a), casamentos; C. g.=Com geração; C.R.C.=Conservatória do Registo Civil; Cad.=Caderno; C.O.C.=Cavaleiro da Ordem de Cristo; Concº=Concelho; Cx.=Caixa; D.=Dom, Dona; Distrº=Distrito; Doc.=Documento; F.=Fólio, folha(s), faleceu; Fregª=Freguesia; I.A.N./T.T.=Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo; Lº=Livro; Mª=Maria; Nº=Número; O=Óbitos; P.=Página(s); P. e =Padre; Q. s.=Que segue; S. = São; S. d.=Sine data (Sem data); S. g.=Sem geração; S. l.=Sine loco (Sem lugar); S. m. n.=Sem mais notícia; S. n.=Sine nomine (Sem nome); Stª=Santa; Stº=Santo; V.=Verso; Vol.=Volume.

3 Manuel Lourenço e Maria Álvares c. a 3.6.1644 na fregª de Stª Mª Maior, sendo a nubente freguesa da “igreja velha” e foram testemunhas Francisco Rodrigues, Sebastião Cerqueira e Madalena Fernandes (ADVCT, Registo Paroquial, fregª de Stª Mª Maior, concº de Viana do Castelo, distrº de Braga, Lº M-4, f. 70v, Cota 3.20.2.40).

4 ADVCT, Registo Paroquial, fregª de Stª Mª Maior, concº de Viana do Castelo, distrº de Braga, Lº B-3, f. 79v, Cota 3.20.3.12. | 182 Para além dos montes, para além dos mares itinerários de mobilidade de dois séculos de uma família da vila de Viana, os Álvares de Oliveira

C. a 18.2.16915 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, sendo testemunhas Manuel Gomes, procurador da Câmara, João Vieira, o P.e João Soares e o P.e Amaro de Lira, com Revocata Soares,

b. na igrª matriz de Viana, filha de Manuel Soares e de Isabel Fernandes6, neta paterna de Pedro Soares e de Ângela Rodrigues, neta materna de Baltazar Fernandes e de Maria Rodrigues.

Familiar do Santo Ofício por carta de 5.5.16987.

Foi escrivão proprietário da Correição de Viana.

3.3. André Álvares de Oliveira.

B. a 2.12.16738 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos António Álvares Pinheiro e Mariana da Silva, todos de Viana.

C. a 31.12.16959 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, por seu procurador Miguel da Cunha Pinheiro, sendo testemunhas o P.e Francisco de Barros e o irmão do noivo Félix e assistindo o irmão da noiva P.e Manuel Rodrigues Seixas, com Teresa de Seixas Pereira, filha do capitão Domingos Rodrigues Seixas e de Ana Seixas10, neta paterna de Pedro Domingues e de Ana Rodrigues, neta materna de António Fernandes de Seixas e de Isabel Gonçalves, a qual foi

b. na mesma fregª a 28.10.166811 sendo padrinhos João Gonçalves Bandeira e Manuel Cardoso da Silva.

Formou-se em Leis na Universidade de Coimbra no ano de 1703. Fez leitura de bacharéis12. Familiar do Santo Ofício por carta de 29.4.172413.

Foi capitão de um navio da carreira do Brasil e viveu também de seus negócios e suas fazendas.

3.4. António Álvares de Oliveira, q. s.

3.5. Paulo Álvares de Oliveira.

B. na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana.

C. a 19.1.170114 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, sendo testemunhas Manuel Álvares de Carvalho, o Revº João Soares capelão de S. Bento, o Revº Martinho Rodrigues, o Revº

Francisco Rodrigues de Barros e outras muitas pessoas todas da vila de Viana, com Paula Maria de Seixas, filha do capitão Domingos Rodrigues Seixas e de Ana Seixas, neta paterna de Pedro Domingues e de Ana Rodrigues, neta materna de António Fernandes de Seixas e de Isabel Gonçalves.

3.6. Teófilo.

B. a 9.2.167615 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos João da Rocha e Maria Ramos, todos de Viana.

3.7. N…(no assento só se lêem as duas últimas letras do nome …ho)

B. a 26.6.167716 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos João Carvalho Tourinho e João Lopes.

3. ANTÓNIO ÁLVARES DE OLIVEIRA.

B. na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana.

C. a 26.10.169917 na fregª da Correlhã, concº de Ponte de Lima, sendo testemunhas António da Costa Prado, da vila de Viana, Manuel Gomes, da Vila de Ponte de Lima e o Beneficiado Luís Alves Ferreira, da fregª da Correlhã, com MARIA DA ROSA DA GRAÇA, filha de Baltazar Rodrigues Nogueira e de sua mulher Gregória Gomes, fregueses da Colegiada de Viana, achando-se o seu casamento registado no livro de assentos de casamento da fregª Stª Maria Maior, concº e distrº de Viana do Castelo. Maria da Rosa da Graça foi proprietária na vila de Viana onde morou com seu marido na Rua do Espírito Santo.

