Este estudo descreve a mobilidade de alguns ramos da família Álvares de Oliveira, da antiga
Vila de Viana. Os Álvares de Oliveira parece não terem deixado marcas pessoais de realce na rica
arquitectura urbana da cidade. Não obstante, representam um paradigma do longo e seguro percurso
ascensional através dos negócios e da acumulação de cabedais, de uma família para a qual
a dinâmica da ascensão tornou pequeno o espaço de origem.
Os itinerários percorridos pelos seus membros têm início no 1º quartel de Seiscentos e abrangem
um período de cerca de dois séculos. A cronologia é inteiramente baseada em buscas efectuadas
nos registos paroquiais, nas notas da Universidade de Coimbra, na Leitura de Bacharéis,
nas Habilitações ao Santo Ofício, etc., o que permite acompanhar o movimento das personagens
dentro dos contextos da época1.
Na memória genealógica o tronco desta gens e os dois ramos em que ele se subdivide, em meados
de Setecentos, são descritos sob a forma de título genealógico, com o objectivo de fornecer
uma estrutura padronizada do caso.
As gerações movem-se, transpondo os montes, desde o Minho interior até à Vila de Viana onde
se dedicam à carreira do Brasil e obtêm posições na Correição. Nesta terra vão descobrir novos
horizontes, mais largos, para além dos mares, e reorientar os seus destinos: em Lisboa, na carreira
das armas, e no Império do Brasil, na exploração de engenhos de açúcar.
André Álvares de Oliveira, último representante do antigo tronco da família, ainda nasceu em
Viana no ano de 1700 mas já casou no Rio de Janeiro em 1746 com D. Joana Maria de Jesus, representante
de costados bem conhecidos. Dos sete filhos deste casamento, cujos registos fomos
encontrar nos livros paroquiais do Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, seguiremos
os dois primeiros, Bento José e Joaquim José, cujo apelido mudou, na época, de Álvares para Alves,
e que seguiram rumos diferentes.
O ramo encabeçado por Bento José Alves de Oliveira instalou-se definitivamente no Brasil e
transmitiu os apelidos Alves de Oliveira à sua descendência. O ramo encabeçado por Joaquim
José Alves de Oliveira teve continuidade em Portugal e os seus descendentes irão usar os apelidos
Mendonça Arrais, trazidos pela mulher.
Bento José Alves de Oliveira, preferia os amplos espaços do Novo Mundo, repletos de oportunidades,
que lhe proporcionam acumulação de riqueza e cultura – vejamos a referência à biblioteca
de seu pai, André Álvares de Oliveira, considerada uma das mais ricas do Rio de Janeiro. Este
ramo irá então movimentar-se num extracto típico de uma elite endinheirada num período de
prosperidade da economia brasileira.
Joaquim José Alves de Oliveira prosseguiu os interesses da família na vila de Viana e aliou-se
aos Mendonça Arrais, de Lisboa, pelo casamento com D. Maria do Carmo de Mendonça Arrais e
Almada. O único filho deste matrimónio, Francisco de Paula, já nasceu em Viana no ano de 1782.
Talvez seja aqui oportuna uma curta notícia sobre estes Mendonça Arrais, família que nas centúrias
de Seiscentos e de Setecentos, pertencia à principalidade da capital onde foi proprietária de
ofícios na administração, e as suas raízes, já estudadas, vão até à alta Idade Média. Instituiu Capelas
e Morgados em Lisboa e em Almada, que permaneceram na posse da família durante séculos, e
atingiu o apogeu no Renascimento quando Brites Arrais de Mendonça casou com Pedro Paulo
Marchione. Pedro Paulo era o filho mais velho do mercador e banqueiro florentino Bartolomeu
Marchionni “estante” em Lisboa, que se movimentava na esfera dos interesses da Coroa, e a quem
os historiadores consideram o homem mais rico de Portugal no reinado de D. Manuel I. Com o
decurso das gerações o fraccionamento do património levou à perda da grande influência que os
Marcchionni haviam alcançado na época dos descobrimentos. Quatro gerações mais tarde o próprio
apelido Marchione - aportuguesamento do italiano Marchionni - deixou mesmo de ser usado
pela descendência de D. Francisca Leonor Marchione de Mendonça Arrais, falecida em 1685, bisneta
da primeira união entre os Marchione e os Mendonça Arrais. De facto, na linha que interessa
a este estudo, foi esta a última portadora deste apelido pois seu filho António, que nascera no ano
de 1664, usou apenas os apelidos Mendonça Arrais que por seu turno transmitiu à bisneta D. Maria
do Carmo de Mendonça Arrais e Almada, que um século depois continuou transmiti-los.
Da união de Joaquim José Alves de Oliveira com D. Maria do Carmo nasceu Francisco de Paula
de Mendonça Arrais que seguiu a carreira das armas e morreu em acção, no ano de 1813, em
Bayonne, na batalha do Nive, em perseguição das tropas francesas invasoras da península, deixando
órfã, de um ano de idade, sua filha Maria Teodolinda. Este ramo aproximou-se então da
extinção, mas ao longo das três gerações seguintes recuperou frondosa descendência. Os apelidos
Mendonça Arrais, transmitidos pela via feminina, poucas mais gerações lhe sobreviveram. Iria
assim repetir-se, em contextos sócio-económicos novos, a história do ciclo de vida dos apelidos,
como representação do poder das famílias ou das respectivas casas no sentido abrangente do
termo.
Dadas as restrições de espaço a que estamos sujeitos, a introdução e a memória genealógica
que suportam a estrutura do trabalho foram confinadas aos limites temporais de maior significância
para o tema, mas a metodologia utilizada fornece um roteiro cronológico sintético de datas,
lugares, ruas e cargos, e outras pistas úteis para futuras investigações que poderão aprofundar a
breve análise abordada neste estudo.
MEMÓRIA GENEALÓGICA2
1. D. ISABEL VIEIRA DE OLIVEIRA.
Natural da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo, onde foi moradora na Rua do Tourinho.
A 25.9.1696, data do início do processo mais adiante referido, de habilitação ao Santo Ofício,
de seu neto Félix Álvares de Oliveira, era já falecida.
Não casou, mas teve de DIOGO DA CUNHA REGO, homem nobre, cavaleiro da Ordem de Cristo que
era, segundo o testemunho de inquiridos no dito processo, uma das pessoas principais da vila de
Viana, donde era natural, e nela morador em frente à igreja da Misericórdia, uma
Filha:
2.1. D. Maria de Oliveira, q. s.
2. D. MARIA DE OLIVEIRA.
B. cerca de 1645 na vila de Viana.
C. antes de 1668 com MANUEL ÁLVARES DE CARVALHO, natural da Abelheira, arrabalde da
vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo, filho de Manuel Lourenço, natural da fregª de
Manhente, concº de Barcelos, e de sua mulher D. Maria Álvares, natural de Viana3, neto paterno
de Domingos Pires e de Catarina Lopes, da “fregª de S. Veríssimo, termo de Prado”, neto materno
de Sebastião Cerqueira e de Maria Gonçalves, da vila de Viana.
Foram moradores na Abelheira.
Manuel Álvares de Carvalho era, segundo uma testemunha da habilitação de seu filho Félix ao
Santo Ofício, um homem de grande cabedal que vivia de seus negócios e suas fazendas.
Filhos:
3.1. Manuel.
B. a 26.2.16694 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo
sendo padrinhos Heitor Tinoco e Brites da Cunha, viúva.
3.2. Félix Álvares de Oliveira.
B. a 16.7.1671 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, hoje cidade de Viana do Castelo
sendo padrinhos Miguel da Cunha Pinheiro e o arcipreste Manuel de Sá.