A António Álvares de Oliveira é atribuído o posto de coronel em vários assentos de baptismo de seus netos.

Filhos:

4.1. André Álvares de Oliveira, q. s.

4. ANDRÉ ÁLVARES DE OLIVEIRA.

N. a 30.11.170018 na Rua do Espírito Santo da cidade de Viana do Castelo e foi b. a 12 de Dezembro do mesmo ano na igrª paroquial da fregª de Stª Maria Maior da mesma cidade, sendo padrinhos o tio paterno Félix Álvares de Oliveira e a avó paterna D. Maria de Oliveira. André Alves de Oliveira matriculou-se na Universidade de Coimbra em Instituta em 1.10.1718 e formou-se em Cânones em 2.7.172619.

Emigrou para o Brasil.

Foi testemunha de inquirição de genere do Mosteiro de São Bento e em vários documentos do Rio de Janeiro setecentista. Adquiriu parte da biblioteca de Caldas Barbosa com a qual ficou possuidor de uma das maiores bibliotecas do Rio de Janeiro na época20.

C. a 24.12.174621 na fregª da Sé, da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, com D. JOANA MARIA DE JESUS, a qual foi b. a 15.6.1728 na mesma fregª, sendo padrinhos o capitão Francisco dos Santos e Teresa Francisca, mulher de Guilherme Nunes Franse (sic), filha de Bernardo da Silva Sena e de sua mulher D. Catarina de Alvarenga22, neta paterna de Manuel da Silva Sena e de D. Joana Gomes, neta materna de António Furtado de Mendonça e de D. Maria dos Reis.

F. no Rio de Janeiro em 1776 e deixou quatro filhos. Por sua morte fez-se inventário23.

Filhos:

5.1. Bento José Alves de Oliveira, q. s. no PARÁGRAFO 1º

5.2. Joaquim José Alves de Oliveira, q. s. no PARÁGRAFO 2º

5.3. Joana.

N. a 24.6.174924 e foi b. a 6 do mês seguinte na capela de Nª Srª da Conceição do Rio Comprido, na fazenda do Excelentíssimo Senhor Bispo Dom Frei António do Desterro, que foi o baptizante, sendo padrinhos o Dr. João de Sousa de Meneses Lobo e Nossa Senhora. 5

.4. Rosa.

N. a 1(?).3.175125 e foi b. a 15 do mesmo mês na fregª da Sé da cidade do Rio de Janeiro sendo padrinhos o capitão Domingos Ferreira da Veiga e a tia materna Ana Maria, filha de Bernardo da Silva [Sena].

5.5. António Alves de Oliveira.

N. a 3(?).10.175226 e foi b. a 21 do mesmo mês na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro sendo padrinhos o capitão Máximo Barbosa Pinto e sua mulher D. Rosa Maria Inácia.

5.6. Ana.

N. a 12?.2.175527 e foi b. a 11 do mês seguinte na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro sendo padrinho José Rodrigues Andrade, por seu procurador o sargento-mor … Borges de Freitas.

5.7. Sebastiana.

B. a 3.3.175728 na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro sendo padrinho o coronel Francisco Gonçalves.

PARÁGRAFO 1º

ALVES DE OLIVEIRA DO RIO DE JANEIRO

5. BENTO JOSÉ ALVES DE OLIVEIRA.

N. a 9.3.174629 e foi b. a 21 do mesmo mês na igreja da Sé Catedral do Rio de Janeiro sendo padrinhos João Malheiro Reimão Pereira e a avó materna Catarina de Alvarenga.

Foi quartel-mestre do Regimento Velho (1794), tenente honorário e proprietário da Fazenda do Tinjuá, no Rio de Janeiro, onde pode ter havido engenho.

C. a 19.8.178630 na fregª da Candelária, da cidade do Rio de Janeiro, com D. MARIA FAUSTINA DO NASCIMENTO MOREIRA, a qual n. na fregª da Candelária, da cidade do Rio de Janeiro, filha do Dr. Manuel Moreira de Sousa (b. na fregª da Candelária) e de sua mulher D. Ana Maria de Jesus, neta paterna de Luís Moreira de Sousa e de sua amiga D. Francisca Ribeiro Lisboa, neta materna de João Barbosa Moreira e de sua amiga D. Joana Maria de Jesus.