2 No texto e nomeadamente nas notas de rodapé foram utilizadas as abreviaturas seguintes: ADEVR=Arquivo Distrital de Évora;
ADL=Arquivo Distrital de Lisboa; ADSTR=Arquivo Distrital de Santarém; ADVCT=Arquivo Distrital de Viana do Castelo; A.H.M.=Arquivo
Histórico Militar; A.N.R.J.=Arquivo Nacional do Rio de Janeiro; AUC=Arquivo da Universidade de Coimbra; B.= Baptizado(a), baptismos;
C.=Casou, casado(a), casamentos; C. g.=Com geração; C.R.C.=Conservatória do Registo Civil; Cad.=Caderno; C.O.C.=Cavaleiro da Ordem
de Cristo; Concº=Concelho; Cx.=Caixa; D.=Dom, Dona; Distrº=Distrito; Doc.=Documento; F.=Fólio, folha(s), faleceu; Fregª=Freguesia;
I.A.N./T.T.=Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo; Lº=Livro; Mª=Maria; Nº=Número; O=Óbitos; P.=Página(s); P.
e
=Padre; Q.
s.=Que segue; S. = São; S. d.=Sine data (Sem data); S. g.=Sem geração; S. l.=Sine loco (Sem lugar); S. m. n.=Sem mais notícia; S. n.=Sine
nomine (Sem nome); Stª=Santa; Stº=Santo; V.=Verso; Vol.=Volume.
3 Manuel Lourenço e Maria Álvares c. a 3.6.1644 na fregª de Stª Mª Maior, sendo a nubente freguesa da “igreja velha” e foram testemunhas
Francisco Rodrigues, Sebastião Cerqueira e Madalena Fernandes (ADVCT, Registo Paroquial, fregª de Stª Mª Maior, concº de Viana do
Castelo, distrº de Braga, Lº M-4, f. 70v, Cota 3.20.2.40).
4 ADVCT, Registo Paroquial, fregª de Stª Mª Maior, concº de Viana do Castelo, distrº de Braga, Lº B-3, f. 79v, Cota 3.20.3.12.
| 182 Para além dos montes, para além dos mares itinerários de mobilidade de dois séculos de uma família da vila de Viana, os Álvares de Oliveira
C. a 18.2.16915 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, sendo testemunhas Manuel Gomes,
procurador da Câmara, João Vieira, o P.e João Soares e o P.e Amaro de Lira, com Revocata Soares,
b. na igrª matriz de Viana, filha de Manuel Soares e de Isabel Fernandes6, neta paterna de Pedro
Soares e de Ângela Rodrigues, neta materna de Baltazar Fernandes e de Maria Rodrigues.
Familiar do Santo Ofício por carta de 5.5.16987.
Foi escrivão proprietário da Correição de Viana.
3.3. André Álvares de Oliveira.
B. a 2.12.16738 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos António Álvares
Pinheiro e Mariana da Silva, todos de Viana.
C. a 31.12.16959 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, por seu procurador Miguel da
Cunha Pinheiro, sendo testemunhas o P.e Francisco de Barros e o irmão do noivo Félix e assistindo
o irmão da noiva P.e Manuel Rodrigues Seixas, com Teresa de Seixas Pereira, filha do
capitão Domingos Rodrigues Seixas e de Ana Seixas10, neta paterna de Pedro Domingues e de
Ana Rodrigues, neta materna de António Fernandes de Seixas e de Isabel Gonçalves, a qual foi
b. na mesma fregª a 28.10.166811 sendo padrinhos João Gonçalves Bandeira e Manuel Cardoso
da Silva.
Formou-se em Leis na Universidade de Coimbra no ano de 1703. Fez leitura de bacharéis12.
Familiar do Santo Ofício por carta de 29.4.172413.
Foi capitão de um navio da carreira do Brasil e viveu também de seus negócios e suas fazendas.
3.4. António Álvares de Oliveira, q. s.
3.5. Paulo Álvares de Oliveira.
B. na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana.
C. a 19.1.170114 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana, sendo testemunhas Manuel Álvares
de Carvalho, o Revº João Soares capelão de S. Bento, o Revº Martinho Rodrigues, o Revº
Francisco Rodrigues de Barros e outras muitas pessoas todas da vila de Viana, com Paula Maria
de Seixas, filha do capitão Domingos Rodrigues Seixas e de Ana Seixas, neta paterna de Pedro
Domingues e de Ana Rodrigues, neta materna de António Fernandes de Seixas e de Isabel
Gonçalves.
3.6. Teófilo.
B. a 9.2.167615 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos João da Rocha e
Maria Ramos, todos de Viana.
3.7. N…(no assento só se lêem as duas últimas letras do nome …ho)
B. a 26.6.167716 na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana sendo padrinhos João Carvalho
Tourinho e João Lopes.
3. ANTÓNIO ÁLVARES DE OLIVEIRA.
B. na fregª de Stª Maria Maior da vila de Viana.
C. a 26.10.169917 na fregª da Correlhã, concº de Ponte de Lima, sendo testemunhas António da
Costa Prado, da vila de Viana, Manuel Gomes, da Vila de Ponte de Lima e o Beneficiado Luís Alves
Ferreira, da fregª da Correlhã, com MARIA DA ROSA DA GRAÇA, filha de Baltazar Rodrigues
Nogueira e de sua mulher Gregória Gomes, fregueses da Colegiada de Viana, achando-se o seu
casamento registado no livro de assentos de casamento da fregª Stª Maria Maior, concº e distrº
de Viana do Castelo. Maria da Rosa da Graça foi proprietária na vila de Viana onde morou com
seu marido na Rua do Espírito Santo.
A António Álvares de Oliveira é atribuído o posto de coronel em vários assentos de baptismo
de seus netos.
Filhos:
4.1. André Álvares de Oliveira, q. s.
4. ANDRÉ ÁLVARES DE OLIVEIRA.
N. a 30.11.170018 na Rua do Espírito Santo da cidade de Viana do Castelo e foi b. a 12 de Dezembro
do mesmo ano na igrª paroquial da fregª de Stª Maria Maior da mesma cidade, sendo
padrinhos o tio paterno Félix Álvares de Oliveira e a avó paterna D. Maria de Oliveira.
André Alves de Oliveira matriculou-se na Universidade de Coimbra em Instituta em 1.10.1718
e formou-se em Cânones em 2.7.172619.
Emigrou para o Brasil.
Foi testemunha de inquirição de genere do Mosteiro de São Bento e em vários documentos do
Rio de Janeiro setecentista. Adquiriu parte da biblioteca de Caldas Barbosa com a qual ficou
possuidor de uma das maiores bibliotecas do Rio de Janeiro na época20.
C. a 24.12.174621 na fregª da Sé, da cidade do Rio de Janeiro, Brasil, com D. JOANA MARIA DE
JESUS, a qual foi b. a 15.6.1728 na mesma fregª, sendo padrinhos o capitão Francisco dos Santos
e Teresa Francisca, mulher de Guilherme Nunes Franse (sic), filha de Bernardo da Silva Sena e de
sua mulher D. Catarina de Alvarenga22, neta paterna de Manuel da Silva Sena e de D. Joana Gomes,
neta materna de António Furtado de Mendonça e de D. Maria dos Reis.
F. no Rio de Janeiro em 1776 e deixou quatro filhos. Por sua morte fez-se inventário23.
Filhos:
5.1. Bento José Alves de Oliveira, q. s. no PARÁGRAFO 1º
5.2. Joaquim José Alves de Oliveira, q. s. no PARÁGRAFO 2º
5.3. Joana.
N. a 24.6.174924 e foi b. a 6 do mês seguinte na capela de Nª Srª da Conceição do Rio Comprido,
na fazenda do Excelentíssimo Senhor Bispo Dom Frei António do Desterro, que foi o baptizante,
sendo padrinhos o Dr. João de Sousa de Meneses Lobo e Nossa Senhora.