O Dr. Manuel Moreira de Sousa foi b. na fregª da Candelária da cidade do Rio de Janeiro e c. a 12.8.176231 na igrª do Bom Jesus da mesma fregª, sendo testemunhas Luís Moreira de Sousa e José..., com D. Ana Maria de Jesus a qual n. no Rio de Janeiro onde f. a 14.5.181332, já viúva, na fregª da Candelária.

Bento José f. no Rio de Janeiro a 5.4.181333 na fregª da Candelária, com 67 anos de idade e sua mulher, D. Maria Faustina, f. a 24.7.180434, na mesma fregª, do parto de sua filha Maria Faustina.

Filhos:

6.1. D. Ana Alves de Oliveira.

N. no Rio de Janeiro onde foi b. no ano de 179135 na fregª da Candelária.

F. no ano de 1813.

6.2. D. Ana Procópia Alves de Oliveira.

N. no Rio de Janeiro onde foi b. no ano de 179236 na fregª da Candelária.

6.7. D. Maria Faustina.

N. a 24.7.1804 na fregª da Candelária.

28PARÁGRAFO 2º

MENDONÇA ARRAIS DE LISBOA

5. JOAQUIM JOSÉ ALVES DE OLIVEIRA.

N. a 10.8.174737 e foi b. a 27 do mesmo mês na igreja da Sé Catedral, fregª da Sé, do Rio de Janeiro, sendo padrinhos o guarda-mor Filipe Néri e a tia materna Ana Maria, filho do Dr. André Alves de Oliveira e de D. Joana Maria de Jesus, neto paterno do coronel António Alves de Oliveira e de D. Rosa Maria da Graça, neto materno de Bernardo da Silva Sena e de D. Catarina de Alvarenga.

C. com D. MARIA DO CARMO DE MENDONÇA ARRAIS E ALMADA, filha de Luís Félix de Mendonça Arrais e Almada e de sua mulher Dona Ana Joaquina Leocádia Pinheiro de Vasconcelos, neta paterna de Fernando de Mendonça Arrais e Almada, moço da Câmara do Rei D. João V por alvará de 1.7.172338 e administrador da Capela de S. Marçal, na igreja do Convento da Graça, em Lisboa, em sucessão a seu tio materno João Cunha de Almada39, e de D. Teresa Josefa de Mendonça e Sá, neta materna de António Pinheiro de Vasconcelos e Miranda e de Dona Antónia Teresa Monteiro Robalo de Miranda.

D. Maria do Carmo de Mendonça Arrais e Almada n. a 2.2.176240 na Rua Nova da Patriarcal na fregª de Stª Isabel em Lisboa e foi b. em casa em perigo de vida pelo Pe. Frei Francisco Monteiro, da Ordem de Cristo, morador no convento de Tomar, e recebeu os santos óleos a 15 de Maio do mesmo ano na igreja paroquial da fregª de Stª Isabel sendo padrinhos Henrique de Sousa e Mello e D. Theresa Violante Judith de Daun, Condessa de S. Payo, filhos do Conde de Oeiras e mais tarde 1º Marquês de Pombal. Neste registo paroquial declara o Cura João José da Costa: “baptizey subconditione por haver alguma duvida na valide. do Baptismo”.

D. Maria do Carmo obteve a 7.3.1778 carta de mercê de 25 mil réis de tença de obra pia com indicação de que por seu falecimento a tença passará para a irmã D. Ana Rosa.

Filho:

6.1. Francisco de Paula de Mendonça Arrais, q. s.

6. FRANCISCO DE PAULA DE MENDONÇA ARRAIS.

N. a 27.3.178241 na cidade de Viana do Castelo e foi b. a 9 de Abril do mesmo ano na igreja paroquial da fregª de Stª Mª Maior da mesma cidade sendo padrinhos o desembargador António Félix Contreiras da Silva e sua mulher D. Antónia Clara da Costa Maciel e Sá.

C. com D. JACINTA ROSA MONTEIRO, a qual foi b. a 21.3.178642 na fregª de Stº André de Estremoz, filha de António Rodrigues Monteiro e de Rosa Angélica Nogueira, neta paterna de Bernardo António e de Francisca Monteiro Correia e neta materna de Manuel Cheo e de Luísa Josefa Nogueira sendo padrinhos João (...) e Jacinta Rosa de Aguiar Gameiro moradores em Lisboa.