5
.4. Rosa.
N. a 1(?).3.175125 e foi b. a 15 do mesmo mês na fregª da Sé da cidade do Rio de Janeiro sendo
padrinhos o capitão Domingos Ferreira da Veiga e a tia materna Ana Maria, filha de Bernardo
da Silva [Sena].
5.5. António Alves de Oliveira.
N. a 3(?).10.175226 e foi b. a 21 do mesmo mês na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro
sendo padrinhos o capitão Máximo Barbosa Pinto e sua mulher D. Rosa Maria Inácia.
5.6. Ana.
N. a 12?.2.175527 e foi b. a 11 do mês seguinte na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro
sendo padrinho José Rodrigues Andrade, por seu procurador o sargento-mor … Borges de
Freitas.
5.7. Sebastiana.
B. a 3.3.175728 na igrª da Sé Catedral da cidade do Rio de Janeiro sendo padrinho o coronel
Francisco Gonçalves.
PARÁGRAFO 1º
ALVES DE OLIVEIRA
DO RIO DE JANEIRO
5. BENTO JOSÉ ALVES DE OLIVEIRA.
N. a 9.3.174629 e foi b. a 21 do mesmo mês na igreja da Sé Catedral do Rio de Janeiro sendo
padrinhos João Malheiro Reimão Pereira e a avó materna Catarina de Alvarenga.
Foi quartel-mestre do Regimento Velho (1794), tenente honorário e proprietário da Fazenda
do Tinjuá, no Rio de Janeiro, onde pode ter havido engenho.
C. a 19.8.178630 na fregª da Candelária, da cidade do Rio de Janeiro, com D. MARIA FAUSTINA
DO NASCIMENTO MOREIRA, a qual n. na fregª da Candelária, da cidade do Rio de Janeiro, filha
do Dr. Manuel Moreira de Sousa (b. na fregª da Candelária) e de sua mulher D. Ana Maria de
Jesus, neta paterna de Luís Moreira de Sousa e de sua amiga D. Francisca Ribeiro Lisboa, neta
materna de João Barbosa Moreira e de sua amiga D. Joana Maria de Jesus.
O Dr. Manuel Moreira de Sousa foi b. na fregª da Candelária da cidade do Rio de Janeiro e c. a
12.8.176231 na igrª do Bom Jesus da mesma fregª, sendo testemunhas Luís Moreira de Sousa e
José..., com D. Ana Maria de Jesus a qual n. no Rio de Janeiro onde f. a 14.5.181332, já viúva, na
fregª da Candelária.
Bento José f. no Rio de Janeiro a 5.4.181333 na fregª da Candelária, com 67 anos de idade e sua mulher,
D. Maria Faustina, f. a 24.7.180434, na mesma fregª, do parto de sua filha Maria Faustina.
Filhos:
6.1. D. Ana Alves de Oliveira.
N. no Rio de Janeiro onde foi b. no ano de 179135 na fregª da Candelária.
F. no ano de 1813.
6.2. D. Ana Procópia Alves de Oliveira.
N. no Rio de Janeiro onde foi b. no ano de 179236 na fregª da Candelária.
6.7. D. Maria Faustina.
N. a 24.7.1804 na fregª da Candelária.
28PARÁGRAFO 2º
MENDONÇA ARRAIS
DE LISBOA
5. JOAQUIM JOSÉ ALVES DE OLIVEIRA.
N. a 10.8.174737 e foi b. a 27 do mesmo mês na igreja da Sé Catedral, fregª da Sé, do Rio de
Janeiro, sendo padrinhos o guarda-mor Filipe Néri e a tia materna Ana Maria, filho do Dr. André
Alves de Oliveira e de D. Joana Maria de Jesus, neto paterno do coronel António Alves de
Oliveira e de D. Rosa Maria da Graça, neto materno de Bernardo da Silva Sena e de D. Catarina
de Alvarenga.
C. com D. MARIA DO CARMO DE MENDONÇA ARRAIS E ALMADA, filha de Luís Félix de Mendonça
Arrais e Almada e de sua mulher Dona Ana Joaquina Leocádia Pinheiro de Vasconcelos,
neta paterna de Fernando de Mendonça Arrais e Almada, moço da Câmara do Rei D. João V por
alvará de 1.7.172338 e administrador da Capela de S. Marçal, na igreja do Convento da Graça,
em Lisboa, em sucessão a seu tio materno João Cunha de Almada39, e de D. Teresa Josefa de
Mendonça e Sá, neta materna de António Pinheiro de Vasconcelos e Miranda e de Dona Antónia
Teresa Monteiro Robalo de Miranda.
D. Maria do Carmo de Mendonça Arrais e Almada n. a 2.2.176240 na Rua Nova da Patriarcal na
fregª de Stª Isabel em Lisboa e foi b. em casa em perigo de vida pelo Pe. Frei Francisco Monteiro,
da Ordem de Cristo, morador no convento de Tomar, e recebeu os santos óleos a 15 de Maio do
mesmo ano na igreja paroquial da fregª de Stª Isabel sendo padrinhos Henrique de Sousa e Mello
e D. Theresa Violante Judith de Daun, Condessa de S. Payo, filhos do Conde de Oeiras e mais tarde
1º Marquês de Pombal. Neste registo paroquial declara o Cura João José da Costa: “baptizey subconditione
por haver alguma duvida na valide. do Baptismo”.
D. Maria do Carmo obteve a 7.3.1778 carta de mercê de 25 mil réis de tença de obra pia com
indicação de que por seu falecimento a tença passará para a irmã D. Ana Rosa.
Filho:
6.1. Francisco de Paula de Mendonça Arrais, q. s.
6. FRANCISCO DE PAULA DE MENDONÇA ARRAIS.
N. a 27.3.178241 na cidade de Viana do Castelo e foi b. a 9 de Abril do mesmo ano na igreja paroquial
da fregª de Stª Mª Maior da mesma cidade sendo padrinhos o desembargador António Félix Contreiras
da Silva e sua mulher D. Antónia Clara da Costa Maciel e Sá.
C. com D. JACINTA ROSA MONTEIRO, a qual foi b. a 21.3.178642 na fregª de Stº André de Estremoz,
filha de António Rodrigues Monteiro e de Rosa Angélica Nogueira, neta paterna de Bernardo António
e de Francisca Monteiro Correia e neta materna de Manuel Cheo e de Luísa Josefa Nogueira
sendo padrinhos João (...) e Jacinta Rosa de Aguiar Gameiro moradores em Lisboa.
Foi capitão da 4ª Companhia do Batalhão de Caçadores nº 5. Promovido a alferes por distinção
na defesa da praça de Campo Maior participou na Guerra Peninsular e morreu em combate,
aos 31 anos de idade, nas imediações de Bayonne, na batalha do Nive que se desenrolou de 9
a 13 de Dezembro de 1813.
No Livro Mestre43 existente no Arquivo Histórico Militar, em Lisboa, encontra-se lançado o seu
tempo de serviço nos diferentes postos: a 8.5.1800, aos 18 anos de idade, assentou praça como
soldado; foi reconhecido cadete a 8.11.1800; foi promovido a alferes por decreto de 3 de Julho
de 180144 por comportamento valoroso na defesa de Campo Maior durante o cerco montado
pelos espanhóis, a ajudante por decreto de 21 de Janeiro de 1809, e a capitão por decreto de
22 de Julho de 181045.