Foi capitão da 4ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 5. Promovido a alferes por distinção na defesa da praça de Campo Maior participou na Guerra Peninsular e morreu em combate, aos 31 anos de idade, nas imediações de Bayonne, na batalha do Nive que se desenrolou de 9 a 13 de Dezembro de 1813.

No Livro Mestre43 existente no Arquivo Histórico Militar, em Lisboa, encontra-se lançado o seu tempo de serviço nos diferentes postos: a 8.5.1800, aos 18 anos de idade, assentou praça como soldado; foi reconhecido cadete a 8.11.1800; foi promovido a alferes por decreto de 3 de Julho de 180144 por comportamento valoroso na defesa de Campo Maior durante o cerco montado pelos espanhóis, a ajudante por decreto de 21 de Janeiro de 1809, e a capitão por decreto de 22 de Julho de 181045.

Tomou parte na Guerra Peninsular contra os exércitos franceses invasores participando nos combates seguintes: em 1809 em Alcântara (10.6.1809), Valverde (7.8.1809) e Porto de Banhos (12.8.1809); em 1811 em Albuera (16.5.1811) na que foi uma das batalhas mais sangrentas desta guerra, no cerco de Badajoz (19.5.1811 a 17.6.1811) e em Rebolora; em 1812 em Arapiles (22.7.1812) e no cerco do castelo de Burgos (19.9.1812 a 31.10.1812); em 1813 em Vitória e foi morto a 10.12.181346 “em acção” em solo francês, nas imediações de Bayonne, na batalha do Nive (que decorreu de 9 a 13 de Dezembro de 1813).

Foi condecorado postumamente pelo D. 31/1920 com a cruz de ouro para oficiais da Guerra Peninsular de 5 anos de campanha47.

Deixou sua filha Maria Teodolinda órfã, com um ano de idade.

Filha:

7.1. D. Maria Teodolinda de Mendonça Arrais, q. s.

7. D. MARIA TEODOLINDA DE MENDONÇA ARRAIS.

B. em casa «por necessidade» a 7.9.181248 na fregª de Stº André do concº de Pinhel, sendo padrinho José Caetano de Campos Pereira e Amorim.

C. a 4.10.182849 na fregª de Stª Catarina da cidade de Lisboa com JOAQUIM ANTUNES DA SILVA «furriel da Goarda Real da Policia, filho de Jose Antunes e de Gertrudes Micaella do Sacramento, já falecidos, baptizado na Freguezia de Nossa Senhora Mai dos Homens da Villa de Ourem, bispado de Leiria». À data do casamento os nubentes eram moradores em Lisboa, ela na rua de João Brás na fregª de Stª Catarina e ele no quartel da Rua do Carrasco.

D. Maria Teodolinda f. viúva a 5.6.187050, em Ourém, onde era proprietária.

D. Gertrudes Micaela, mãe do noivo, f. a 16.8.182751 já viúva nos Vales, em Ourém.

Filha:

8.1. D. Joaquina Isabel de Mendonça Arrais e Silva, q. s.

8. D. JOAQUINA ISABEL DE MENDONÇA ARRAIS E SILVA.

B. em Lisboa a 20.6.184252, na fregª de Stª Catarina, da mesma cidade, sendo padrinhos Francisco Ferreira Pimenta, morador no Loreto, e Maria Isabel Cândida Ribeiro da Silva, moradora em Ourém, por procuração a seu sobrinho Francisco Antunes.

C. a 5.9.186653 na igreja paroquial de Ourém, sendo testemunhas António da Silva Neves e o Dr. Joaquim António de Oliveira Flores, com MANUEL ANTÓNIO DE CAMPOS FLORES, o qual n. a 7.6.183954 e foi baptizado a 17 do mesmo mês na fregª de Ourém, sendo padrinhos os avós
paternos, Manuel Pereira Flores e Mariana Rosa da Piedade, filho de Manuel António Pereira Flores e de D. Perpétua Rosa de Oliveira, neto paterno de Manuel Maria Pereira Flores e de Mariana Rosa da Piedade e neto materno de Francisco Álvares de Assis, natural da Farroeira, na fregª de Pussos, do concº de Alvaiázere, do distrº de Leiria, e de Perpétua Jacinta Rosa de Oliveira, natural da Quinta das Capelas, na fregª de Formigais, do concº de Vila Nova de Ourém, do distrº de Santarém e f. a 22.4.193055 na sua Quinta de Vale Bom com 90 anos de idade. Nas partilhas que se fizeram por morte dos pais de Manuel António de Campos Flores coube-lhe a ele uma quinta nos Vales.

D. Joaquina Isabel f. a 15.2.191156 em Ourém, também na Quinta de Vale Bom. C. g57.