Tomou parte na Guerra Peninsular contra os exércitos franceses invasores participando nos
combates seguintes: em 1809 em Alcântara (10.6.1809), Valverde (7.8.1809) e Porto de Banhos
(12.8.1809); em 1811 em Albuera (16.5.1811) na que foi uma das batalhas mais sangrentas
desta guerra, no cerco de Badajoz (19.5.1811 a 17.6.1811) e em Rebolora; em 1812 em Arapiles
(22.7.1812) e no cerco do castelo de Burgos (19.9.1812 a 31.10.1812); em 1813 em Vitória e foi
morto a 10.12.181346 “em acção” em solo francês, nas imediações de Bayonne, na batalha do
Nive (que decorreu de 9 a 13 de Dezembro de 1813).
Foi condecorado postumamente pelo D. 31/1920 com a cruz de ouro para oficiais da Guerra
Peninsular de 5 anos de campanha47.
Deixou sua filha Maria Teodolinda órfã, com um ano de idade.
Filha:
7.1. D. Maria Teodolinda de Mendonça Arrais, q. s.
7. D. MARIA TEODOLINDA DE MENDONÇA ARRAIS.
B. em casa «por necessidade» a 7.9.181248 na fregª de Stº André do concº de Pinhel, sendo padrinho
José Caetano de Campos Pereira e Amorim.
C. a 4.10.182849 na fregª de Stª Catarina da cidade de Lisboa com JOAQUIM ANTUNES DA SILVA
«furriel da Goarda Real da Policia, filho de Jose Antunes e de Gertrudes Micaella do Sacramento, já
falecidos, baptizado na Freguezia de Nossa Senhora Mai dos Homens da Villa de Ourem, bispado
de Leiria». À data do casamento os nubentes eram moradores em Lisboa, ela na rua de João
Brás na fregª de Stª Catarina e ele no quartel da Rua do Carrasco.
D. Maria Teodolinda f. viúva a 5.6.187050, em Ourém, onde era proprietária.
D. Gertrudes Micaela, mãe do noivo, f. a 16.8.182751 já viúva nos Vales, em Ourém.
Filha:
8.1. D. Joaquina Isabel de Mendonça Arrais e Silva, q. s.
8. D. JOAQUINA ISABEL DE MENDONÇA ARRAIS E SILVA.
B. em Lisboa a 20.6.184252, na fregª de Stª Catarina, da mesma cidade, sendo padrinhos Francisco
Ferreira Pimenta, morador no Loreto, e Maria Isabel Cândida Ribeiro da Silva, moradora em
Ourém, por procuração a seu sobrinho Francisco Antunes.
C. a 5.9.186653 na igreja paroquial de Ourém, sendo testemunhas António da Silva Neves e o
Dr. Joaquim António de Oliveira Flores, com MANUEL ANTÓNIO DE CAMPOS FLORES, o qual n.
a 7.6.183954 e foi baptizado a 17 do mesmo mês na fregª de Ourém, sendo padrinhos os avós
paternos, Manuel Pereira Flores e Mariana Rosa da Piedade, filho de Manuel António Pereira
Flores e de D. Perpétua Rosa de Oliveira, neto paterno de Manuel Maria Pereira Flores e de
Mariana Rosa da Piedade e neto materno de Francisco Álvares de Assis, natural da Farroeira,
na fregª de Pussos, do concº de Alvaiázere, do distrº de Leiria, e de Perpétua Jacinta Rosa de
Oliveira, natural da Quinta das Capelas, na fregª de Formigais, do concº de Vila Nova de Ourém,
do distrº de Santarém e f. a 22.4.193055 na sua Quinta de Vale Bom com 90 anos de idade. Nas
partilhas que se fizeram por morte dos pais de Manuel António de Campos Flores coube-lhe a
ele uma quinta nos Vales.
D. Joaquina Isabel f. a 15.2.191156 em Ourém, também na Quinta de Vale Bom. C. g57.